Ronaldo Rezende
O presidente da AsBea detalha como funciona o convênio celebrado com o governo federal para exportar projetos de arquitetos brasileiros
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- 18 de Outubro de 2010. Visitas: 3.142
Exportar projetos de arquitetura: esse é o objetivo de um convênio celebrado entre a Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (Asbea) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). Ronaldo Rezende, presidente da Asbea, detalhou nesta entrevista como funciona o projeto, que inclui “uma montagem financeira complexa”, com recursos das duas entidades.
Como surgiu a ideia de internacionalização da arquitetura brasileira?
Ronaldo Rezende Nós fizemos uma assembleia da Asbea há três anos, em Buenos Aires, e um dos nossos objetivos era avaliar a situação da arquitetura argentina e interagir com os profissionais locais. E nos surpreendeu o fato de grande parte dos arquitetos argentinos que apresentaram palestras em nossa assembleia exportarem arquitetura, com projetos no Panamá, em Porto Rico, Venezuela, Estados Unidos. Por que eles exportam e nós não?, eu me indaguei. Na ocasião, conversei a respeito disso com Luiz Eduardo Índio da Costa, e passados uns oito meses ele me ligou e disse que havia recebido em seu escritório o pessoal da Apex, que queria fazer um programa de exportação de arquitetura. Ele recomendou que me procurassem. A Apex, quando quer criar um programa de exportação em determinado setor, escolhe uma entidade que considere representativa. E, após, um ano de conversas, conseguimos formatar o programa.
Qual a estrutura do programa?
RR Contratamos três profissionais do setor para cuidar do programa: um da área de gestão, que é Carina Carvalho; um de inteligência comercial e mercado externo, que é Elisenda Piñol; e um da área financeira, pois o programa vai passar pelo exame do Tribunal de Contas da União.
Quando foi assinado o convênio com a Apex?
RR Em maio de 2009. Mas o contato inicial foi estabelecido no início de 2008. É uma montagem financeira complexa: para cada real investido pela Apex precisa haver igual contrapartida da entidade. E não são somas pequenas, não é dinheiro a fundo perdido. Esse valor está sendo investido para que haja retorno nas exportações de projetos de arquitetura. Países como Inglaterra, Itália e Portugal estão muito adiantados em programas de exportação. E nós não tínhamos nada.
Mas não é um contrassenso investir em um programa de exportação justamente quando o Brasil se torna alvo para os profissionais estrangeiros?
RR Nesse sentido, creio que o programa veio em boa hora, porque vamos ser atacados e não temos nenhuma ferramenta de contra-ataque. Também por isso, estrategicamente, o projeto vai ser bom para a arquitetura brasileira. A questão que levantei foi: por que nós não exportamos? Será que é um problema de autoconfiança? Também havia a preocupação de criar novos mercados. Muitas das empresas associadas à Asbea trabalham para o setor imobiliário, que, na verdade, é o grande mercado para a arquitetura no Brasil, e ele possui altos e baixos. Para uma expansão, a única forma era buscar outros mercados, e, nesse caso, só indo para fora do país. Essa é uma questão estratégica importante, que pode nos dar uma opção em épocas de baixa e é necessária para a continuidade da profissão. Hoje o mundo está globalizado, e se não entrarmos nele vamos receber visitas de escritórios do exterior. Precisamos de uma salvaguarda, uma defesa. Não temos como proibir que os estrangeiros trabalhem aqui.
Carina Carvalho Sabemos que o arquiteto brasileiro, nesse processo, acaba sendo um aprovador de projetos junto às prefeituras. E a internacionalização pretende tratar a imagem do escritório de arquitetura, através desse programa, como um parceiro à altura, com capacidade técnica, com um corpo de profissionais apto a sentar à mesa e discutir.
RR Vou dar um exemplo prático. Fomos à Colômbia para prospectar o mercado para os brasileiros. E surgiram interessados querendo investir no Brasil. Propus então que falassem conosco. Se não tivéssemos ido até lá, provavelmente os investidores viriam para cá com um arquiteto colombiano. Se mostrarmos que a arquitetura brasileira é tão boa ou melhor que qualquer outra, o investidor vai contratar o arquiteto brasileiro, que não só tem tecnologia e capacidade, mas também sabe como aprovar o projeto.
Carina Carvalho Sabemos que o arquiteto brasileiro, nesse processo, acaba sendo um aprovador de projetos junto às prefeituras. E a internacionalização pretende tratar a imagem do escritório de arquitetura, através desse programa, como um parceiro à altura, com capacidade técnica, com um corpo de profissionais apto a sentar à mesa e discutir.
RR Vou dar um exemplo prático. Fomos à Colômbia para prospectar o mercado para os brasileiros. E surgiram interessados querendo investir no Brasil. Propus então que falassem conosco. Se não tivéssemos ido até lá, provavelmente os investidores viriam para cá com um arquiteto colombiano. Se mostrarmos que a arquitetura brasileira é tão boa ou melhor que qualquer outra, o investidor vai contratar o arquiteto brasileiro, que não só tem tecnologia e capacidade, mas também sabe como aprovar o projeto.
O senhor mencionou os investimentos da Apex e da Asbea. Quais os valores?
RR Temos um projeto aprovado, com determinado valor.
E isso não pode ser divulgado?
RR Não sei se a Apex tem alguma restrição, mas divulgar um número não produz nada positivo. Pode criar uma fantasia.
CC A Apex resolve, por exemplo, apoiar um evento de arquitetura em uma feira em Dubai. Ela destina verba para criar um estande e a contrapartida da Asbea é levar os arquitetos. Cada escritório paga as suas despesas e a Apex entende isso como o investimento da entidade e de seus associados.
RR Essa contrapartida também serve para a capacitação das empresas. A criação de sites em inglês e a confecção de folders são contabilizadas como contrapartida, como capacitação para os escritórios competirem por mercado fora do país.
CC A Apex resolve, por exemplo, apoiar um evento de arquitetura em uma feira em Dubai. Ela destina verba para criar um estande e a contrapartida da Asbea é levar os arquitetos. Cada escritório paga as suas despesas e a Apex entende isso como o investimento da entidade e de seus associados.
RR Essa contrapartida também serve para a capacitação das empresas. A criação de sites em inglês e a confecção de folders são contabilizadas como contrapartida, como capacitação para os escritórios competirem por mercado fora do país.
Como a Asbea participa da capacitação?
RR O papel da Asbea é fomentá-la e estimular o interesse dos arquitetos em exportar. Já temos 115 escritórios cadastrados no projeto. Estou incentivando nossas empresas a utilizarem o BIM [Building Information Modeling], que fora do país é uma ferramenta muito usada.
CC Há outros exemplos práticos. Alguns escritórios têm departamento financeiro- administrativo e outros não. Então, fechamos uma parceria com o Banco do Brasil, via projeto da Apex, para dar um curso sobre exportação de serviços. Um consultor do banco ficou o dia inteiro com os participantes e abordou diversos aspectos. Utilizamos o showroom de uma empresa associada e tivemos a participação de uns dez escritórios. Agora, vamos oferecer esse curso nas regionais.
RR Temos também sugerido que as
empresas se associem ou façam consórcios
de cinco ou seis escritórios para fortalecer
a competitividade.
CC Há outros exemplos práticos. Alguns escritórios têm departamento financeiro- administrativo e outros não. Então, fechamos uma parceria com o Banco do Brasil, via projeto da Apex, para dar um curso sobre exportação de serviços. Um consultor do banco ficou o dia inteiro com os participantes e abordou diversos aspectos. Utilizamos o showroom de uma empresa associada e tivemos a participação de uns dez escritórios. Agora, vamos oferecer esse curso nas regionais.
RR Temos também sugerido que as
empresas se associem ou façam consórcios
de cinco ou seis escritórios para fortalecer
a competitividade.
Muitas associadas da Asbea trabalham para o setor imobiliário, o grande mercado para a arquitetura no Brasil, com seus altos e baixos. Para uma expansão, a única forma era buscar outros mercados, saindo do país.
O programa é só para os associados?
RR Inicialmente, sim. Mas já estamos abrindo.
CC Estamos entrando em uma segunda fase. Começamos efetivamente a trabalhar no projeto, por questões internas de reestruturação da entidade, em novembro de 2009. Contratamos um consultor, com verba da Apex, e nos reunimos durante cinco meses com os escritórios de arquitetura, para traçar um planejamento estratégico para os próximos cinco anos. A ideia era construir a imagem da arquitetura brasileira no exterior, desvinculando-a um pouco de Oscar Niemeyer, Paulo Mendes da Rocha e outros conhecidos no exterior. Depois, a questão era como internacionalizar o setor como um todo. Construímos, junto com outra consultoria, uma marca, que pretende responder a essa questão.
CC Estamos entrando em uma segunda fase. Começamos efetivamente a trabalhar no projeto, por questões internas de reestruturação da entidade, em novembro de 2009. Contratamos um consultor, com verba da Apex, e nos reunimos durante cinco meses com os escritórios de arquitetura, para traçar um planejamento estratégico para os próximos cinco anos. A ideia era construir a imagem da arquitetura brasileira no exterior, desvinculando-a um pouco de Oscar Niemeyer, Paulo Mendes da Rocha e outros conhecidos no exterior. Depois, a questão era como internacionalizar o setor como um todo. Construímos, junto com outra consultoria, uma marca, que pretende responder a essa questão.
Essa marca tem um nome?
CC Tem, mas seu lançamento está marcado para 31 de agosto [até outubro de 2010, o nome da marca ainda não havia sido divulgado]. Não divulgamos o nome por questões de registro.
RR Fizemos um trabalho de branding e um filme também.
RR Fizemos um trabalho de branding e um filme também.
Vocês identificam alguns mercados como alvos?
CC O CRM [gerenciamento de relações com clientes] da Apex já tinha feito uma pesquisa junto aos bancos de dados mundiais para saber onde a construção civil tinha um panorama de crescimento, avaliando índices como a venda de cimento e indicadores financeiros. E adequou isso ao perfil brasileiro. Países de língua portuguesa, por exemplo, tinham um diferencial. Inicialmente, a pesquisa revelou cerca de 20 países. Fizemos uma reunião em dezembro passado - Apex, Asbea e escritórios de arquitetura - e chegamos em oito mercados para trabalharmos nos próximos dois anos: Panamá, Colômbia, Peru, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Índia, Angola e Moçambique. Nada impede que alguns entrem e outros saiam dessa lista, pois estamos sujeitos a fatores econômicos.
Fomos à Colômbia para prospectar o mercado para os brasileiros. E surgiram interessados querendo investir no Brasil. Se não tivéssemos ido até lá, provavelmente os investidores viriam para cá com um arquiteto colombiano.
Vamos pegar um exemplo, a Colômbia. Tendo o país como alvo, vocês buscam fazer ações lá, é isso?
CC Primeiro, Elisenda faz uma pesquisa de mercado a partir do Brasil. Ela contata a embaixada e os órgãos ligados à arquitetura de mercado e realiza um estudo; este gera um documento, que leva mais ou menos 60 dias para ser produzido. Ela levantou, por exemplo, oportunidades em projetos de hospitais e shopping centers na Colômbia. Então, temos que ir até o mercado para validar as informações e entra a missão comercial. Ronaldo já fez essa parte, uma missão prospectiva. E a embaixada ajuda. Depois, com base no retorno dessa missão, informamos os escritórios, primeiro por e-mail e depois através de uma apresentação. Identificamos as reais chances de entrar naquele mercado e, no terceiro momento, montamos uma missão empresarial: divulgamos para as empresas a possibilidade de participar de uma missão na Colômbia, que, nesse caso, será na mesma época da Bienal Ibero-Americana.
RR Achávamos que no Panamá tínhamos alguma chance no mercado imobiliário. Mas percebemos que o setor foi arrastado junto com a bolha norte-americana. Há outros setores, e, assim, conseguimos validar o que tínhamos pesquisado em alguns mercados e em outros não.
RR Achávamos que no Panamá tínhamos alguma chance no mercado imobiliário. Mas percebemos que o setor foi arrastado junto com a bolha norte-americana. Há outros setores, e, assim, conseguimos validar o que tínhamos pesquisado em alguns mercados e em outros não.
Depois que a missão comercial for ao país, a Asbea continuará a dar suporte para o arquiteto?
CC Um dos objetivos do projeto é formar uma central de serviços dentro da Asbea. Não adianta colocar os escritórios diante de uma oportunidade e depois não dar retaguarda. E a Apex nos auxilia nisso.
Pagando todos os impostos, é quase inviável para um escritório estrangeiro atuar no Brasil remetendo os lucros para fora. Na via contrária, o imposto é muito alto?
RR Eu não participei do curso do Banco do Brasil, vou fazer no Rio Grande do Sul.
Certamente há diferenças entre os países.
CC Sim, e há questões contratuais também. Um escritório associado da Asbea levou seis meses para receber um pagamento do exterior.
Há também a burocracia.
RR A Apex nos ajuda muito, pois fomenta a capacitação de serviços e produtos para exportação.
CC Nosso projeto não é o único do gênero na Apex. Existe um da Abedesign [associação brasileira de empresas de design] e outro de software.
CC Nosso projeto não é o único do gênero na Apex. Existe um da Abedesign [associação brasileira de empresas de design] e outro de software.
Como vai ocorrer a missão comercial na Colômbia?
RR Na bienal, que será em Medellín, vamos somente manter presença. Mas teremos uma ação comercial em Bogotá, onde os negócios são fechados.
Que tipo de ação?
RR Alugaremos uma sala em um hotel e convidaremos os participantes. O programa vai pagar a sala, o tradutor etc., e cada arquiteto paga a sua despesa. Se identificarmos um mercado para hospitais, por exemplo, serão realizadas reuniões com possíveis interessados em contratar esses serviços e especialistas brasileiros em projetos do gênero.
Como funciona a ordem de prospecção entre os países alvos?
CC Temos como parâmetro os calendários mundiais de eventos. No caso da Colômbia, o que motivou a ação foi a bienal. Temos um evento de mercado imobiliário na Índia em setembro e já entramos em contato com os organizadores. Existe a possibilidade de encaixarmos uma palestra sobre arquitetura brasileira, levando um ou dois representantes. Não dará tempo de fazer a pesquisa de mercado antes, mas depois pretendemos fazer uma viagem prospectiva com um grupo maior. O Cityscape, em Abu Dhabi, que ocorre em março, também é nosso objetivo para o ano que vem.
Essa marca que vocês estão criando é da Asbea?
CC É uma marca do setor, não é da Apex, nem da Asbea. A Apex acredita que a imagem do país é construída através da imagem dos setores. Então a ideia é ter uma marca que represente a arquitetura brasileira, que, em um segundo momento, pode agregar a engenharia, construtores e fabricantes de materiais. A marca é um guarda-chuva para todo o setor. A exportação é a meta final do projeto, mas não o seu único objetivo: queremos construir uma imagem para a arquitetura brasileira.
Por que desvincular a imagem da arquitetura brasileira dos arquitetos que têm mais prestígio no exterior?
CC Qual é a imagem da arquitetura brasileira?
Temos dois prêmios Pritzker.
RR Mas qual é a imagem?
Talvez uma arquitetura com ênfase na estrutura, com apelo monumental...
CC Será que é essa a arquitetura que o mercado externo quer comprar? Não é só uma questão de imagem ou marca: é uma questão de posicionamento.
E o que colocar no lugar?
CC Não se trata de colocar algo no lugar, mas sim um novo posicionamento de como queremos ser vistos lá fora.
E como queremos ser vistos?
RR Isso você vai saber quando apresentarmos oficialmente o programa.
CC Estamos falando da estratégia de posicionamento do setor, que não foi construída pela Asbea, pela Apex ou pelos associados, mas por todos juntos. Os escritórios de São Paulo, do Rio Grande do Sul e do Paraná participaram durante quatro meses de reuniões semanais e fizemos um trabalho segundo a metodologia de branding: quais são os nossos diferenciais? Como queremos ser vistos? Nossa arquitetura é uma arquitetura de negócio ou de conceito?
CC Estamos falando da estratégia de posicionamento do setor, que não foi construída pela Asbea, pela Apex ou pelos associados, mas por todos juntos. Os escritórios de São Paulo, do Rio Grande do Sul e do Paraná participaram durante quatro meses de reuniões semanais e fizemos um trabalho segundo a metodologia de branding: quais são os nossos diferenciais? Como queremos ser vistos? Nossa arquitetura é uma arquitetura de negócio ou de conceito?
Que respostas apareceram?
CC Percebemos que nossa arquitetura é agregadora, respeita o entorno e o usuário. Não se trata de uma solução que está pronta: ela se propõe a sentar com o cliente, escutar a demanda e encontrar soluções que vão integrar o usuário no projeto.
RR Não é apenas uma arquitetura monumental. É uma arquitetura de pessoas para pessoas. Vemos, em outros países, uma arquitetura monumental e que não interage com o ocupante daquele espaço. Observamos isso em Dubai, por exemplo. Uma arquitetura do espetáculo. Veja aqueles prédios contorcidos: como fica a orientação solar?
RR Não é apenas uma arquitetura monumental. É uma arquitetura de pessoas para pessoas. Vemos, em outros países, uma arquitetura monumental e que não interage com o ocupante daquele espaço. Observamos isso em Dubai, por exemplo. Uma arquitetura do espetáculo. Veja aqueles prédios contorcidos: como fica a orientação solar?
Mas existem arquitetos brasileiros fazendo projetos de prédios retorcidos, como nesse catálogo de Edo Rocha que está aqui em cima da mesa.
RR Mas esse prédio é pouco contorcido. Eu vi um no Panamá que dava a volta total.
CC Sabemos que o arquiteto brasileiro trabalha com escassez de verba. Então, como atender à demanda do cliente sem descaracterizar o projeto? Sabemos lidar bem com isso.
CC Sabemos que o arquiteto brasileiro trabalha com escassez de verba. Então, como atender à demanda do cliente sem descaracterizar o projeto? Sabemos lidar bem com isso.
Com o real valorizado frente ao dólar e ao euro, os honorários brasileiros são competitivos?
RR Sem dúvida. Esse não é o problema. O problema é: para nos capacitarmos para concorrer com os arquitetos estrangeiros precisamos de tecnologia, e ela é muito cara.
Os arquitetos chineses estão há mais de 15 anos se capacitando para competir no exterior. A partir do momento em que começarem a exportar serviços de arquitetura, vão dominar o mercado com honorários baixos.
RR A China é um problema para o mundo inteiro, não só para o Brasil.
CC Aí entra a questão do posicionamento: o cliente quer comprar uma arquitetura de negócios, como a chinesa ou a americana, ou uma arquitetura de conceito, como a britânica? Ou vai querer comprar a arquitetura agregadora brasileira?
CC Aí entra a questão do posicionamento: o cliente quer comprar uma arquitetura de negócios, como a chinesa ou a americana, ou uma arquitetura de conceito, como a britânica? Ou vai querer comprar a arquitetura agregadora brasileira?
Quando vocês falaram da arquitetura britânica ou americana, algumas imagens vieram à minha cabeça. Mas em relação à arquitetura brasileira ainda não consegui imaginar nada.
CC Os hospitais de Lelé [arquiteto João Filgueiras Lima] são um dos maiores exemplos de arquitetura agregadora.
Mas Lelé é associado da Asbea ou está no programa?
CC Não, mas vai ser nosso convidado de honra.
Há algum posicionamento do programa quanto aos concursos internacionais?
RR Sim, temos verbas já posicionadas para que os brasileiros participem mais de concursos internacionais. E alguns casos são simbólicos: o Ma Yansong, por exemplo. Antes dele, a arquitetura chinesa não era nada.
Temos verbas já posicionadas para que os brasileiros participem mais de concursos internacionais. Estamos distribuindo informações para os associados, e vamos ajudar nas inscrições. Os concursos promovem a arquitetura do país.
Ainda não é.
RR Sim, mas todos conhecem o projeto dele. O concurso tem um viés de promover a arquitetura de um país.
CC A estratégia de posicionamento da arquitetura de Portugal foi através dos concursos.
CC A estratégia de posicionamento da arquitetura de Portugal foi através dos concursos.
Como vai funcionar?
RR Estamos pesquisando os concursos internacionais e distribuindo informações para os associados. Vamos ajudar nas inscrições, por exemplo.
CC Estamos fazendo esta ação para o World Architecture Festival, por exemplo. Estamos oferecendo 50% do valor da inscrição para os interessados em participar.
CC Estamos fazendo esta ação para o World Architecture Festival, por exemplo. Estamos oferecendo 50% do valor da inscrição para os interessados em participar.
Por Fernando Serapião
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 366 Agosto de 2010
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 366 Agosto de 2010
A Asbea assinou um convênio com a Apex (agência do governo federal para fomento às exportações) para criar um programa que estimule e facilite a exportação de projetos de arquitetura por parte dos escritórios brasileiros. Nesta entrevista, concedida na sede da Asbea, Ronaldo Rezende, presidente da associação, revelou como funciona esse projeto de internacionalização da arquitetura nacional. Sem mencionar valores, Rezende explicou, por exemplo, que para cada real investido pelo poder público é necessário outro real de contrapartida.
O programa, que será lançado oficialmente no fim de agosto, procura criar uma marca para a arquitetura brasileira e escolheu oito países alvos para iniciar o trabalho. “Essa é uma questão estratégica importante, que pode nos dar uma opção em épocas de baixa. Hoje o mundo está globalizado, e se não entrarmos nele vamos receber visitas de escritórios do exterior”, observa Rezende. Carina Carvalho, gestora do projeto, também participou da entrevista.


