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Baia de Vitória, 1993
   
  “Plantas e cortes extremamente limpos e claros, rigorosamente pensados de modo a resultar em uma arquitetura de grande poder de síntese. Os espaços criados por esses gestos arquitetônicos de Paulo Mendes da Rocha são de extrema pureza e força, raramente vistos em obras de outros arquitetos.”
   
      Tadao Ando
arquiteto
   
  “A lista do Prêmio Pritzker, que agora inclui Paulo Mendes da Rocha, é poderosa: Luis Barragán, Kenzo Tange, Frank Gehry, Tadao Ando, Renzo Piano, Oscar Niemeyer e alguns outros ímpares. Toda lista se define, é verdade, tanto pelos que inclui como pelos que deixa de fora - e de fora desta há um ou dois que poderiam estar dentro, no lugar de um ou dois. Mas é uma lista poderosa, que se traduz, se não em valor objetivo, sem dúvida em valor objetivado: os que nela ntram saem do terreno da opinião pessoal. É o suficiente para justificar uma vida de trabalho e mais duas ou três - porque essa vida entra para a história. E, uma vez descrita em seus componentes, quase nada mais há a dizer: as propriedades dos colegas de lista vazam para o recém-chegado, que as incorpora todas. E também os outros retiram do novato um pedaço. É o banquete da criação. Para poucos.

Diante do fato, a mídia no Brasil se interessa obsessivamente por uma questão: a arquitetura brasileira participará do festim? Se levasse mais em conta o premiado, veria que a pergunta faz pouco sentido: PMR, como ele mesmo já disse, nunca desenhou em nome de uma hipotética arquitetura brasileira (da qual, no entanto, também ele é emblema, visível na foto “oficial” do prêmio, com o arquiteto no meio de uma reforma). PMR não apenas integra um movimento internacional e cosmopolita (para a ira ideológica de alguns) como não é arquiteto oficial ou oficialista do Brasil. Felizmente. Não bastasse isso, a arquitetura feita no Brasil é como o tênis jogado aqui: um ou dois escapam à geléia geral porque se puxam a si mesmos pelos cabelos e, entre um e outro, nada. Os que se premiam não são gênios da raça, são gênios de si mesmos. E não fazem escola - não a curto prazo - porque, como os grandes, são inimitáveis: qualquer cópia deles será mais degradação do que avanço. Em resumo, para que a arquitetura feita no Brasil participasse do banquete falta toda uma política cultural e econômica, da qual não há sinal visível. (Não há para o resto, para a arquitetura tampouco.) Enquanto isso, PMR, como Oscar Niemeyer (do qual ele não deriva), não é a ponta do iceberg: é o iceberg inteiro.”

   
      José Teixeira Coelho
diretor do MAC/USP
       
  Paulo Mendes da Rocha é um espírito transparente - denso e sutil. Sua fala de arquiteto é uma voz com paixão e libido, inteligência e sabedoria. Tem desejo por espaços para o ser humano, que entende como sujeito histórico e indivíduo concreto. Sua arquitetura é fenomenológica. Mais que forma é espaço para a razão e o prazer. Nisso reside o mistério de sua obra. Sua arquitetura tem a elegância da bossa nova e a geometria econômica da poesia de João Cabral. Produz formas discretas porque elegantes, mas nunca inativas. Sua arquitetura forte pousa como uma semente na cidade. É como se sempre tivesse sido necessária ao lugar. Paulo não quer ser o maestro da urbe. É o spalla em diálogo com sua história e o tecido social. Seu projeto para o Museu Nacional de Belas Artes mudaria a face decadente do centro do Rio e conversa com a arquitetura eclética da Cinelândia e moderna da Rua Araújo Porto Alegre (ABI e Ministério da Educação). Na Pinacoteca ou no MNBA seu projeto equivale em harmonia aos novos pavilhões do Metropolitan, Louvre, British e Prado. É que Paulo gosta de arte.
       
      Paulo Herkenhoff
Ex-diretor do Museu Nacional de Belas Artes
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