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| Gian
Carlo Gasperini |
“Arquitetura exige
criatividade e competência,
não interessa se é moderna
ou pós-moderna” |
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Gian Carlo Gasperini
nasceu em 1926, em Castellamare, Itália. Cursou
a Faculdade de Arquitetura da Università degli
Studi, de Roma, entre 1944 e 1946, formando-se em 1949
pela Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade
do Brasil, no Rio de Janeiro. Doutorou-se em 1972 pela
FAU-USP, onde lecionou na cadeira de composição
até se aposentar. Atualmente, além das atividades
do escritório, dedica-se aos cursos de pós-graduação
na FAU-USP e faz conferências e seminários
em vários pontos do país |
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Edifício Peugeot:
anos 50, em Buenos Aires |
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Edifício Os Bandeirantes,
anos 90, São Paulo |
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Italiano de nascimento,
Gian Carlo Gasperini iniciou seus estudos de arquitetura
em Roma, mas os concluiu no Rio, cidade em que esteve
“apenas para conhecer” e pela qual se apaixonou, convivendo
ali com toda a brilhante geração de arquitetos
cariocas do período áureo da arquitetura
moderna brasileira.
Trabalhar sem limites para a imaginação,
poder alçar grandes vôos e libertar-se das
rígidas amarras da Bauhaus foram razões
suficientes para Gasperini decidir fixar-se no Brasil.
Recém-diplomado, transferiu-se para São
Paulo, }para substituir o alemão Franz Heep no
escritório do francês Jacques Pilon.
Logo passou a participar e a vencer vários concursos,
alguns deles com os amigos e depois sócios Plínio
Croce e Roberto Aflalo. Após o falecimento dos
dois, deu continuidade ao escritório
- que completou 40 anos em 2002 - junto com o filho
e o sobrinho de Aflalo. |
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| Fale sobre sua vinda para o Brasil...
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Nasci na Itália, filho de
família florentina, e desde o início
tive vida agitada, com muitas viagens, pois meu pai
era médico e tinha atividade internacional
como consultor. Moramos um período prolongado
na África Oriental, que na época era
colônia italiana, depois fomos para o Egito,
voltamos para a África e finalmente para a
Itália, ainda durante a guerra. Entrei na escola
de arquitetura de Roma, cursei dois anos e meio, mas
quando minha família veio para o Brasil eu
a acompanhei. Minha intenção não
era ficar aqui, queria apenas conhecer o país,
terminar o curso na Itália e seguir para os
EUA. Recém-saído da guerra, onde passei
por experiências muito duras, principalmente
durante a ocupação alemã, queria
mudar de ares.
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| Como o senhor decidiu ficar no Brasil?
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A vivência carioca fez com
que eu logo me identificasse com o país, que
achei fascinante. Inscrevi-me na Faculdade Nacional
de Arquitetura [da então Universidade do Brasil],
no Rio, e comecei a freqüentar as aulas. Isso
foi em 1947,
e aqui terminei o curso. O Brasil era o oposto de
tudo o que eu tinha conhecido e vivido até
então. Eu tinha a possibilidade de levar uma
vida profissional mais aberta, livre. Comecei a conviver
com os jovens arquitetos cariocas da época,
que não tinham limites para trabalhar, podiam
criar com toda a liberdade. Esse, aliás, foi
o motivo fundamental para eu me fixar aqui. Na época,
a arquitetura européia estava muito pautada
pelas regras rígidas da Bauhaus. Não
havia como deixar a criatividade voar.
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| A adaptação foi fácil?
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Foi. Para me acostumar ao clima e
à língua, a primeira coisa que fiz foi
visitar a faculdade de arquitetura e entrar em contato
com os alunos. Eles freqüentavam as aulas e,
no tempo livre, faziam bicos nos escritórios
de arquitetura.
Logo passei também a fazer bicos. Foi uma época
muito boa, de pouco estudo e muito trabalho.
Na verdade, éramos todos autodidatas; as aulas
eram só uma forma de acompanhar o currículo
universitário e passar nos exames. Aprendíamos
bem mais nos escritórios.
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| Depois de formado, a vida mudou muito?
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Sim, porque resolvi casar logo que
me formei.
Eu estagiava no escritório que estava construindo
a sede do Instituto de Engenharia do Rio e o autor
do projeto era um arquiteto francês que morava
em São Paulo, Jacques Pilon. Ele ia toda semana
ao Rio acompanhar a obra e, a certa altura, me convidou
para morar em São Paulo e trabalhar com ele.
Não aceitei, pois gostava do Rio e tinha acabado
de casar.
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| Havia quanto tempo você estava
no Brasil? |
Acho que foi em 1950, eu estava aqui
havia uns três anos e meio. Minha ligação
com o Rio ainda era muito forte e não aceitei
a proposta logo. Mas depois Pilon fez uma oferta irrecusável,
pensei no futuro e aceitei. Vim para São Paulo
e a cidade foi uma surpresa para mim. As pessoas tinham
outra mentalidade, os escritórios de arquitetura
eram muito organizados em relação aos
que eu conhecera no Rio. Franz Heep tinha deixado
de trabalhar com Pilon e sua saída deixara
a estrutura interna do escritório pouco consolidada.
Além da personalidade, a arquitetura de Heep
e seus detalhamentos eram muito fortes.
O escritório tinha dificuldade para acompanhar
as idéias dele nos prédios em andamento.
Precisei estudar esses projetos até descobrir
como concluí-los sem fugir da idéia
geral. Assumi o escritório quase por completo,
mas não me sentia ainda preparado e com competência
para tanta responsabilidade. Meu pai adoeceu e tive
de passar um tempo na Itália. Quando voltei,
comecei a trabalhar por conta própria.
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| A quais projetos de Heep você
deu continuidade? |
Um deles foi o da sede do jornal
O Estado de S. Paulo, na rua Major Quedinho, que estava
para terminar e tinha de transformar o anexo em hotel.
Foram mais três prédios: um no centro
antigo, na Xavier de Toledo, outro no largo de São
Bento e um na rua das Palmeiras.
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Qual a história do projeto
do Banco Moreira Salles,
na praça do Patriarca, em São Paulo? |
Eu tinha feito um projeto bem bonito,
à carioca, com fachada curva, meio abaulada,
empenas fechadas, pilotis, recuado. Aí, Walther
Moreira Salles, que era embaixador do Brasil em Washington,
enviou carta ao Pilon dizendo que queria um projeto
norte-americano para o banco dele. Fiquei muito aborrecido,
mas Pilon foi para Nova York e de lá me telefonou
para eu ir fazer estágio no escritório
Skidmore, Owings e Merrill. Eu fui, e quando projetei
o edifício coloquei alguns detalhes de fachada,
colunas para fora, bem ao gosto do SOM dos anos 1950
e 1960. Quando saí do escritório, [Jerônimo]
Bonilha entrou no meu lugar e desenvolveu o projeto.
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| Seu escritório foi aberto
logo que voltou da Itália? |
Saí do escritório de
Pilon por circunstâncias puramente familiares.
Fui trabalhar por minha conta pois já tinha
bom relacionamento com clientes, que me encomendaram
agências de banco, supermercados etc. Um dia,
encontrei um engenheiro com quem tinha feito algumas
obras e ele me disse que comprara um terreno na esquina
da avenida São Luís com a praça
da biblioteca, onde ele pretendia fazer o melhor prédio
de São Paulo. Abriu concurso, me candidatei
e, no final, sobraram o Salvador Candia e eu. Então
vieram me dizer que o júri estava confuso,
uns gostavam mais do projeto de Candia e outros do
meu.
Eu disse que podíamos fazer o projeto juntos,
e assim foi resolvido. Na verdade, nossas propostas
tinham o conceito básico muito parecido. Assim,
fizemos a Galeria Metrópole juntos. Esse concurso
deu grande impulso a minha carreira e permitiu a consolidação
do escritório.
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Como se deu a associação
com Plínio Croce
e Roberto Aflalo? |
Em minhas andanças pela rua
Barão de Itapetininga, tomando aperitivo no
Fasano, Plínio chegou com um boletim da UIA
que falava de um concurso para a maior torre de escritórios
da América Latina, em Buenos Aires, que se
chamaria edifício
Peugeot. Ele me convidou para fazermos juntos,
pois eu tivera contato, no projeto do Banco Moreira
Salles, com o SOM, que fazia grandes torres. Entramos
no concurso, ganhamos e caímos do céu.
Depois, soubemos que o júri pensara que se
tratava de escritório argentino.
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| E daí em diante os três
começaram a trabalhar juntos? |
Croce e Aflalo já trabalhavam
juntos. Eu entrei, de início, só para
reforçar a equipe, não fazia parte da
sociedade. Depois, resolvemos unir os escritórios
e alugamos mais um andar no edifício onde Croce
e Aflalo já estavam instalados, e levei todo
o meu pessoal e bagagem. Juntamos tudo, e, com a maior
sabedoria, nunca computamos quem tinha projetos maiores
ou menores. Os projetos eram todos do escritório,
e assim continua até hoje.
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| Em que momento você começou
a lecionar? |
Em 1963 ou 1964. Croce já
dava aulas na
FAU-USP, era titular da cadeira de composição
no primeiro e no segundo anos. Mas dizia que estava
cansado e queria que eu ficasse no lugar dele. Aceitei,
e no primeiro ano demos aulas juntos, mas em 1965
ele desistiu e eu fiquei só. Sempre tive grande
atração pelo ensino. O trabalho acadêmico
é uma maneira de o profissional se conscientizar
mais de suas tendências arquitetônicas.
Quando trabalhamos só no escritório,
procuramos manter uma rotina, e terminamos fazendo
os projetos mais ou menos parecidos. Na universidade,
adquire-se a consciência de que a arquitetura
precisa ser renovada sempre.
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| Durante algum tempo o escritório
fez amplo uso do concreto aparente, mas depois parou.
Qual a razão? |
Houve uma época em que toda
a arquitetura brasileira, principalmente a paulista,
usava bastante o concreto. Mas depois de algum tempo
vimos que seu desempenho deixava muito a desejar,
ele começava a se deteriorar rápido.
Hoje, já temos concretos mais confiáveis.
Passamos a usar não o reboco comum, mas materiais
mais nobres e com propriedades mais adequadas, como
o tijolinho aparente para as arquiteturas mais domésticas
e, para os grandes edifícios comerciais, revestimentos
de alumínio, vidro ou granito. Mas isso não
quer dizer que nos afastamos completamente do concreto
aparente. No Auditório Cláudio Santoro,
em Campos do Jordão, deixamos uma parte toda
revestida em tijolo, e a grande estrutura elevada
foi executada em concreto aparente - por sinal, de
muito boa qualidade, tanto que até hoje está
bem.
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A falta de qualidade do concreto
levou, então,
à pesquisa de outros materiais. |
Sim, até porque os próprios
clientes começaram a questionar. Os fungos
penetravam nos poros do concreto e deteriorava-se
toda a primeira camada, era preciso fazer outra concretagem.
Quando fizemos o projeto do Citibank, na avenida Paulista
(leia PROJETO DESIGN 97, março de 1987), o
cliente queria um prédio com arquitetura brasileira,
mas com tecnologia muito avançada.
Fomos aos EUA para visitar os edifícios que
eles consideravam tecnologicamente avançados,
conheci todos, mas não era nada daquilo que
eu queria. A única coisa que me atraiu foi
a maneira como eles prendiam o granito na fachada.
Usavam um sistema de grampos de aço, deixando
uma camada de separação para circulação
do ar e para isolamento entre as superfícies
externa e interna. Na colocação do granito
do Citibank, tivemos a consultoria de uma empresa
húngara que usava técnica italiana e
trabalhava nos EUA. Na época, isso era uma
coisa corriqueira no resto do mundo, mas aqui foi
novidade. Os fornecedores de granito acharam a técnica
ótima e passaram a usá-la.
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| As grelhas desse edifício
também foram muito imitadas... |
Pois é, as grelhas resultaram
de estudo que fiz para minha tese de livre-docência.
Eu questionava o sistema tradicional de estrutura,
com pilares, vigas e lajes, e mostrava que havia possibilidade
de se trabalhar com um sistema estrutural mais livre,
como se fosse um piso colocado verticalmente. No prédio
do Citibank, o próprio Mário Franco,
calculista com o qual já havia discutido o
assunto, propôs a grelha. Tínhamos de
fazer a transição do térreo,
depois a grelha se desenvolve em curva até
chegar na casa de máquinas, dando maior rigidez
a todo o sistema. Na realidade, o sistema é
bastante simples e não tem nada de novo. Mas
começaram a fazer todos os predinhos com grelhas
e aí eu disse:
“Bom, agora chega!”.
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| E quanto à sede do Banco Bandeirantes,
na Faria Lima? |
No Bandeirantes (leia
mais), Roberto [Aflalo Filho] não queria
mais usar grelhas e eu concordei. Passamos a pesquisar
o que havia de novo em materiais que pudessem refletir
as fachadas da Faria Lima e a área arborizada
dos Jardins. Chegamos à conclusão de
que poderíamos usar vidros que apresentassem
diferentes características, com maior ou menor
poder de reflexão, uns transparentes, outros
quase opacos, todos mais ou menos no mesmo tom. A
idéia era a de um edifício totalmente
harmônico, mas com fachadas e características
diferentes.
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| Qual o arquiteto brasileiro cuja
obra o senhor admira? |
A de um cidadão que se chama
Lelé [João Filgueiras Lima]. Ele é
realmente o maior arquiteto brasileiro.
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| Por causa da pesquisa do pré-moldado?
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Não, por causa de tudo. Ele
tem uma cabeça mais avançada, vê
as coisas sob uma perspectiva de longo prazo, uma
dinâmica de abordagem do problema da arquitetura
muito jovem, muito ativa, muito boa. Usa o pré-moldado
onde ele se justifica e é necessário;
sua concepção dos espaços está
muito relacionada com o conceito da arquitetura, tudo
o que faz é muito bem estudado, bem pensado.
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| Como o senhor vê hoje a arquitetura
moderna brasileira? |
Sua origem carioca tem maior flexibilidade,
abertura, leveza de conceito, mas se diluiu no tempo,
de certa forma se esgotou. Não se renovou dentro
daqueles parâmetros. E foi substituída
por outro tipo de arquitetura, também brasileira,
cujas características principais ainda não
foram suficientemente estudadas.
Em um período que acho extremamente ruim, de
1970 a 1980, procurou-se introduzir no país
o que havia de pior no mundo inteiro, principalmente
nos Estados Unidos. A avenida Paulista está
aí para testemunhar isso. E esses resultados
terríveis estamos vendo agora na nova Faria
Lima.
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| O que é pior, a Paulista ou
a nova Faria Lima? |
Sem dúvida, a nova Faria Lima.
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| Se tivesse de dar uma dica para o
patrimônio, qual obra o senhor indicaria para ser
preservada? |
Nunca pensei nisso. Tenho conceito
de preservação um pouco diferente do
tradicional. Procura-se preservar o quê? O objeto
ou o significado dele? O objeto em si deve ser conservado
na medida em que mantém seu significado na
vida contemporânea. Do contrário, torna-se
obsoleto. E, hoje, o objeto arquitetônico preservado
precisa ter finalidade social, para não se
deteriorar rapidamente. Acho que a preservação
prende-se mais ao significado do que ao objeto em
si. Defendo a preservação do que hoje
é significativo, tem consistência. A
idéia de hoje é que tem de ser preservada.
Coisa do passado não se preserva, simplesmente
coloca-se dentro de uma redoma. Para ter significado
é preciso fazer com que o objeto seja útil.
Acho ridículo preservar todos esses casarões
e transformá-los em museus. Museu do que, para
colocar o quê? Não tem sentido.
É melhor demolir logo.
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Por Adilson
Melendez, Éride Moura e Fernando Serapião
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 276 Fevereiro 2003 |
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