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| Sergio
Rodrigues |
| “Ninguém cria sozinho.
Nenhum móvel que fiz poderia ser executado
por mim” |
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Sergio Rodrigues,
nascido em 1927, formou-se em 1952 na Faculdade de Arquitetura
e Urbanismo da Universidade do Brasil, atual Universidade
Federal do Rio de Janeiro |
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Um dos maiores
designers brasileiros, autor da premiada poltrona Mole,
Sergio Rodrigues tem duas paixões: o desenho, herdada
de seu pai, Roberto Rodrigues, e a madeira, da qual aprendeu
a gostar com um tio-avô. Ele passou a vida desenhando
móveis com formas torneadas e volumes generosos,
que refletem brasilidade.
Para falar sobre a criação de suas peças,
sobre suas fábricas de mobiliário - como
a Oca e a Meia Pataca - e suas casas de madeira, entre
outros assuntos, Sergio Rodrigues recebeu PROJETO DESIGN
em seu ateliê, no bairro do Botafogo, Rio de Janeiro. |
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| TRAJETÓRIA
PROFISSIONAL |
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| Por que o senhor escolheu a profissão
de designer? |
Minha família sempre foi ligada
às artes plásticas. Meu pai, que morreu
quando eu tinha dois anos, era, segundo Pietro Maria
Bardi, o elo que faltava entre o art déco e
o modernismo. Dele recebi como herança a paixão
pelo desenho.
Da parte de minha mãe, tive uma ligação
muito importante com meu tio-avô James, que
foi quem me encaminhou para o design. Ele tinha uma
oficina onde dois portugueses de altíssimo
nível técnico realizavam os objetos
que ele imaginava: bancos, cadeiras, mesas. Desde
garoto eu acompanhava aquele trabalho e ficava impressionado
com o artesão que conseguia ler o desenho e
fazer a peça em três dimensões.
Ali iniciei minha ligação com a madeira.
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| A opção pela arquitetura
foi um caminho natural, então. |
Não. Minha idéia era
ser projetista de aviação, mas para
isso teria que entrar na escola de cadetes, e como
era péssimo em matemática não
consegui. Algumas pessoas sugeriram que eu estaria
livre dessa matéria se cursasse arquitetura.
Entrei na faculdade, mas como aquela história
da matemática era brincadeira, não passei
no primeiro ano. Só
no terceiro ano do curso vim a saber que arquitetura
não era apenas desenho ou decoração,
mas algo mais substancial: a criação
do espaço que possa abrigar o homem.
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| E o mobiliário? |
Observei que a arquitetura do Brasil,
naquela época, era considerada uma das mais
interessantes do mundo, mas a ambientação
não tinha relação com ela. Havia
bons profissionais nessa área, mas com muita
influência européia. Para
ter um toque de brasilidade, eram utilizadas peças
de mobiliário colonial. Mergulhei
no tema, mas não existia bibliografia adequada.
Estudei por minha conta, fiz pesquisa em museus históricos.
No terceiro ano da faculdade, o professor de composição
decorativa, David Azambuja, ficou entusiasmado com
o que eu apresentei e me convidou para ser monitor.
Quando eu estava no último ano, ele foi convidado
pelo governador do Paraná, Bento Munhoz da
Rocha Netto, para fazer o Centro Cívico de
Curitiba. Eram quatro projetos e Azambuja contratou
mais três arquitetos, para cada um fazer uma
parte. Levei um susto gratificante quando ele
me convidou para ser um dos arquitetos [os outros
dois foram Olavo Redig de Campos e Flávio Reis
do Nascimento].
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| Por qual dos edifícios o
senhor ficou responsável? |
O das secretarias de Estado. Mas
depois de dois anos o governador disse que ia suspender
as obras por problemas financeiros. Fiquei em Curitiba
e pouco depois o arquiteto italiano Carlo Hauner chegou
à cidade com a intenção de fazer
a ambientação do Palácio do Governo.
Ele desenhava móveis para a Ambiente, loja
de mobiliário moderno que eu já conhecia,
e era proprietário de outra em- presa, a Artesanal.
Fizemos uma sociedade, instalando a loja Móveis
Artesanal Paranaense, que durou seis meses. Vendi
apenas dois sofás, e ainda pelo preço
errado. Hauner, que estava fundando a Forma em São
Paulo, com outros dois sócios, me convidou
para trabalhar com ele. Fui o primeiro brasileiro
da Forma a fazer ambientação de interiores.
Comecei desenhando móveis, uma ou outra peça
muito simples.
Por sugestão de Hauner, montei meu negócio
no Rio, onde eu conhecia muita gente. Criei uma empresa
para vender os móveis de São Paulo e
ofereci sociedade ao conde Leoni Grasselli, que era
um dos sócios da Forma. Escolhi um local não
muito adequado, na rua dos Jangadeiros, mas foi um
sucesso incrível.
Ali surgiu a Oca, primeira loja de gabarito em Ipanema.
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| OCA,
POLTRONA MOLE E MEIA PATACA |
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| Quantas peças havia no catálogo
nesse início? |
Poucas, e a maioria vinda da Forma,
de São Paulo. Fora algumas que eu desenhei,
muito simples, como bancos, banquetas, cadeiras. Nessa
época, tive grande decepção quando
mandei fazer uma banqueta, numa fábrica conceituada,
e poucos dias depois vi duas lojas da rua Barata Ribeiro
vendendo as banquetas que eu nem tinha exposto na
minha loja.
Assim, resolvi montar minha fábrica, em Bonsucesso.
Usávamos o jacarandá, que era a madeira
mais bonita, mais perfeita, e, com operários
caros, os móveis ficaram caros. Mas quem conhecia
o material, o desenho e os acabamentos valorizava.
No primeiro ano, compramos a loja que alugávamos.
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| Qual foi a primeira grande encomenda?
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Em meados de 1960, Wladimir Murtinho
e Olavo Redig de Campos, funcionários do Itamarati,
me procuraram porque precisavam de mesas para ministros,
para a inauguração de Brasília.
A mesa do ministro Horácio Lafer foi um sucesso.
Depois de vê-la, o embaixador do Brasil na Itália
me convidou para fazer a embaixada brasileira em Roma,
o Palácio Doria Pamphili, que estava sendo
comprado. Como ele queria ocupar rapidamente o palácio,
procurei a fábrica de Carlo Hauner, no norte
da Itália, onde desenhei e produzi os móveis.
Fizemos a embaixada em Roma, o consulado e a embaixada
no Vaticano, tudo em tempo recorde.
Ainda na época de Brasília, Darcy Ribeiro
me chamou para fazer as cadeiras do auditório
da universidade, uma das obras-primas de Alcides da
Rocha Miranda. Desenhei as cadeiras, que também
foram utilizadas em uns 20 ou 30 auditórios
no Brasil, inclusive no Anhembi, em São Paulo.
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| E a poltrona Mole? |
Eu imaginava usar a madeira volumosa,
e não como [Joaquim] Tenreiro, que usava madeiras
superdelgadas. Eu queria fazer algo para mostrar a
madeira. Quando o fotógrafo Otto Stupakoff
estava montando seu ateliê me pediu algo para
o pessoal ficar bem descontraído. Então
pensei em fazer uma coisa baseada naquilo que estava
na minha cabeça. E fiz direto, sem protótipo.
Essa primeira peça foi um sofá, que
está até hoje na casa de minhas filhas,
mas do qual só restou a estrutura.
Mais tarde, em 1961, quando eu já estava de
volta ao Brasil, o então governador do Rio,
Carlos Lacerda, para quem eu tinha vendido duas poltronas
Mole, quis que eu a inscrevesse em um concurso em
Milão [o 4º Concurso Internacional do
Móvel]. Mandei as
plantas para análise, e fiquei muito satisfeito
quando a poltrona não foi aceita por já
ser conhecida.
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| Então o senhor não
participou do concurso? |
Fiz pequenas alterações
na estrutura e nas travessas da poltrona original.
Inscrevi a peça com o nome de poltrona Mole
mesmo e ela ganhou o primeiro prêmio entre 400
concorrentes, de trinta e tantos países.
A firma encarregada da produção, a ISA,
de Bérgamo, mudou o nome para Sheriff, que
considerava mais comercial. Eles a promoveram e venderam
para o mundo todo. Deram a poltrona de presente para
[o presidente norte-americano John] Kennedy, a rainha
Elizabeth 2ª, o papa Pio 12, [o premiê
russo Nikita] Kruchev. Vi, em uma publicação
inglesa, o marido da princesa Margareth [da Inglaterra],
lorde Snowdon, que era fotógrafo e decorador,
usando a poltrona Mole em vários ambientes.
Muitas publicações
deram destaque à cadeira, que um livro considerou
uma das 30 mais importantes do século 20. A
partir daí começaram as cópias.
Há pouco tempo saiu uma na revista norte-americana
Architectural Digest: em vez de pés torneados,
fizeram pés quadrados, mas com os mesmos detalhes,
o mesmo almofadão. No Chile, vi um hotel com
poltronas Mole produzidas por lá mesmo. Quer
dizer, muita gente enriqueceu com esse negócio.
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| O senhor ganhou dinheiro com a Mole?
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Recebi apenas 200 dólares,
que era o prêmio do concurso e já estava
amarrado à venda dos direitos autorais.
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| Como foi a criação
da Meia Pataca? |
Foi em 1963. Meus amigos queriam
comprar móveis na Oca e não podiam,
porque eram muito caros. Resolvi
fazer no canto da fábrica uma linha um pouco
mais seriada e de execução mais simples.
Esses eram os móveis da Meia Pataca.
Quando Darcy Ribeiro me chamou para fazer os móveis
da Universidade de Brasília, fiz coisas bastante
simples, também com jacarandá. Isso
foi produzido na Mobilinea, de São Paulo, que
era de Ernesto Hauner, irmão de Carlo.
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| Como ficaram seus direitos autorais
depois que o senhor saiu da Oca? |
Nunca pensei em sair da Oca. Quando
vieram os problemas de sociedade, foi muito desagradável
e eu me desliguei sem levar os desenhos comigo e sem
tê-los registrado.
Anos depois, o pessoal que manteve a Oca percebeu
certos enganos, e eu passei a fazer alguns desenhos
para eles, que compravam o modelo e produziam. Também
comecei a desenhar para a Tendo do Brasil, empresa
japonesa que fazia móveis em série para
escritório e jardim.
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| Qual sua experiência com mobiliário
para hotéis? |
Ganhei o
concurso para o hotel Mofarrej, em São Paulo.
Fiz os desenhos e montei uma fábrica na garagem
do próprio hotel. Fazia estofamento,
cortinas, tudo enfim. Fiquei durante seis anos, mas
creio que fui a primeira pessoa que trabalhou com
mobiliário de hotéis e não ganhou
dinheiro.
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| Como é sua relação
com os operários que criam seus móveis? |
Ninguém
cria sozinho. Nenhum móvel que fiz poderia
ser executado por mim. Tenho que admitir e agradecer
a colaboração desses artesãos.
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| Fale um pouco sobre sua relação
com Joaquim Tenreiro. |
Tínhamos uma ligação
muito grande. Aliás, me orgulho de ele ter
dito que eu era o único designer que ele considerava
- com algumas restrições, que ele não
tinha papas na língua. Ele questionava os pés
grossos dos meus móveis. Conversávamos
sobre detalhes, sobre como executar.
Ele foi homem de bancada
e o criador do móvel moderno brasileiro. Existe
o móvel brasileiro, sim. A globalização
pegou de tal maneira que é difícil saber
a nacionalidade de um carro ou uma geladeira só
pelo desenho. Mas a comida, o mobiliário e
o vestuário, coisas que você usa com
contato direto, não estão globalizados.
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| O senhor acompanha o trabalho dos
designers brasileiros mais jovens? |
Sim. Estive recentemente no Rio Design
Center e vi móveis de Pedro Useche, maravilhosos.
Para mim, ele é um grande designer. Em São
Paulo, tem René Bonzon, Carlos Motta. Temos
uns 10 ou 15 designers de primeiríssima. Gosto
de Cláudia Moreira Salles, de Jaqueline Terpins.
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| Gosta do trabalho dos irmãos
Campana? |
Eles são muito criativos,
gosto imensamente do trabalho deles. Eles
são designers no sentido da palavra: têm
a capacidade de criar canetas, palito, lapiseiras,
automóveis, geladeiras etc.
Da mesma forma é Guto Índio da Costa,
figura incrível, que faz coisas aceitas no
mundo inteiro.
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| MADEIRA |
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| E seus projetos de casas de madeira? |
A casa pré-fabricada
era a síntese da minha ligação
com a arquitetura, com a madeira e com a indústria.
Nos anos 1960, comecei a estudar o assunto e fazer
maquetes.
Niomar Muniz Sodré, que era diretora do MAM,
ficou entusiasmada com a idéia e me pediu para
fazer uma casa. O prazo era de 20 dias e eu a montei,
juntamente com o pessoal da Oca.
Depois fiz obras grandes, como o Iate Clube de Brasília,
a sede do Country Club de Goiânia, que visitei
recentemente, e casas maiores. No total fiz mais de
250 casas, a maioria delas ainda existe.
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| A produção dessas
estruturas era feita pela Oca? |
Não, meus sócios não
quiseram. Mas eu consegui, em uma área de cem
metros quadrados, fazer tudo aquilo. Com seis operários
eu conseguia ganhar quatro vezes mais do que a Oca,
que tinha cem empregados.
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| Existe preconceito com a estrutura
de madeira? |
Os latinos têm o mesmo medo
que os romanos tinham da madeira para residência
e para arquitetura definitiva. Nos territórios
que invadiam, os romanos faziam grandes assentamentos
de madeira que depois eram substituídos por
pedra e cal.
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| Zanine Caldas tem alguma relação
com essas casas? |
Eu o conheci em Brasília,
na época em que eu estava fazendo trabalhos
para a universidade. Um dia, descobri uma loja que
vendia arranjos secos de folhas, de muito bom gosto.
Era Zanine quem fazia aquilo.
Ele não tinha diploma,
mas a arquitetura que ele fazia tem muito arquiteto
com diploma que não faz. Desde aquele
momento, nos tornamos grandes amigos. Em 1964 ele
foi expulso de Brasília e começou a
fazer algumas esculturas entalhadas muito bonitas,
que eu vendia na Meia Pataca.
Depis ele veio para o Rio e começou a fazer
as casas da Joatinga. Quando vi a primeira, fiquei
alucinado; quando ele fez a segunda, chamei Lucio
Costa, que já conhecia Zanine do tempo das
maquetes, mas não conhecia a arquitetura dele.
Lucio ficou alucinado também. E aí Zanine
fez uma série de casas no Brasil inteiro.
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| Existe diferença entre as
coberturas de suas casas do início e das mais recentes,
não? |
As primeiras eram todas praticamente
planas. Naquela época não dava para
fazer casinholas, como se dizia, de duas águas.
Considerei as casas modernas, com teto plano, como
uma possibilidade de venda.
Depois começaram a pedir casas com telha com
capa-canal e passei a fazê-las. Fiz algumas
com Eternit, de que eu gostava pela possibilidade
de substituir uma telha por outra transparente, criando
clarabóias em diversos lugares da residência.
Minhas casas são sempre muito iluminadas.
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| E qual sua paixão maior:
a madeira ou o desenho? |
Claro que
o desenho. Se não tiver a madeira, parte-se
para o plástico, a estrutura metálica.
Sem o desenho não se faz nada. Mas
eu gosto dos dois juntos. Embora eu tenha feito para
o Palácio do Planalto uma cadeira de estrutura
metálica e estofado, que será relançada
por uma empresa de Curitiba, que está produzindo
os meus móveis.
Fiz uma casa toda em fibra de vidro, que não
saiu do protótipo. Acho o plástico maravilhoso,
mas gosto do estudo do encaixe da madeira, para se
conseguir tirar o máximo daquela matéria-prima
natural.
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Por Fernando
Serapião
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 284 Outubro de 2003 |
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