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A experimentação
faz parte da trajetória de Roberto Loeb, desde o tempo
em que montava exposições para o Itamarati, na
década de 1970, quando espaços, materiais e estruturas
eram testados mundo afora. Formado pelo Mackenzie em 1965, Loeb
faz parte de uma geração que, na juventude, contestou
a ortodoxia do concreto na arquitetura paulista. “A estrutura
metálica era um vetor importante, na minha imaginação
e na de meus colegas, porque oferecia um campo novo e uma oportunidade
de pesquisa e desenvolvimento”, ele afirma. De lá para
cá, foi responsável por uma série de projetos
importantes - a sede da Natura, em Cajamar (leia PROJETO DESIGN
253, março de 2001), e o Centro de Cultura Judaica (leia
PROJETO DESIGN 278, abril de 2003), em São Paulo, são
algumas de suas obras preferidas. Nesta entrevista, Loeb recorda
a rotina do escritório Rino Levi, no início de
sua carreira, e fala de seus principais trabalhos. |
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| Com a proposta de uso
de estruturas metálicas, Roberto Loeb se tornou, nos
anos 1980, um dos integrantes do grupo dos “desalinhados”, que
contestavam o modelo arquitetônico estabelecido pela escola
paulista, que privilegiava o uso da estrutura de concreto. Para
ele, o “caos criativo” de São Paulo pode ser um estímulo
para que o arquiteto assuma o papel de reconstruir ou construir
uma nova paisagem, por meio da arquitetura |
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| Por que o senhor escolheu a arquitetura
como profissão? |
Resolvi fazer arquitetura depois de um
percurso errático. Comecei medicina, depois engenharia.
Descobri o prazer - não diria vocação
- da arquitetura por meio de desenhos. Fui fazer cursinho
e encontrei amigos que estavam estudando arquitetura e me
levaram para o curso de desenho. Gostei muito do ambiente
e isso me motivou. A outra origem desse interesse tem relação
com meu pai, que é joalheiro, formado em belas-artes
na Hungria.
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| Foi no início do curso que o senhor
trabalhou no escritório de Rino Levi? |
Isso aconteceu um pouco mais tarde. Entrei
no Mackenzie, que na época tinha fama de ser uma
escola menos dedicada à formação, mais
aberta à experimentação e ligada a
escritórios de arquitetura. Para mim, uma coisa compensadora.
Tinha que ir logo para um escritório e compensar
eventuais deficiências do Mackenzie, na época
considerado menos formal do que a FAU.
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| Isso era uma consciência da época? |
Todo mundo achava que a FAU era mais exigente.
Na época os arquitetos se concentravam em volta do
IAB, nas ruas Major Sertório e General Jardim. Fui
batendo de porta em porta, no escritório de Joaquim
Guedes, no de Jorge Wilheim. E finalmente encontrei um estágio
com Rino Levi, entre 1959 e 1960. Foi muito interessante:
o escritório, pequeno e bem organizado, ficava no
7º andar do prédio do IAB. Era Rino, Carvalho
Franco e Roberto Cerqueira César. Havia dois desenhistas
- um deles, Nicola Pugliese, até hoje trabalha comigo.
Um escritório muito generoso, que rapidamente me
abriu as portas. Eu tinha acesso aos arquivos e desenhos,
me deram uma chave. E havia um modelo de trabalho. Rino
chegava entre 7h30 e 8 h da manhã, e trabalhava o
dia inteiro focado na prancheta. Tudo em escala 1:200. Passava
para Carvalho Franco, eles discutiam, e depois Nicola pegava
o desenvolvimento. O primeiro trabalho que fiz foi copiar
uma planta da casa da rua Rússia, de Castor Delgado
Perez. Ela existe até hoje, é fantástica,
com pátio interno convergente.
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| Mas a casa já não estava
pronta? |
A casa estava pronta. Eles me deram um
treino de desenho para eu simplesmente copiar, pôr
o papel em cima. Foi um exercício importante para
mim. Além de aprender a traçar graduações
mais fortes ou mais claras no lápis, tinha uma análise
da construção muito clara. Prestei bastante
atenção, acompanhei os detalhes. Esse exercício
foi fundamental para o desenvolvimento de minha carreira,
como estudante ainda. Ficou sempre impregnado na minha memória,
era um projeto muito bem resolvido. Rino era exigente em
alguns detalhes. Depois, comecei a participar de projetos
como o da Tecelagem Parahyba. Eu ajudava como podia, mas
era mais uma observação sobre como as pessoas
trabalhavam e se relacionavam. Roberto Cerqueira César
era o homem dos contatos, via ação com a prefeitura,
aprovação de projetos, administração.
Um pequeno escritório de seis pessoas, com uma ótima
secretária, dava conta de obras como as que fizeram.
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| Os projetos ficavam mais com Rino e Carvalho
Franco? |
Sim. Cerqueira César discutia o
programa, as limitações e prazos. A criação
ficava nas mãos de Rino e o desenvolvimento era muito
com Carvalho Franco e Nicola. Era um escritório organizado
em termos de arquitetura e produção.
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| Antes de se formar o senhor passou por
outro escritório? |
Antes de me formar, ainda trabalhei com
Telésforo Cristófani, uma experiência
interessante, pois fazíamos muitos projetos e ele
abriu espaço para eu ser um colaborador. Ganhamos
até medalha de prata em uma bienal com o restaurante
Fasano, no centro da cidade. Depois, comecei a fazer alguns
trabalhos com Fábio Penteado, um arquiteto muito
inqueto, que gostava de desafios. Fizemos diversos concursos,
como a Companhia Docas de Santos, a igreja presbiteriana
em Brasília e o clube Harmonia, que acabou sendo
construído. Fábio conversava bastante, e me
deu uma base, uma visão diferenciada.
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| E depois de formado? |
Já formado, o escritório
de Rino me chamou de volta para acompanhar o Paço
Municipal de Santo André, o que complementou minha
formação. Eu fiscalizava a obra diariamente
e tinha que entregar relatórios. Ao mesmo tempo tinha
entrado no Grupo Executivo da Grande São Paulo, o
Gegran. Então fiz concurso para entrar no Centro
de Pesquisa de Administração Municipal - e
foi uma experiência interessante, porque eu trabalhava
com pequenos municípios, de 5 mil a 50 mil habitantes,
fazendo o chamado Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado.
Foi uma experiência de planejamento territorial que
me marcou bastante, porque eu tinha uma preocupação
com o planejamento, que era generalista demais, com diretrizes
gerais, com pouca visão do artesanato arquitetônico,
descuidando de aspectos particulares da paisagem, de detalhes
urbanos que são elementos fundamentais do conforto
de uma cidade. Eu fico lendo, por exemplo, os livros de
Christopher Alexander e de Jane Jacobs, que são autores
referenciais para essa visão mais real e artesanal
da questão do espaço, e lembro que uma vez,
em entrevista a um jornal, [a escritora] Lygia Fagundes
Telles disse que “o Brasil devia ter o Ministério
dos Detalhes”.
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| Quando o senhor abriu escritório
próprio? |
Logo em seguida. O prazer de fazer coisas
próprias era mais forte que o de fazer grandes projetos.
Tive dois sócios, Flávio Mindlin Guimarães
e Marklen Landa, ambos do Rio de Janeiro. Já tínhamos
feito juntos o concurso do Teatro Municipal de Campinas.
Eles eram formados no Rio de Janeiro, pelo Fundão
[Universidade Federal do Rio de Janeiro]. Marklen estagiara
com Paulo Casé e Flávio já tinha trabalhado
com o tio, Henrique Mindlin. Eles vieram para São
Paulo em busca de oportunidade e acabamos formando uma sociedade
que durou uns 15 anos.
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| A maioria de seus trabalhos dessa época
era de estrutura espacial? |
É, eram estruturas espaciais, metálicas.
Tivemos muitas oportunidades em feiras e salões,
que na época eram no Ibirapuera. Principalmente depois
de um projeto para a Alcântara Machado.
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| Eram os estandes, não? |
Os estandes eram bem mais interessantes,
pois era muito rápido: você construía
e logo desmontava, e dava a oportunidade de ganhar dinheiro
fazendo experimentação. Fizemos estandes grandes,
para a Nestlé, por exemplo, e também estandes
pequenos, como o da Metal Leve. Na época, montamos
até uma empresa, a Arquiprom, e fizemos quase 40
exposições fora do Brasil, contratados pelo
Itamarati. Com isso tivemos a oportunidade de trabalhar
em um tipo de projeto diferente da arquitetura, mas que
também não era apenas uma montagem. O Itamarati
contratava a empresa para realizar três ou quatro
exposições em locais predeterminados, como
Nova York, um país da África, outro da Europa
e Bolívia. E era parte de nosso trabalho fazer uma
pesquisa de vocação sobre os produtos brasileiros
com mais chance de penetração naqueles mercados.
Tínha mos que estabelecer também qual a melhor
época para fazer a exposição, arregimentar
expositores etc.
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| Não era só um trabalho de
arquitetura. |
Era mais, era marketing, administração.
Isso completou minha visão, além da arquitetura
e do planejamento urbano. Esse tipo de atividade era interessante.
Na Bolívia, por exemplo, atendi trinta e poucos possíveis
compradores de nossos produtos na embaixada do Brasil. A
partir dessa demanda, montamos uma exposição
com os produtos brasileiros, e isso implicava fazer divulgação
na imprensa, convites, promoções e, é
claro, o projeto e a montagem dos pavilhões. Na Bolívia
usamos muitos infláveis, os primeiros infláveis
da Sansui na África, pavilhões de plástico,
tendas; em Nova York eram mais espaços fechados,
como no hotel Pierre, e depois reformamos o escritório
comercial da região, onde o desenho estava interligado
à atividade administrativa.
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| Essas estruturas espaciais tinham alguma
ligação com os metabolistas japoneses ou qualquer
coisa da época? |
Tinham sim, era uma influência que
estava ocorrendo no mundo. Fui à exposição
mundial de Osaka, em 1970. O pavilhão brasileiro
foi desenhado por Paulo Mendes da Rocha e ficou muito bonito,
mas era uma solução de arquitetura perene,
de estrutura permanente
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| De concreto, não? |
De concreto. Muito interessante aquela
proposta de apoio em cima, mas havia também o high
tech se desenvolvendo, com estrutura metálica etc.
E isso coincidiu com a demanda que eu enfrentava na área
de feiras e exposições, aqui no Brasil. Procurei
o pessoal da Rohr, empresa de estruturas tubulares. O contato
com eles tinha começado no tempo da reforma que eu
fiz no antigo Instituto Pereira Cruz, em São Bernardo
do Campo, que era um projeto de estrutura de madeira de
uma empresa associada a eles. O uso desse tipo de estrutura
também está ligado ao meu fascínio
pelo trabalho de Flávio Império, que fez vários
espetáculos no teatro Oficina usando estruturas tubulares.
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| Alguma dessas obras permaneceu? |
Não, pois eram estruturas alugadas.
Ainda falando em Osaka, nós ficamos em quarto lugar
no concurso do pavilhão do Brasil. Nossa proposta
era diferente e partia da premissa de que esse tipo de estrutura
é universal, o tubo e a braçadeira são
encontrados em qualquer lugar do mundo, é barato
e rápido.
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| Sua geração ficou marcada
não por uma negação, mas por uma contestação
do modelo estabelecido na arquitetura paulista. O senhor concorda
com essa afirmação? |
Acho que tem sentido. Eu tinha um respeito
muito grande por todos esses arquitetos. Afinal, convivia
no IAB com [Carlos] Millan, Paulo Mendes da Rocha, Fábio
[Penteado], Pedro Paulo Saraiva, enfim, todos faziam uma
arquitetura de excelente qualidade. Mas é claro que,
como jovens, estávamos procurando uma revisão
de temas e até um lugar ao sol, trazendo algum tipo
de proposta. A estrutura metálica era um vetor importante
na minha imaginação e na de meus colegas,
porque oferecia um campo novo e uma oportunidade de pesquisa
e desenvolvimento sem precisar trilhar o mesmo caminho,
ao contrário do que sucedia com Sérgio Ferro,
Rodrigo Lefèvre, com todo o pessoal que estava trabalhando
intensamente no desenvolvimento daquela linha existente.
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| Eles eram praticamente seus contemporâneos,
não? |
Um pouquinho mais velhos. Nós já
estávamos rompendo com isso. Intuitivamente, eu sentia
que esse caminho exigia uma espécie de enquadramento
em uma escola, o que eu não estava disposto a aceitar,
embora a respeitasse - afinal, minha formação
era a da arquitetura paulista, e eu tinha muita admiração
pelo trabalho de arquitetos como Guedes e Artigas. Tudo
isso configurava um campo bastante explorado, e nós
queríamos abrir um pouco mais, flexibilizar.
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| Comente um pouco a respeito das reuniões
que Vicente Wissenbach fez, em 1982, com os chamados “desalinhados”. |
Houve uma série de encontros com
Tito Lívio Frascino, Carlos Bratke, Pitanga do Amparo,
Vasco de Mello e eu, não me lembro bem se havia mais
alguém. Nós nos dispusemos a conversar e a
criar um campo próprio. É curioso repensar
esse momento, pois, de alguma forma, existia uma escola
cujo compromisso era com o concreto aparente, com ênfase
na estrutura - inclusive o Abraão Sanovicz, o China,
estava nesta linha. Não estávamos contestando,
mas criando uma linguagem própria.
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| Como o senhor vê os profissionais
mais jovens, de 35 a 45 anos, voltando àquela escola
de arquitetura que vocês contestaram mais de 30 anos atrás? |
Eu acho interessante. Alguns arquitetos
jovens estão fazendo uma arquitetura elegante, muito
bem articulada, como a que ganhou o concurso de Sevilha,
do MMBB. Eu só fico preocupado com o desenvolvimento
desse trabalho, se ele não vai ficar muito restrito
a pequenas obras, a pequenas intervenções.
Qual a condição, no Brasil, de desenvolver
um trabalho forte em larga escala?
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| O que está achando da arquitetura
brasileira atualmente? |
Claro que há destaques, arquitetos
com talento natural e boa formação, produzindo
boa arquitetura. Mas a proliferação excessiva
de escolas de arquitetura sem muita qualificação,
sem muito controle, acabou gerando uma enorme massa de arquitetos
com pouca formação. E arquitetura não
se faz só com alguns profissionais de destaque: se
faz com muitos arquitetos. É um trabalho de equipe,
e se não houver um entendimento amplo, cultural e
referencial, torna-se difícil produzir um bom trabalho.
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| O senhor já lecionou ? |
Já dei aulas em Santos, quando se
formou a escola, a convite da Mayume e do Sérgio
de Souza Lima. Depois dei aulas no Mackenzie.
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| Alguns de seus projetos utópicos
foram bastante difundidos, como aquele do metrô aéreo
em São Paulo. Aquilo era uma provocação
ou algo em que o senhor acreditava? |
Essa história foi estimulada pelo
Jornal da Tarde, que chamou três ou quatro arquitetos
para fazer uma proposta para São Paulo: Bratke propôs
um edifício sem paredes, Pitanga fez um jardim suspenso
no Minhocão etc. Eu penso que o caos de São
Paulo é muito criativo, provoca um passo à
frente na proposição de alguma solução.
Na época eu pensei em não fazer um projeto
para um local específico, pois, ao contrário
do Rio de Janeiro, a cidade perdeu sua identidade paisagística.
Então, o papel do arquiteto poderia ser reconstruir
ou construir uma nova paisagem, por meio da arquitetura.
Cada torre em que o metrô estivesse apoiado poderia
ter o caráter do bairro, da mesma forma que identificamos
as igrejas em uma cidade medieval. O custo do metrô
elevado seria quatro vezes menor. Pensei que seria uma boa
possibilidade de avançar.
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| Entre seus projetos, qual o preferido? |
Gosto muito da Natura, uma obra em que
a relação com o cliente foi interessante.
O conjunto ficou adequado à paisagem, pois são
vários prédios, contrariando a tendência
do macroedifício. É um campus aberto, onde
a arquitetura é a relação entre prédios
e espaços vazios, formando um conjunto que me agrada,
pois tem vegetação, luz natural, passeio,
surpresa. Já o Centro de Cultura Judaica é
um projeto urbano, um pouco na linha dessa idéia
de que a arquitetura em São Paulo tem que criar paisagem.
Eram duas torres interligadas com um vão livre, mas
depois do atentado em Buenos Aires [a explosão de
uma bomba na sede da Associação Mutual Israelita
Argentina, em 1994, matou 17 pessoas] assaram a evitar vãos
livres por questão de segurança. Então,
fiz mudanças, mas mantive as características.
Eu gosto desse projeto, que, assim como outros, tem a oportunidade
urbana. Um deles é o Itaú Cultural, do grande
[Ernest] Mange, engenheiro da Poli e arquiteto. Mas o edifício
do Itaú tinha vários problemas.
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| Quais problemas? |
De conceito, pois era um edifício
criado para pesquisa interna. Quando se tornou mais aberto,
popular, com muitas exposições, não
estava preparado para isso. Foi quando me chamaram para
desenhar a reforma, visando reconstituir paredes para as
exposições, com uma situação
mais clara e um acesso direto da rua. Há também
o Santander Cultural, em Porto Alegre: tenho carinho pela
oportunidade de trabalhar com o tema, que envolveu a restauração
do prédio. Mas tenho particular interesse por projetos
sociais, como o Boracéia, na Barra Funda.
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| E algum projeto que não foi realizado? |
Eu me frustro pela não construção
do edifício da H. Stern.
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| Pela ligação de seu pai
com as jóias? |
Também. Ao ser convidado para participar,
achei uma boa oportunidade para resgatar uma continuidade
da relação familiar com a joalheria. Eu me
dediquei muito ao projeto. Imaginava que o edifício
seria um marco para a região, e fiz a torre com cabos,
relacionando-a com o candomblé brasileiro, com a
figura de Oxóssi. Então a proposta reunia
todos esses ingredientes: marco na paisagem, uma visão
brasileira, a questão de meu pai ser joalheiro. Inicialmente,
recebi uma comunicação da H. Stern de que
o projeto tinha sido escolhido. Depois, fiquei sabendo que
internamente não havia um acordo quanto à
arquitetura. Fizeram um novo julgamento, submetendo a um
arquiteto na Suíça, especializado em joalheria
e nesse tipo de comércio. Foi quase um ano em julgamento,
e veio a indicação de que o meu projeto era
o mais indicado. Comecei a trabalhar intensamente, mas o
Plano Collor desmotivou completamente a empresa, que acabou
paralisando o projeto e depois vendendo o terreno.
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