O trabalho se desenvolve em variadas escalas de intervenção, fundamentadas no levantamento das características físicas e do estado de conservação das edificações de quarteirão localizado no centro de Porto Alegre. Do desenho urbano ao paisagístico, passando pelo domínio da arquitetura, o que se busca é a requalificação da quadra através do incentivo ao programa misto, de sua parcial abertura ao espaço externo, assim como do estabelecimento de novo gabarito identificador da área.
O projeto tem, portanto, implantação em forma de três faixas seqüenciais, desenhadas a partir da esquina, com vias de pedestres cortando ortogonalmente o quarteirão em direção ao setor central, proposto para o convívio dos moradores. Ao longo desses novos passeios - entendidos também como espaços coletivos, em virtude de seu uso, largura e detalhamento paisagístico -, a autora previu edificações residenciais de pequeno porte. Somam-se 30 novas unidades habitacionais, em que a predominância de ambientes integrados, como se fossem estúdios, motiva a denominação do trabalho de Quadra dos Artistas.
A relativamente pequena escala de intervenção é um dos qualificadores do trabalho, no sentido de que é das potencialidades físicas e urbanas da área aberta no lote que surgem resoluções diversificadas de projeto, como corredores ora voltados ao espaço coletivo, ora posicionados junto à faces cegas, e varandas que surgem em pontos estratégicos. O que, em síntese, faz da proposta um bom exercício para pensar em ações pontuais de requalificação de zonas urbanas centrais.
Na esquina e acessos da via em L, o programa comercial serve de instrumento arquitetônico para a criação de bordas horizontais que sinalizam a intervenção no quarteirão. Cada loja tem, assim, seu mezanino em balanço, de forma a se obter edifícios suspensos e horizontais pontuando as entradas cobertas. |