A escolha do local e o desenho da implantação foram apontados pelo júri como qualificadores do projeto, tendo em vista sua inserção em área adensada do centro de Porto Alegre. O autor define os limites e as interseções dos domínios públicos e privados através da setorização, do partido, do planejamento de níveis e da cuidadosa combinação de empenas cegas com superfícies envidraçadas, além de outras semitransparentes.
O terreno de esquina, com três faces livres, foi setorizado em faixas paralelas seqüenciais, que se estendem no sentido longitudinal. Nas duas extremidades, frontal e posterior, o programa foi desmembrado em duas edificações retangulares, que têm dois e cinco pavimentos.
Nos fundos, o edifício de maior altura serve de anteparo à desordenada paisagem construída do entorno, ao mesmo tempo em que abriga as áreas administrativas, de apoio e de exposições temporárias. Perto da divisa, essa edificação possui longa empena cega, de concreto armado, junto à qual, nos interiores, rasgos irregulares nas lajes de piso comunicam os diversos andares entre si. A fachada voltada para o centro do terreno, envidraçada, estabelece conexão visual com o outro bloco.
Ele acolhe o acervo e exposições principais e tem o piso superior delimitado por fechamento metálico semitransparente. Apoiado com balanço de seis metros sobre a base semi-enterrada do andar inferior - um invólucro de concreto quase sem aberturas -, o pavimento opta por volumetria e materiais que qualificam a relação do museu com o entorno e com o passeio. |