|
 |
 |
 |
 |
| |
BALANÇO GERAL DA 7ª BIA
É hora de avaliar e ver os projetos vencedores dentre os 1.200 apresentados |
| |
|
 |
 |
 |
 |
| |
 |
| |
Le Métaphone, Hérault Arnod Architects, França |
 |
 |
 |
 |
| |
Com o encerramento da 7ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo (BIA) no dia 16 de dezembro, permaneceram no ar algumas dúvidas, quase que recorrências das últimas edições do evento. Há fôlego para que ele continue a ser realizado a cada dois anos? Existe produção arquitetônica em quantidade e qualidade suficientes para alimentá-lo nesse espaço de tempo? E, por último - uma vez que a BIA tem procurado, cada vez mais, despertar interesse de público fora do meio profissional -, a mostra, da forma como é proposta, consegue competir com as numerosas atrações culturais que uma metrópole como São Paulo costuma oferecer?
A todas essas perguntas podem ser dadas respostas objetivas. E os realizadores da BIA - Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) e Fundação Bienal de São Paulo - as ofereceram, talvez de forma otimista. Mas quem percorreu com olhos menos condescendentes os quatro pavimentos do pavilhão projetado por Oscar Niemeyer, no parque Ibirapuera, em São Paulo, talvez tenha uma visão diferente: a de que, de modo geral, a qualidade dos trabalhos expostos na recente edição deixou a desejar. Os mais ácidos poderão até lembrar que o presidente da fundação, Manoel Pires da Costa, cogitou realizar a bienal em apenas dois pisos. Não seriam suficientes?
Tendo como tema O Público e o Privado, a 7ª BIA mostrou aos freqüentadores mais de 1,2 mil projetos, e a forma escolhida para apresentá-los tinha a intenção de valorizar a arquitetura do prédio. Talvez seja o momento de refletir se essa preocupação - relevante, ainda mais no ano em que se comemoraram os cem anos do autor do projeto - não aprisiona a organização espacial da exposição, novamente idealizada por André Vainer e Guilherme Paoliello. Paredes com limites de altura, praças com bancos para descanso e espaços abertos procuraram transmitir a idéia de fluidez.
Na divisão por pisos, o térreo acomodou estandes das empresas (em maior número) que colaboraram para a organização da exposição, salas para publicações da área e espaço para eventos. No primeiro andar, foram alocadas as mostras institucionais - a prefeitura de São Paulo exibiu as alterações visuais na cidade com a implantação do Projeto Cidade Limpa - e o Concurso Internacional de Escolas de Arquitetura. Para essa competição, 68 instituições se inscreveram e foram selecionadas 32, quatro delas do exterior (uma da Inglaterra, duas da Itália e uma da Argentina). O trabalho apresentado pelos alunos da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (Puccamp) foi o vencedor da competição. Bruno Rossi, Carlos Quartim Fonseca, Fabrício Linardi, Fernanda Villalon, Gabriel Frasson, Guilherme Cremasco, Ivan Albrecht e Maitti Monteiro da Silva compõem a equipe, que desenvolveu o projeto Requalificação Urbana do Brás, orientado pelos professores Araken Martinho e Luis Espallargas Gimenez.
A idéia do concurso era que as equipes desenvolvessem projetos para melhorias físicas em parcelas urbanas indicadas pelas próprias concorrentes - de preferência, áreas de intervenção próximas aos locais onde as instituições de ensino se encontram. Esse não é o caso do trabalho vencedor - a faculdade está
em uma cidade do interior paulista e sua proposta foi aplicada num dos mais tradicionais bairros da capital, o Brás. |
 |
 |
 |
 |
| |
Estrangeiros e especiais
No segundo e terceiro pisos foram alojados os trabalhos que realmente contam para a avaliação da bienal. No andar mais alto, instalaram-se a exposição de arquitetos estrangeiros convidados (Nelson Rodrigues com certeza aproveitaria para falar do complexo de vira-lata, mas a atitude também pode ser interpretada como cordialidade) e as mostras especiais.
Na primeira, com 18 integrantes, a intenção era mesclar nomes consagrados e novos talentos - e, em se tratando dos famosos, foi especialmente decepcionante a apresentação quase burocrática dos projetos do norte-americano Steven Holl. Do ponto de vista geográfico, a mostra foi razoavelmente abrangente - havia até um representante da Coréia do Sul (Moongyu Choi Ga.A Architects).
Onze mostras especiais - entre elas a Vila Palladio, organizada pelo Departamento de Arquitetura da Faculdade de Engenharia de São Carlos, propondo uma visita às vilas renascentistas projetadas por Andrea Palladio, e a interessante exposição de maquetes de casas modernas do Rio de Janeiro, organizada pela UFRJ - completavam a área expositiva do terceiro andar. Neste espaço, destaque negativo para a mostra sobre Artigas organizada pela FAU/USP, sem nenhuma novidade.
Medalhões e premiados
Num dos pontos nobres do segundo andar, lado a lado, Niemeyer e Paulo Mendes da Rocha, as mais proeminentes figuras da arquitetura nacional, disputavam a atenção para suas criações. Ambos estiveram presentes em quase todas as BIAs, e este ano pareciam mais inevitáveis do que nunca, um pelo centenário e o outro pós-Pritzker. Mas poucas novidades: na mostra de Niemeyer, nada que já não tivesse sido visto nas dezenas de BIAcomemorações pelos cem anos do arquiteto (havia outra mostra na marquise, que sombreava a do pavilhão). Na de Paulo Mendes da Rocha - que trouxe sua proposta para a candidatura de São Paulo à Olimpíada de 2012 - notava-se certa fragilidade física na forma de apresentar os trabalhos (tanto mais porque a exposição se estenderia por um longo período), além da dificuldade de visualização, dada a grande profundidade da vitrine plana.
Na área destinada a arquitetos brasileiros convidados, 12 profissionais de diferentes estados (selecionados pelos departamentos locais do IAB) mostraram criações em programas variados. O critério, por um lado democrático, por outro se mostra frágil e quase burocrático, ao eleger algumas figuras sem relevância arquitetônica. Por sorte, exposições bem montadas e com conteúdo - como a do escritório carioca Coutinho, Diegues e Cordeiro ou a do mineiro Gustavo Penna, por exemplo - impediram a penúria completa.
No meio do segundo andar, no setor de representações nacionais (13 países), Suíça e França ganharam em tamanho, mas quem roubou a cena foi Portugal, com uma mostra que destacava o renascimento da arquitetura local pós-Revolução dos Cravos, tendo como pano de fundo a música popular. Flanqueados, de um lado, por Mendes da Rocha/brasileiros convidados e, de outro, pelos países estrangeiros, estavam os 125 projetos que integravam a Exposição Geral de Arquitetos. Desse grupo de trabalhos, em que havia certo equilíbrio entre obras construídas e projetos não implantados, saíram os premiados da 7ª BIA.
Harmonia e equilíbrio
O projeto do Museu Rodin, em Salvador, de autoria de Marcelo Ferraz e Francisco Fanucci (escritório Brasil Arquitetura), levou o primeiro prêmio na categoria obra construída. O museu, desenhado por dois discípulos de Lina Bo Bardi, já havia ganho o prêmio da categoria patrimônio na 5ª Bienal de Brasília, realizada no final de 2006. A ata do júri define o trabalho de Ferraz e Fanucci como um magnífico exemplo de harmonia e equilíbrio entre um histórico palacete, com as velhas árvores do seu jardim, e a estratégica ampliação e modernização de uso, representada pelo volume agregado ao conjunto existente.
Na mesma categoria, o júri deu o segundo prêmio ao Programa Praça-Escola, desenvolvido no município de Nova Iguaçu, RJ. A equipe responsável é formada por Washington Fajardo, Adriana Sansão Fontes, Pedro Évora, Raul Bueno Silva e Leandro Balbio, da Secretaria de Projetos Urbanos daquela cidade. Os jurados afirmaram que o projeto exibe real possibilidade de transformação dos espaços públicos. “Embora pontuais, essas intervenções podem enriquecer o caráter social de aglomerados urbanos”, considerou o júri, que destacou ainda a seleção de equipamentos simples e de baixo custo, cujo caráter lúdico e qualidade atraem a comunidade.
Entre as obras construídas, três residências e um estúdio fotográfico receberam menções honrosas. André Vainer e Guilherme Paoliello são os autores do estúdio, localizado em São Paulo; e as moradias são criações dos arquitetos Milton Braga, Fernando de Mello Franco e Marta Moreira (casa na Vila Romana, na cidade de São Paulo), Newton Massafumi e Tânia Regina Parma (residência Pouso Alto, em São Sebastião, litoral de São Paulo) e Angelo Bucci (casa em Santa Tereza, no Rio de Janeiro).
Não executados
Foram também concedidos prêmios na modalidade projeto não executado. A dupla formada por José Alves e Juliana Corradini (do escritório Frentes) recebeu o primeiro lugar, pela proposta para o elevado Costa e Silva - o Minhocão, como é po pularmente chamado -, desastrosa intervenção viária na capital paulista. Fernanda Barbara, Cristiane Muniz, Fábio Valentim e Fernando Viégas (Una Arquitetos) foram contemplados com o segundo lugar nessa mesma categoria, pelo projeto de reurbanização para a Mooca e o Ipiranga, bairros paulistanos.
A atribuição do prêmio a Alves e Juliana reafirmou a independência do júri da BIA, ao escolher o trabalho que fora vencedor de uma competição anterior à qual o IAB/SP, promotor da bienal, retirou seu apoio. A categoria projetos propositivos/conceituais, por sua vez, não teve vencedores. Foram apresentadas apenas seis propostas nessa modalidade.
O balanço do resultado por estados, incluindo vencedores e menções, revela que cinco projetos ficam no estado de São Paulo, dois foram desenvolvidos no Rio de Janeiro (um deles por um arquiteto baseado em São Paulo, Angelo Bucci) e um na Bahia (também por dois arquitetos que exercem suas atividades na capital paulista). Foram expostos 125 projetos. Metade dos trabalhos premiados foi publicada nas páginas de PROJETO DESIGN. Os arquitetos Renato Nunes e Paulo Henrique Paranhos (Brasil), Henrik Valeur (Dinamarca), e Emanuel Christ e Christoph Gantenbein (ambos da Suíça) integraram o júri. O resultado da premiação da 7ª BIA foi divulgado no dia 29 de novembro, no Porão das Artes, no Pavilhão da Bienal, em São Paulo. |
|
 |
| Le Métaphone, Hérault Arnod Architects, França |
| |
 |
| Pavilhão de patinação, representação nacional da Suíça |
| |
 |
| Prédios híbridos em Pequim, Steven Holl |
| |
 |
| Sunrise Towers, Alejandro Aravena, Chile |
| |
 |
| Projeto de César Dorfman, na sala dos arquitetos convidados |
| |
 |
| Projeto da Puccamp para o Brás |
|
 |
 |
 |
 |
| |
| Categoria obra construída |
 |
 |
 |
 |
|
1º prêmio
Museu Rodin
Salvador / BA |
| Autoria - Marcelo Ferraz e Francisco Fanucci |
| « Clique na foto e veja mais |
|
 |
 |
 |
 |
|
2º prêmio
Programa Praça-Escola
Nova Iguaçu / RJ |
| Autoria - Secretaria de Projetos Urbanos |
| « Clique na foto e veja mais |
|
 |
 |
 |
|
| |
| Categoria obra construída - Menções honrosas |
 |
 |
 |
 |
| Residência na Vila Romana, São Paulo |
| |
Fernando de Mello Franco, Marta Moreira e Milton Braga, do escritório MMBB Arquitetos, são os autores do projeto da residência paulistana (leia PROJETO DESIGN 331, setembro de 2007) que possui caráter racionalista - volume conciso, edificado com estrutura de concreto protendido, quatro pilares centrais e áreas em balanço -, mas amenizado pela visão da paisagem.
Destinada a um artista plástico, a moradia é composta por dois blocos independentes e sua implantação acompanha o perfil acidentado do lote, cuja diferença de cotas chega a 11 metros entre os dois pontos extremos. |
|
|
 |
| Estúdio fotográfico, São Paulo |
| |
Para sua organização, o estúdio fotográfico, projetado para Rogério Miranda por André Vainer e Guilherme Paoliello, valeu-se topografia: o terreno em desnível, contido por um muro de arrimo preexistente. Na parte posterior, os arquitetos implantaram um galpão com três pisos, que ocupa toda a largura do lote - nele está o estúdio.
O galpão possui cobertura metálica com quatro grandes sheds. A parte anterior do terreno foi destinada ao escritório, um bloco de alvenaria com estrutura de concreto e dois pavimentos. |
|
 |
 |
 |
 |
 |
 |
 |
| Residência Pouso Alto, São Sebastião, SP |
| |
| Este projeto, localizado no litoral norte de São Paulo, foi realizado por Newton Massafumi Yamato e Tânia Regina Parma, que formam o escritório Gesto Arquitetura. O imóvel foi implantado em terreno situado entre o Parque Estadual da Serra do Mar e a orla marítima na região conhecida como Barra do Una. Os autores são responsáveis por trabalhos que propõem caminho alternativo à tradicional e agressiva relação entre espaço construído e preservação ambiental. Os materiais adotados - a estrutura é de metal, madeira e concreto - levam em conta princípios da arquitetura sustentável. A casa é desdobramento de outro projeto da dupla: o ecoresort Leebambou, premiado na 5ª BIA (leia PROJETO DESIGN 285, novembro de 2003). |
|
|
 |
| Residência em Santa Tereza, RJ |
| |
| Ex-integrante do MMBB, Angelo Bucci é autor do projeto da residência carioca (leia PROJETO DESIGN 312, fevereiro de 2005) localizada num dos pontos mais altos do morro de Santa Tereza, bairro próximo ao centro do Rio de Janeiro. Como no trabalho de seus antigos parceiros, Bucci desenvolveu o programa em dois volumes, que ocupam platôs construídos para abrigar a residência anterior, demolida. O bloco mais alto, no sentido leste-oeste, abriga a sala de estar/jantar. Logo abaixo dele estão os pilotis de acesso, com piscina, churrasqueira e cozinha. No nivel mais baixo, no sentido norte-sul, cortando o corpo superior, um pavilhão fragmentado em duas partes abriga os dormitórios e o escritório. |
|
 |
 |
 |
|
| |
| Categoria obra não construída |
 |
 |
 |
 |
|
1º prêmio
Novo elevado Costa e Silva
São Paulo / SP |
| Autoria - José Alves e Juliana Corradini |
| « Clique na foto e veja mais |
|
 |
 |
 |
 |
|
2º prêmio
Reurbanização da Mooca e Ipiranga
São Paulo / SP |
| Autoria - Fernanda Barbara, Cristiane Muniz, Fábio Valentim e Fernando Viégas |
| « Clique na foto e veja mais |
|
|
|