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“A lista do Prêmio
Pritzker, que agora inclui Paulo Mendes da Rocha, é poderosa:
Luis Barragán, Kenzo Tange, Frank Gehry, Tadao Ando, Renzo
Piano, Oscar Niemeyer e alguns outros ímpares. Toda lista se
define, é verdade, tanto pelos que inclui como pelos que deixa
de fora - e de fora desta há um ou dois que poderiam estar
dentro, no lugar de um ou dois. Mas é uma lista poderosa, que
se traduz, se não em valor objetivo, sem dúvida em valor
objetivado: os que nela ntram saem do terreno da opinião pessoal.
É o suficiente para justificar uma vida de trabalho e mais
duas ou três - porque essa vida entra para a história.
E, uma vez descrita em seus componentes, quase nada mais há
a dizer: as propriedades dos colegas de lista vazam para o recém-chegado,
que as incorpora todas. E também os outros retiram do novato
um pedaço. É o banquete da criação. Para
poucos.
Diante do fato, a mídia no Brasil se interessa obsessivamente
por uma questão: a arquitetura brasileira participará
do festim? Se levasse mais em conta o premiado, veria que a pergunta
faz pouco sentido: PMR, como ele mesmo já disse, nunca desenhou
em nome de uma hipotética arquitetura brasileira (da qual,
no entanto, também ele é emblema, visível na
foto “oficial” do prêmio, com o arquiteto no meio de uma reforma).
PMR não apenas integra um movimento internacional e cosmopolita
(para a ira ideológica de alguns) como não é
arquiteto oficial ou oficialista do Brasil. Felizmente. Não
bastasse isso, a arquitetura feita no Brasil é como o tênis
jogado aqui: um ou dois escapam à geléia geral porque
se puxam a si mesmos pelos cabelos e, entre um e outro, nada. Os
que se premiam não são gênios da raça,
são gênios de si mesmos. E não fazem escola
- não a curto prazo - porque, como os grandes, são
inimitáveis: qualquer cópia deles será mais
degradação do que avanço. Em resumo, para que
a arquitetura feita no Brasil participasse do banquete falta toda
uma política cultural e econômica, da qual não
há sinal visível. (Não há para o resto,
para a arquitetura tampouco.) Enquanto isso, PMR, como Oscar Niemeyer
(do qual ele não deriva), não é a ponta do
iceberg: é o iceberg inteiro.”
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