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Quase um globe-trotter, Aníbal
Coutinho consegue dividir seu tempo profissional em quatro frentes
de atividades: o ensino, o escritório, as associações
da categoria e as pesquisas que desenvolve por motivação
própria. E foi para falar de um desses estudos - relacionado
a um dos temas mais polêmicos e discutidos na área,
a remuneração dos arquitetos - que Coutinho recebeu
PROJETO DESIGN em seu escritório, no Rio de Janeiro. |
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| Aníbal Coutinho trabalha em uma grande casa art déco,
no bairro da Urca. De lá, cercado por uma das mais
completas bibliotecas temáticas da cidade, ele comanda
o escritório Coutinho, Diegues, Cordeiro Arquitetos
- conhecido, nos anos 1980, graças à produção
de centros de compras (como o Nova Cidade, em Vitória,
um dos mais significativos projetos do gênero) e, atualmente,
voltado para grandes projetos institucionais e comerciais,
como o estádio da capital capixaba. Além de
atuar na prancheta, ele leciona na FAU/UFRJ (escola onde se
formou, em 1978) e participa ativamente da vida político-associativa
da profissão (foi, por exemplo, presidente da Asbea/RJ).
Coutinho ainda arruma tempo para realizar pesquisas não
acadêmicas sobre assuntos diversos. Recentemente, os honorários foram foco de sua investigação.
Depois de estudar o tema, levando em conta a realidade de
diversos países, ele chegou a uma conclusão:
“O arquiteto precisa cobrar por aquilo que faz”.
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| Fale um pouco sobre a pesquisa que o senhor
desenvolveu acerca dos honorários dos arquitetos. |
É uma pesquisa não acadêmica,
de fins profissionais. Sempre me incomodou o desaparecimento
da arquitetura no Rio de Janeiro, especialmente nos segmentos
ligados ao mercado imobiliário. Como não atuo
neles, tenho interesse de entender sua dinâmica, saber
por que os escritórios ficam ou não sem projetos
e como se dá a captação de trabalho.
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| Esse é um fato isolado, próprio
do Rio de Janeiro? |
A dificuldade da prática profissional
é mundial, mas existem fatores próprios do
Rio de Janeiro. Tratava-se da capital, os órgãos
públicos estavam todos aqui, mas os arquitetos cariocas
eram contratados para desenvolver projetos em outros lugares.
Tanto que boa parte da produção deles - inclusive
da minha - não está dentro da cidade. Ao contrário
de São Paulo, por exemplo.
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| Então os arquitetos cariocas perderam
mercado? |
Temos perdido gradativamente. Isso fez
com que os escritórios mais velhos fossem sofrendo
uma morte natural, sem ter quem os substituísse.
Na minha geração e abaixo dela existe um vazio
de contratação, de conjunto, porque não
é possível fazer sozinho uma escola ou uma
tendência arquitetônica. A criatividade é
um processo construtivo em que cada um contribui com seu
pedaço.
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| A Espanha é um bom exemplo disso. |
As pessoas dizem que a arquitetura espanhola
é forte, e não pelo fato de ela ter uma imagem
ou tendência únicas. São as próprias
instituições que a fazem crescer. As municipalidades
têm interesse de contar com obras de qualidade e promovem
concursos em que as benesses são distribuídas
regionalmente. No Brasil isso não existe, e, quando
se fala em obra pública, pensa-se em dois ou três
arquitetos.
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| Isso só acontece quando há
o desejo de fazer uma obra pública de visibilidade, não? |
O político quer dar visibilidade
ao seu governo através da obra pública, não
se interessa se ela será concluída ou bem
executada. Só a maquete basta, e isso é vinculado
a alguns nomes, os outros ficam soterrados. Além
disso, a profissão mudou bastante com o avanço
tecnológico. Hoje ela demanda muito tempo, porque
os projetos são complexos e requerem ampla quantidade
de consultorias. Essa é uma tendência internacional,
tanto que os grandes escritórios mundiais de arquitetura
investem em inteligência, em pessoas criativas, enquanto
os projetos executivos passam a ser feitos por outros escritórios,
que só detalham. Mas isso não acontece no
Brasil.
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| Por quê? |
Os escritórios não têm
dimensão para isso. Pensando nessas coisas, comecei
a indagar as razões de nossa profissão não
ter visibilidade. Por que os projetos não são
interessantes, do ponto de vista econômicofinanceiro,
para se manter um escritório? Por que não
se produz uma arquitetura de qualidade? Não é
só uma questão financeira, também estão
envolvidos aspectos de formação. Não
adianta colocar muito dinheiro na mão de um arquiteto
despreparado. E a gente vem desaparelhando há muito
tempo, a competência vem desaparecendo. No Brasil,
os cursos de doutorado e, especialmente, de mestrado são
muito voltados para a academia, e não para a prática.
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| Em São Paulo, jovens talentosos
produzem arquitetura de qualidade, em seus ateliês, para
atender demandas governamentais e institucionais, além
de pequenas obras particulares. Isso não acontece no
Rio de Janeiro? |
Em São Paulo ainda existem esses
dois extremos: os grandes escritórios e os ateliês.
Mas no Rio estamos perdendo isso. Aqui, os grandes não
são tão grandes e os pequenos praticamente
não existem, porque não têm capacidade
econômico-financeira. Em São Paulo há
um mercado, que eu chamo de 1:1, abastecendo os pequenos
escritórios com projetos de casas e de edificações
menores. No Rio, a maior demanda é para interiores.
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| De certa forma, o Estado não mudou
esse mercado com o Rio-Cidade e o Favela-Bairro? |
Sim, mas parou. Surgiram até escritórios
de jovens arquitetos com projetos interessantes, mas é
preciso certa quantidade de trabalhos e de prática
para amadurecer. Esses profissionais não tiveram
como treinar e foram buscar outros meios de sobrevivência.
Sua reposição é muito difícil
porque se formou a idéia de que arquitetura não
dá dinheiro. Se o jovem vem de determinado estrato
social e pretende preservar seu status, vai para o design,
para a publicidade. No
Rio existe um grande mercado ligado à televisão
que o absorve.
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| Mas a remuneração não
é suficiente? |
Não, pois não temos valor
agregado. Precisamos trabalhar com uma faixa de custo ruim
- que não está sob nosso controle -, e o arquiteto
arca com parte dela. Nos Estados Unidos, hoje está
havendo o que chamo de europeização da arquitetura
norte-americana: os europeus são chamados para agregar
valor aos empreendimentos - que lá são muitos.
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| É o mercado norte-americano percebendo
que isso dá dinheiro? |
Exato. Daniel Libeskind é um exemplo:
mesmo não tendo conseguido fazer valer sua proposta
para o World Trade Center, ele está com mais 30 trabalhos
nos Estados Unidos e fora do país. Ele tanto repetiu
que era o melhor arquiteto contemporâno - em palestras,
revistas e livros - que convenceu várias pessoas
e, hoje, agrega valor ao projeto. Mas quem pode fazer isso
no Brasil está com 77 ou 98 anos. Quando Paulo Mendes
da Rocha e Oscar Niemeyer pararem de projetar, não
há quem os substitua. Eles, por competência
própria, ocupam grande espaço no mercado nacional.
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A arquitetura mudou bastante com o avanço tecnológico.
Hoje ela demanda muito tempo, porque os projetos são
complexos e requerem consultorias. Grandes escritórios
mundiais investem em inteligência, e o projeto executivo
é feito por empresas que detalham
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| Falhamos por não ter valor agregado
ou por não mostrá-lo? |
Um pouco de cada. Há uma série
de coisas que tomam um tempo enorme e não estão
no contrato - escolher o terreno, por exemplo -, e o arquiteto
acaba fazendo de graça. Ele não tem que agregar
mais serviço, tem que passar a cobrar pelo que faz.
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| O projeto é mal remunerado? |
O projeto não é mal remunerado;
na verdade, o arquiteto só cobra a metade daquilo
que faz. E quanto mais a tecnologia se desenvolve, quanto
mais conhecimento e trabalho são necessários
para montar uma proposta, mais ele trabalha de graça.
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| Como deve ser a cobrança? Por porcentagem,
por tabela ou por hora? |
O certo seria definir um fixo e acrescentar
o valor horário para atividades extras. Na discussão
do pagamento com o cliente, é preciso mostrar a tabela,
que tem uma carga horária para cada tipo de trabalho.
Enfim, uma matriz com valores que servem de referência
para quem cobra por hora ou por porcentagem. Do jeito que
está, o arquiteto faz a análise, o programa,
as contas de custos, desenha, executa serviços de
acompanhamento de obra e alguma coisa de design e interiores,
sem receber por isso. Teoricamente, está perdendo
50% dos honorários.
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| Então os arquitetos deveriam passar
a cobrar o dobro? |
Não sei se deve ser o dobro, mas
hoje estão cobrando a metade.
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| Parece que os arquitetos não se
preocupam muito com isso. |
A Asbea [Associação Brasileira
dos Escritórios de Arquitetura] ainda tem alguma
preocupação com isso, mas o IAB toca pouco
no assunto. A movimentação aumentou muito
nos últimos anos, mas deveria ser ainda mais forte.
A Asbea fez um manual e estabeleceu o sistema de cobrança.
Só que não adianta apenas a diretoria ter
esse cuidado, é preciso que todo o corpo de associados
esteja envolvido.
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A ética torna-se a primeira questão quando
se discute custo de projeto e remuneração.
Explico aos meus alunos que o comissionamento aumenta o
custo da obra e que o arquiteto está sendo desonesto
com o cliente. Por isso a grande batalha é acabar
com a reserva técnica
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| E por que ninguém toca nesse assunto
na academia? |
Esse não é considerado um
tema acadêmico, mas o fato é que impede a academia
de progredir. Quando a produção é baixa,
a academia não tem sobre o que falar.
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| E existem ainda as negociações,
não? |
A cada 1% de desconto, o lucro diminui
11%; a cada 1% de aumento, o lucro cresce 11%. Os arquitetos
não pensam nisso e acabam fechando mal os preços.
E depois vem o que chamo de síndromedo marceneiro:
a espera para receber o sinal de um a fim de acabar o serviço
de outro, e pegar outro trabalho para conseguir terminar
o que está fazendo. O sistema de comissionamento
também contribuiu para diminuir a remuneração.
Há comissão para tudo, e o arquiteto que está
dentro do projeto chega a receber 30% por essa via.
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| E portanto não vai precisar brigar
pela remuneração. |
Assim, a ética torna-se a primeira
questão quando se discute custo de projeto e remuneração.
Ela tem que ser abordada na faculdade. Fico muito decepcionado
quando discuto esse assunto com meus alunos e eles dizem:
“O dinheiro está lá, por que não recebê-lo?”.
Não adianta, mas eu falo que, segundo as normas do
Crea, o profissional só pode receber de uma fonte
pagadora. Explico que a prática do comissionamento
aumenta o custo da obra e que o arquiteto está sendo
desonesto com o cliente. Mas essas coisas não fazem
muito sentido hoje. Por isso eu entendo que a grande batalha
é acabar com o comissionamento, com a reserva técnica.
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| Quais as conseqüências dessa
prática para a qualidade dos projetos? |
Documentação inadequada,
insuficiente e aumento nos custos totais. Um projeto ruim
atrasa a obra e dá diferença nos honorários.
O arquiteto tem que mostrar ao cliente que se ele pagar
pouco o risco aumenta; eu acho que essa é uma das
funções da Asbea.
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| A complexidade dos projetos não
é criada pelos próprios arquitetos? |
Os programas de computador facilitam, as
faculdades e as publicações estimulam.Essa
complexidade afeta arquitetos de todas as idades e regiões.
Antes do computador, o máximo que Peter Eisenman
se permitia era fazer um desvio de grelhas, mas agora ele
trabalha com uma complexidade infinita. Há 14 anos,
o máximo de sofisticação para Frank
Gehry era o peixe de Barcelona, que é simples de
detalhar. Agora seus projetos são tão complexos
que ele criou uma empresa, a Gehry Technology, mais rentável
que o próprio escritório do arquiteto. E o
último projeto de [Norman] Foster em Moscou? É
um prédio com mais de cem andares e nenhum pavimento
é igual ao outro.
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| A velocidade das respostas também
potencializa isso. |
Certamente. Hoje existem fax, e-mail, celular,
processador de texto etc., o que nos faz perder de duas
a três horas por dia dando respostas, tempo que antes
era dedicado ao projeto. Há uma exigência de
respostas imediatas. Os e-mails, por exemplo, são
cada vez maiores. E tudo isso são documentos contratuais:
temos que ler. Passamos a usar sites de transferência
de projeto, do tipo RTPs: todos os desenhos - de arquitetura,
estrutura, complementares - ficam à disposição
de quem está participando do trabalho. Quando alguém
coloca uma versão nova do desenho, esse processo
gera um e-mail e é repassado para todos os participantes.
Isso é uma loucura! E eu já fiz uma projeção:
a tendência é chegarmos no ano que vem a mil
e-mails por dia. Quando isso acontecer, precisaremos de
uma ou duas pessoas só para responder e distribuir
essas mensagens.
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| Outro fator relevante, nesse aspecto,
seriam as diferenças de financiamento dos projetos, que
hoje envolvem mais os arquitetos? |
Sim, o sistema de captação
de recursos mudou: não existe mais aquele incorporador
que se sentava com o arquiteto e idealizava o projeto, depois
ia ao banco e fazia o financiamento. Hoje, muitas vezes
nós nem conhecemos os donos, que são grupos
de empresas, de bancos, fundos internacionais. O cliente
tem perfil mais de investidor, ele não se emociona
com a arquitetura, quer ver o resultado. Aí entra
a figura do gerenciador, que faz a intermediação
entre os proprietários e o arquiteto.
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| Como eles trabalham? |
Há três tipos. O primeiro
é chamado owner representant, um simples representante
do proprietário, sempre muito duro. O que mais existe
é o coordenador bumerangue: ele participa das reuniãos,
pega os projetos das diferentes equipes, faz uma ata, depois
repassa tudo para o arquiteto. O terceiro, que é
o mais drástico, é aquele que vende para os
clientes uma análise do projeto com o objetivo de
aumentar a rentabilidade. Ele participa dos resultados obtidos,
por isso fica o tempo todo tentando mudar as especificações.
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| Ele ganha uma porcentagem disso? |
Se baixar o custo em um milhão de
reais, por exemplo, ganha 25%. O arquiteto fica batalhando
contra isso: quando vence, a única coisa que ganha
é a manutenção da especificação;
e quando é derrotado, é gerada uma alteraçã
o de projeto, e, no final, o arquiteto acaba recebendo por
isso.
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| E tudo regulado pelo contrato. |
Sim, e ele precisa ter: o escopo do serviço,
o tempo de execução e a remuneração,
o preço e as condições de pagamento.
Ele é o elemento que vai regular e manter os honorários.
Na maior parte dos casos, os profissionais cobram um preço
razoável no início. No entanto, com todos
os extras que normalmente fazem, no final eles perdem dinheiro.
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| Por quê? |
Porque essas perdas são percentuais.
Então o contrato tem que regularizar exatamente os
seus elementos constituidores. Ou seja, há muita
coisa que não faz parte do preço, mas tem
que estar inclusa no contrato - estudos de viabilidade,
visitas, reuniões etc. Há perda de dinheiro
nas paralisações, quando as fases são
suspensas e a equipe está toda alocada. Então
precisa constar o direito de, terminada uma etapa, o arquiteto
receber. Também se perde muito dinheiro na fixação
do chamado i0, ou seja, o momento em que começa o
projeto. Esse elemento determina todas as correções
anuais de preço, e o certo é ele ser estabelecido
no dia em que o orçamento foi dado. Se o cliente
é hábil, ele coloca o i0 o mais tarde possível,
e assim o projeto pode até ser concluído sem
nenhuma correção nos valores.
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| E quanto às modificações? |
Nesse caso, é importante criar marcos.
Por exemplo, estabelecer que só são aceitas
modificações até dois terços
do trabalho realizado; passada essa fase, é feita
cobrança utilizando valores de hora técnica.
Mas é preciso esclarecer que visitas ao terreno e
ao canteiro e reuniões de obra estão fora
do preço de projeto. Em 100% dos casos, não
há como ganhar dinheiro se estiverem inclusos.
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| Como lidar com atrasos de pagamento? |
A ocorrência deles deve estar prevista,
como as cobranças. Hoje há a necessidade de
formalizar todos os documentos, e ninguém gosta de
assinar. Mas é importante ter um ambiente contratual
formado. Basta definir o seguinte: se eu mandar um documento
para o cliente, ele assinar um protocolo e depois fizer
um pagamento referente àquele documento, o ambiente
contratual estará formado. Do contrário, os
contratos vão para o departamento jurídico
e nunca voltam.
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| O senhor disponibilizou um contrato padrão
para os associados da Asbea, não? |
Sim, é o que usamos no escritório.
É uma carta que encaminha uma proposta com o escopo
do serviço de maneira muito simplificada, os honorários
e a forma de pagamento, com parcelamento. No final, só
o recebido, que qualquer pessoa da empresa assina. Depois,
um anexo com todos os elementos para evitar perdas pontuais:
reuniões, forma de reajuste, das fases, dos intervalos
etc. E, por fim, como estabelecer os marcos. E fiz um formulário
com uma série de itens: a data do documento, o nome
do contratante, o i0 e o objeto do contrato. Muito simples,
mas com tudo o que é necessário.
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| Os associados da Asbea estão utilizando
esse modelo? |
Acho que ninguém usa: cada um tem
a sua lógica.
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| E o senhor tem conseguido fazer isso? |
Temos conseguido muito bem. O serviço
básico representa 50%, e aí vem a perversidade.
As grandes firmas estão levando vantagem com a mudança
na prestação de serviços. Elas são
mais organizadas e perdem menos dinheiro, porque oficializam
tudo. Os pequenos também podem e devem fazer isso.
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Do jeito que está, os arquitetos fazem a análise,
o programa, as contas de custos, desenham, executam serviços
de acompanhamento de obra sem receber por isso. Teoricamente,
estão perdendo 50% dos honorários, cobrando
apenas metade
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| O arquiteto de ateliê acha que nada
disso tem a ver com ele? |
Ele vai continuar tendo 30% do mercado
e ganhando dinheiro. A relação dele com o
cliente é 1:1. E aquele mais organizado, que oferece
mais serviços, está numa posição
melhor para pegar os bons projetos. O grande problema, analisando
as estatísticas de vários institutos de arquitetos,
são os escritórios de porte intermediário.
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| E qual é a previsão para
o mercado da arquitetura? |
É similar ao que aconteceu com nosso
mercado publicitário. Existem 4 mil agências
funcionando razoavelmente, mas as dez maiores concentram
28% do faturamento. É o exemplo claro da corrida
dos extremos, um paralelo que vale para o mercado da arquitetura.
Quem quiser trabalhar em projetos maiores precisará
de um escritório maior, mais bem estruturado, e isso
demora muitos anos.
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Por Fernando Serapião
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 318 Agosto de 2006 |
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