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| Pouco tempo depois de formado o senhor
ganhou o concurso do Paulistano, em São Paulo. Fale um
pouco sobre isso. |
O Paulistano foi uma oportunidade interessante,
pois em concursos você se inscreve e faz o que quiser.
Esse nível de liberdade do concurso é muito
interessante, porque você emite uma opinião
e não tem que se preocupar se é de época
ou não. Lembro que não recorri a modelo nenhum,
ao contrário. Essa é uma regra que eu uso,
aliás, acabou sendo constante: antes de dizer o que
quer fazer, você tem que saber muito bem o que não
quer fazer. Aquele espaço estava na rua Augusta,
já uma rua de comércio considerada interessantíssima.
Imaginei que as construções fechadas que se
usam para esses ginásios cobertos - no caso do ginásio
particularmente, porque o concurso era para a revisão
de toda a área - não cabiam ali. Tinha que
ser algo festivo, que pudesse conviver com a alegria daquela
rua. Isso é que induziu a procura por uma forma que
tivesse esse ar de varanda sobre a plataforma, com uma solução
necessariamente muito sutil por causa da escala. Daí
o surgimento daquela frente inesperada. A frente parece
um teatro, um espetáculo de certa grandiosidade,
por exemplo, um desfile que não acaba nunca. Há
uma porta para dentro do ginásio e outra para a rua.
É um enorme espaço vazio. Imaginei a possibilidade
de um embasamento que sustentasse a configuração
de praça, uma grande marquise, para que não
precisasse ter porta, inclusive no recinto interno, já
que é esportivo. Então, uma proteção
baixa e larga - 12 metros a 2,10 metros -, aquilo mergulha
um tanto para dentro do território e consegue suspender
uma leve cobertura. Devo esse projeto, mais uma vez, à
engenharia. A concepção estava muito boa,
mas para definir aquilo com clareza, para a minha sorte,
surgiu a figura do engenheiro Tulio Stucchi, que orientou
o cálculo definitivo junto comigo. Devo a ele a finura
de compreender a beleza do desenho e a razão fundamental
daquelas formas de modo nítido, desfrutando até
o limite a dimensão de cabo, peso, articulação
de tudo. O projeto é todo articulado, pousa no chão
em seis pilares e o que assegura a estabilidade é
um grande anel de concreto e depois o anel de aço,
de onde partem os cabos para sustentar a cobertura metálica
que não se apóia na marquise. Os apoios são
articulados, delicados, só para efeito de vento.
É muito interessante o projeto e aprendi muito detalhando
aquilo, junto com a engenharia, mecânica de solos,
escavações etc. O lençol lá
é muito superficial e estive quase no limite de desistir
daquilo tudo para não enfrentar muito a sobrecarga,
a subpressão do lençol freático. Foi
um projeto em que trabalhamos com a engenharia desde a concepção
original enquanto idéia de forma, que é uma
estrutura capaz de realizar aquela espacialidade, uma questão
de gentileza urbana, enfim, de adequação.
Aprendi desde logo que a grande virtude da arquitetura,
se ela tivesse que ter uma só, é ser oportuna,
no lugar, na cidade.
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| João Eduardo de Gennaro contou-me
que vocês fizeram o concurso no seu apartamento na rua
Lisboa. É isso mesmo? |
Ninguém tinha dinheiro. Eu me inscrevi
no concurso e teria que fazer sozinho. Esse companheiro
foi meu colega de turma, uma figura que me amparou em todo
o começo, e eu o convidei para fazermos juntos. Nós
dois desenhamos 12 pranchas enormes, e como não havia
onde desenhar, com as dificuldades de um escritório
na cidade, levamos as pranchas para o meu apartamento. Trabalhávamos
lá sem dormir, noite e dia, durante a última
semana.
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| Nessa época vocês
tinham escritório no centro de São Paulo? |
Sim. No edifício Filizola. Fizemos
uma coisa que acho interessante. Era um condomínio,
com cinco ou seis arquitetos, e cada um pagava uma parte.
A quem entrasse parecia um escritório só.
Padronizamos o mobiliário, eu desenhei uma mapoteca
muito bonitinha. Trabalhavam lá Djalma Macedo Soares,
grande arquiteto, eu, João de Gennaro e outros. Alguns
entravam e saíam. Os mais constantes eram João,
Djalma e eu.
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| Depois vocês se mudaram para o Conjunto
Nacional? |
Ganhamos muito dinheirinho com o Paulistano
e um corretor muito simpático, por iniciativa dele,
foi nos procurar. Disse que tinha uma coisa para nós,
que teríamos que comprar: eram os conjuntinhos do
Conjunto Nacional, então em construção.
Ele nos mostrou um plano que nós poderíamos
de fato cumprir. Comprei duas salas, João comprou
outras duas, juntamos tudo e fomos para a avenida Paulista.
Doze metros de frente para a avenida; uma maravilha. Nesse
escritório, de onde participei do concurso para o
Pavilhão do Brasil em Osaka, fiquei até por
volta de 1970.
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| Foi da avenida Paulista que o senhor se
mudou para o edifício do IAB/SP? |
Vim para cá porque tínhamos
um sonho. Naquela altura, essa história de crachá
e segurança para entrar no Conjunto Nacional já
tinha começado - quando mudamos não havia
isso. O prédio do IAB tinha esse encanto: você
tinha a chave da porta. Antes mesmo de mudar, comíamos
no restaurante do IAB todos os dias. Havia uma figura extraordinária,
um nordestino que explorava o restaurante - nós o
chamávamos de Xaxá -, que era de uma dignidade
fantástica. A ponto de servir de sobremesa mamão
à Frank Lloyd Wright - ele ouvia nossas conversas
e inventava. Era um homem muito inteligente. Um dia, na
época do governo militar, viemos todos para o restaurante,
preocupados com as perseguições e ele disse:
“Doutor, fique tranqüilo: aqui não entra ninguém”.
Abriu o casaco e estava com um 38 na cintura. Fábio
[Penteado] e eu tivemos um problema enorme para, delicadamente,
tirar a arma dele e dizer que ele não poderia fazer
aquilo. Veja quem era esse caboclo. Um dia, estou lá
no meu escritório do Conjunto Nacional e ele me ligou:
“O senhor queria um escritório aqui? Pode comprar.
O fulano disse que vai vender”.
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| Quem era o arquiteto? |
Eram Ariosto Mila e João Cacciola.
Eles resolveram vender. Se não me engano, um deles
tinha morrido. Não é uma história alegre,
mas, enfim, estava para vender e eu comprei no andar do
Artigas, o que achei que seria conveniente. Comprei e passei
a ter o meu escritório. Veja a nossa formação:
nunca tive casa e comprei logo um escritório, apesar
de já ter três ou quatro filhos. Para nós,
o trabalho era fundamental, inclusive para sustentar o resto
todo. Essa idéia mesma do condomínio [no edifício
Filizola], que é uma forma de você ter um belo
escritório na cidade, mostra que éramos formados
como homens urbanos. Essa consciência nós tínhamos.
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Minha segunda formação foi Artigas, pela visão
nítida de que engenharia e filosofia - ou seja, técnica
e crítica - são a essência da arquitetura.
Suas aulas eram maravilhosas. Porque ele punha o raciocínio
e a reflexão como questão primordial, para
depois você ver que decisão tomar
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| Logo depois do concurso do Paulistano,
Artigas convidou o senhor e Pedro Paulo de Melo Saraiva para
assistentes dele na FAU/ USP. Vocês já tinham,
antes, algum contato? |
Eu o conhecia, digamos assim, de apertar
a mão, quando ele me convidou para ser assistente.
Era uma coisa fácil de compreender: as vagas estavam
abertas e os professores podiam propor nomes. Você
tinha que apresentar seus títulos para ser aprovado
e se tornar professor. Todo mundo conhece a minha passagem
pela USP. A minha segunda formação foi o Artigas,
por essa visão nítida de que engenharia e
filosofia - ou seja, técnica e crítica - são
a essência da arquitetura. Você deve imaginar
o que foi para mim, como amadurecimento da minha formação,
a presença de Artigas e a convivência com ele.
Suas aulas eram daquelas que iam se enchendo de estudantes.
Os alunos dos outros anos pouco a pouco iam invadindo os
recintos, sentando por ali. Eram aulas maravilhosas. Porque
ele punha o raciocínio e a reflexão como questão
primordial, para depois você ver que decisão
tomar.
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| O senhor dava aulas ao lado dele? |
Os auxiliares de ensino ficavam ali como
monitores. Mas com o golpe militar, que não fechou
a escola da noite para o dia, nem nos cassou de imediato,
Artigas afastou-se de São Paulo. Esteve fora do Brasil
devido à perseguição feroz. E, pela
dignidade da própria escola, o diretor, que, na ocasião,
era um matemático, cujo nome esqueci, chamou Millan,
Pedro Paulo e eu e disse: “Pelo estatuto da universidade,
o professor não precisa ser substituído por
outro professor do mesmo título. Vocês, que
são assistentes de Artigas, podem, se quiserem, tomar
conta do quinto ano”. Eu e Pedro Paulo ficamos tomando conta
do quinto ano por um ano ou dois. Lembro que nessa ocasião,
no trabalho final - naquela época o trabalho de graduação
interdisciplinar, o TGI, estava se esboçando -, a
escola determinava o mesmo assunto para todos. Eu e Pedro
escolhemos como tema a barragem de Urubupungá, com
a proposta de urbanizar seu entorno. Um aluno fez um trabalho
belíssimo, de que não me esqueço: as
eclusas no lado alto da barragem com o navio entrando, a
barragem se fecha, a água escoa, o navio como que
naufraga e sai lá embaixo - uma maravilha. Outro
tema foi o porto de São Sebastião. Lembro
que Jorge Caron fez algo lindíssimo, inclusive com
um estádio de futebol quando acabava o porto, na
frente do canal, e uma área para regatas com arquibancadas
de um lado só. E desenhou alguns engenhos, naturalmente
copiados, similares, mas via-se que tinha alguma invenção,
para guindastes e coisas assim, equipamentos do porto, suscitando
nos estudantes a imaginação para além
da questão do edifício como fato isolado.
É preciso ver que, à época, Brasília
era recente. Na nossa formação, a questão
do espaço e da espacialidade da cidade pela mão
da coisa construída, transformação
da própria geografia, sempre foi a essência
da arquitetura.
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| A época da sua saída da
FAU/USP, durante o governo militar, foi a fase mais difícil
de sua vida profissional? |
Foi o período mais difícil
e mais triste de minha vida, sem dúvida nenhuma.
Porque todos nós, além de ameaçados,
estávamos humilhados, indignados e constrangidos.
Nossos colegas estavam sendo mortos, como Rubens Paiva,
meu grande amigo. Então, a dor era imensa, além
de qualquer idéia de dificuldade. Mas, nesse lado
da questão, a figura de Artigas também é
muito importante. Porque ele sempre foi muito estimulante
quanto à idéia de reagir com dignidade. Ele
voltou depois, submeteu-se a julgamento e esteve preso num
quartel do parque D. Pedro. Mas nós conseguimos conviver
com tudo. Há, inclusive, coisas que não se
sabe e que agora posso dizer: fui cassado duas vezes. Na
primeira lista, fui demitido da USP, junto com tantos professores,
como todos sabemos. Mas, 15 dias depois, numa segunda lista,
saí eu, mas nem todos aqueles outros, não
sei com que critério. Eu fui literalmente impedido
de trabalhar. Conheço de cor o decreto: “Proibido
de trabalhar para o governo da República, de forma
direta ou indireta, empregatícia ou não”.
Veja a habilidade da redação, coisa de jurista.
Mas meus colegas me ampararam, pouco a pouco, e fui trabalhando
por fora, sem aparecer. Eu não podia fazer nada,
ninguém ia me empregar. Eu não podia trabalhar
para empresas, mas, de qualquer maneira, eu também
nunca trabalhei para nenhuma. Sempre consegui, apesar de
tudo isso, manter um pequeno estúdio. Um projeto
aqui, outro ali, e eu me virava.
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| E quais eram os projetos dessa época? |
Eu fiz algumas coisa que não se
sabia, mas agora posso contar. Eu pintei porta de loja na
rua Augusta. Fazia caricaturas, coisas que serviam de enfeite,
feitas com pastel e protegidas com verniz. Há algumas
coisas que inventei: fiz um mural num andar alto do edifício
Conde de Prates, para a empresa de navegação
Hamburg Süd, no qual havia navios e carregadores com
sacos na cabeça. Eu fazia de tudo porque tinha filhos.
Comecei a trabalhar com um cidadão italiano muito
interessante, que tinha uma loja de decoração
na rua Augusta. Ali fiz essas cadeirinhas de aço
que até hoje estão por aí. Perspectiva
para outros arquitetos, para vender prédios, para
estande de vendas, fiz várias.
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| O senhor chegou a registrar alguns desses
trabalhos? |
Eu não documentava nada. Lembro
de uma lojinha que eu fiz, na rua Augusta, coisa de moda.
A porta era toda pintada e havia uma senhorita, uma mulher
com uma piteira, uma correntinha e um cachorrinho peludo
- uma coisa um tanto Toulouse Lautrec. Besteiras que eu
não sei como engoliam e me pagavam. Mas eu desenhava
bem, desenharia qualquer coisa mais ou menos. Então
passei a fazer isso para sobreviver. Lembro que muitas vezes,
quando tinha escritório no edificio Filizola e morava
num apartamentinho da rua Lisboa, travessa da Rebouças,
eu precisava decidir: ir para casa de ônibus ou comprar
um maço de cigarros Lincoln e ir a pé? Fiz
esse trajeto a pé várias vezes.
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| O senhor morou no edifício Copan?
Como foi essa experiência? |
Morei bem mais tarde. Se você quer
continuar nesse tom de crônica da cidade, morar no
Copan foi uma maravilha, como usuário. Porque lá
você põe uma sandália qualquer, veste
por cima do pijama uma capa de chuva e vai comprar jornal
na avenida São Luís, no domingo, numa boa.
Fiquei muito amigo de uma figura extraordinária,
um espanhol que tomava conta de toda a parte de comida do
Hilton [hotel hoje desativado, situado vizinho ao Copan].
Eu tinha um arreglo com ele: atravessava a rua, aos sábados
e domingos, ia para a sauna e para a piscina do Hilton.
Nadava e ficava por lá, de frente para o meu apartamento,
que estava na mesma cota. Tomava meu gim tônica e
depois ia para casa almoçar. Uma vez recebi em São
Paulo um primo que não sabia onde eu estava morando.
Ele veio jantar comigo. Convidei-o para tomar um aperitivo
no bar do Hilton. Ficamos ali bebendo e, lá pelas
tantas, o barman - que estava de frente para o meu apartamento
- me avisou: “Olhe, já estão chamando para
o jantar”. Tomamos o último gole, chamei meu primo,
atravessamos a rua e fomos jantar, e então ele conheceu
a minha casa. Havia um sinal combinado entre mim, a cozinheira
e o barman, um contínuo piscar de luzes, que anunciava
que a comida estava pronta. Morar na cidade é desfrutar
de tudo isso.
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| Há algum tempo, li uma entrevista
em que o senhor questionava a inexistência de um Ministério
das Cidades... |
Agora existe. Mas não basta existir
um ministério. A demagogia faz isso, uma espécie
de cala-boca. Agora existe, mas não faz nada. Esse
ministério nunca exibiu com clareza, como forma de
educação, uma política, um horizonte.
Então fica administrando a miséria. A miséria
não pode ser administrada, ela tem que ser execrada.
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[a saída da FAU/USP] foi o período mais difícil
e mais triste de minha vida, sem dúvida nenhuma. Porque
todos nós além de ameaçados, estávamos
humilhado, indignados e constrangidos. Nossos colegas estavam
sendo mortos. Então, a dor era imensa, além
de qualquer idéia de dificuldade
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| Para terminar: e o Pritzker? Essa premiação,
que vez ou outra concede um prêmio como o seu, participa
da arquitetura-espetáculo do nosso tempo. Como o senhor
vai se esquivar disso tudo, daqui para a frente? |
Numa situação dessas, devemos nos
obrigar a encarar uma Fundação Pritzker no âmbito
da dimensão política, da presença da
arquitetura como forma de conhecimento. Louvo essa instituição
e, com isso, assumo um compromisso de responsabilidade. Não
é algo para se vangloriar de modo individual. Em primeira
instância, mostra que nós temos boa formação.
Eu admito que só se possa fazer esses prêmios
como um exemplo. Estamos sendo contemplados com essa manifestação
clara de que o nosso discurso tem algum interesse para o conhecimento
universal. Esse conhecimento reflete a possibilidade das justas
transformações que todos desejamos. Qualquer
cidade do mundo, hoje, enfrenta o problema de não saber
o que fazer com os outros, que não são invasores,
mas são indesejáveis. As massas trabalhadoras,
aqueles que vêm da Argélia, de Bornéu,
de Sumatra - a Europa toda está passando por esse problema
-, não encontram a hospitalidade que esperavam, e não
se trata simplesmente de abrigar e viver bem. Há que
se desfrutar de um futuro, inclusive de escolas, formação,
convivência. Temos que abrir os espaços do mundo
para os habitantes do planeta.
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Por Fernando Serapião
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 316 Junho de 2006 |
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