Centro de Lazer e Cultura em Santos

VENCEDORES DO OPERA PRIMA 2008

Centro de Lazer e Cultura em Santos
A autora propõe, através de volume pavilhonar, transformar as condições de permanência e permeabilidade no contexto litorâneo, à beira-mar. Tanto o programa - centro de lazer e cultura - quanto a forma da implantação - linear e voltada ao interior do lote - fazem a mediação entre públicos de naturezas distintas, como moradores, banhistas, pedestres e visitantes.

O passeio é longo, representado pelos cerca de cem metros de extensão do lote, e pautado pela linguagem irreverente aplicada à volumetria. Interessante notar a contraposição entre a fachada frontal, regular e simétrica, e os rasgos diagonais da face lateral, que fazem menção ao arranjo espacial dos elementos metálicos de sustentação do edifício.

Tais aberturas não só qualificam o térreo, a cota de permeabilidade imediata por manter livre a ligação entre a beira-mar e a avenida comercial, como fazem referência ao sistema de circulação dos interiores. É através de rampas, conectadas em meios níveis, que a autora pretende setorizar o variado programa. Dessa forma, portanto, através da criação de recuos internos, regiões de pé-direito pleno, de fluxo contínuo, dissipa-se potencialmente a percepção monótona do volume regular. A lógica é mantida nos meios níveis do subsolo, implantados junto a aberturas de piso realizadas ao longo do térreo, onde estão os setores dedicados à alimentação.

Em síntese, percebe-se a relação equilibrada entre áreas livres e edificadas, entre vedações cegas - enfatizadas externamente pela tonalidade escura do material - e usos de maior ou menor permanência. Trata-se de uma forma coerente de implantação em meio à barreira de edificações junto à linha da praia.



Autora - Maria Fernanda Ribeiro Ornelas
Orientador - Lucas Fehr
Escola - Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo
Parecer do júri
Implantado em terreno relativamente estreito e extremamente alongado na orla marítima de Santos, o projeto resolve um amplo programa através de estrutura metálica de grandes vãos e circulações em rampa. Sua presença na orla quebra a mesmice e a monotonia dos edifícios de moradia e serviços que ocupam a frente para o mar, além de atender à demanda da região adensada. O júri entende ser esta uma solução conveniente e compatível com a paisagem local, e considera que poderia ser interessante a ligação direta entre o edifício e o jardim da orla.