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“Um dia, por volta de 1992,
falei ao Paulo sobre o projeto da Pinacoteca do Estado de São
Paulo. Logo vi nos seus olhos o brilho da sua percepção,
do seu entendimento e o significado daquele arcabouço quase
em ruína, criado em 1900 pelo arquiteto Ramos de Azevedo. Ali
estava ainda cravado nas paredes de tijolos à vista o que deveria
ser o Liceu de Artes e Ofícios. Vi também em seus olhos
o quanto de sensibilidade ele vislumbrava nas transparências,
nas pontes, nas estruturas de vidro, nos pisos brancos de mármore,
na virada da entrada, nos jardins da Luz ao fundo do que viria a ser
a nova Pinacoteca. Alguns anos depois, tudo o que vira transformou-se
em realidade pelas mãos de pura genialidade de Paulo Mendes
da Rocha. Ele entendeu muitíssimo bem seu colega de cem anos
atrás. Por isso, e por muito mais, e por toda a sua vida, e
por toda a sua obra, esse Pritzker de fato pertence a ele.” |
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Emanoel Araujo
diretor do Museu Afro-Brasileiro |
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Clube da Orla, Guarujá, SP, 1963 |
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“A premiação
de Paulo Mendes da Rocha poderá contribuir decisivamente para
resgatar a arquitetura no Brasil, hoje dominada por empreendedores
imobiliários desprovidos de qualquer compromisso com a inovação
e as cidades. Sua reflexão sobre materiais e processos industriais
na arquitetura e suas soluções estruturais, sempre relacionadas
com a metrópole, tornaram-se paradigmáticas. A significação
cultural desse reconhecimento é inestimável, pois reafirma
a arquitetura como investigação e criação.
A maior exposição internacional de Paulo ajudará
a abrir portas para outros criadores brasileiros, em diferentes áreas.” |
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Nelson Brissac Peixoto
filósofo |
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