| Qual é o conceito de membrana semiótica? |
Membrana semiótica, como conceito matricial para arquitetura, se traduz como a mudança de abordagem tanto na concepção como na construção arquitetônica. Dessa forma, as ações naturais, que constituem o meio ambiente e das quais o ser humano se “protege”, passam a ser compreendidas numa relação interpretativa e adaptativa - realizada por essa cobertura ou “pele”, capaz não apenas de proteger, mas principalmente de utilizar essas forças como energia para melhor aproveitamento, tanto para o conforto da vida humana como para o equilíbrio do meio ambiente. Isso está no cerne da idéia de sustentabilidade, na qual os fatores humanos e ambientais têm igual peso no gerenciamento dos recursos naturais. O conceito de arquitetura como membrana interpretativa refere-se a analisar as condicionantes da edificação a partir de uma base de dados, que armazena informações para permitir a troca com o exterior, o diálogo, mudar a forma, abrir quando há vento, fechar quando vem a chuva, similar a uma membrana celular, uma superfície que medeia ambiente natural e urbano com a habitação humana.
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| Trata-se da arquitetura integrada a outras áreas de estudos? |
Nosso núcleo integrará a forma de interpretar esses dados. Precisamos, por exemplo, das geociências e das ciências climáticas. São assuntos que estão sendo pouco elaborados no corpo da arquitetura contemporânea. Precisamos de uma engenharia inventiva, dos recursos das ciências dos materiais, das nanociências, da botânica e da ecologia para interpretar o ambiente. Não vamos reinventar a geologia ou criar um grupo de geólogos, mas utilizar as ferramentas e informações dessas áreas para elaborar o projeto de arquitetura.
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| Há projetos com esse conceito? |
Estamos desenvolvendo o projeto de uma residência unifamiliar que aproxima a mecatrônica e a arquitetura para permitir que o espaço se modifique ao longo do dia, em resposta às alterações ambientais e de uso. Ela vai alterar a forma para interpretar os dados ambientais, por meio de um sistema de inteligência artificial, pela transposição desses dados para áreas de comando. Há também outros projetos como o Labcog - um laboratório de realidade virtual, no Rio de Janeiro -, além do Caba.
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| O que é Labcog? |
É um laboratório que está sendo construído no Rio de Janeiro, para abrigar um centro de realidade virtual. Ele é ligado ao Coppe, o instituto de pós-graduação e pesquisa em engenharia da UFRJ. A maioria dos pesquisadores do Coppe trabalha com projetos coligados à Petrobrás, que é a grande incentivadora. Parte dos recursos para a construção do Labcog veio dessa estatal, da Finep [Financiadora de Estudos e Projetos, do governo federal] e da UFRJ. Esse laboratório vai receber um computador considerado um dos cem maiores do mundo. Ele será instalado para processar os dados colhidos na Amazônia, onde há um robô com sensores que captam informações e transmitem para um determinado espaço, que é o centro de realidade virtual.
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| Como é o processo de imersão? |
Equipamentos para realidade virtual, como luvas e óculos, permitem manipular imagens e processar informações em tempo real, enviadas pelo robô ou por satélite, tudo com objetivo de pesquisa do Coppe, que desenvolve trabalhos ligados à análise de sistemas, solo etc.
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| De que maneira o mercado interpreta conceitos tão inovadores? |
Estamos fazendo um esforço desmedido para integrar esses conceitos ao mercado, porque esse tipo de trabalho supera em dez vezes o tempo de um projeto convencional - de quatro meses para dois ou três anos. E isso gera um impacto nem sempre assimilável, mas tentamos quebrar paradigmas. Precisamos de clientes corajosos para absorver esses novos conceitos.
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| É possível transpor esse tipo de arquitetura para uma metrópole como São Paulo? |
Claro que sim. Mas não sem um grande esforço de pesquisa e desenvolvimento e, principalmente, uma revolução nas bases político-ideológicas e, conseqüentemente, econômicas que norteiam a arquitetura e a urbanização de uma cidade. Isso sem esquecer que os avanços tecnológicos devem alcançar dimensões coletivas. Ou seja, é preciso que sejam concebidos para servir o coletivo, e não em benefício individual ou de minorias privilegiadas.
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