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Em sua trajetória, o Museu Rodin (leia PROJETO DESIGN 319, setembro de 2006), de autoria dos arquitetos Marcelo Ferraz e Francisco Fanucci, titulares do escritório Brasil Arquitetura, tem acumulado prêmios. Isso não significa, no entanto, que a instituição esteja consolidada. Inaugurado em 2006, quando o grupo político dominante no estado era outro (liderado por Antônio Carlos Magalhães, que morreu em 2007), o Rodin pode acabar vítima da alternância política. Integrantes do atual governo, comandado pelo petista Jaques Wagner, deram sinais de possível esvaziamento do museu, que, no primeiro semestre, vai receber e expor mais de 60 peças do escultor francês Auguste Rodin.
A idéia de implantar o primeiro museu público dedicado a Rodin fora da França começou a tomar corpo em 1995, quando o artista plástico Emanoel Araújo, então diretor da Pinacoteca de São Paulo, montou ali uma exposição com peças do artista - um tremendo sucesso de público, que se repetiu na temporada baiana. Araújo e Jacques Vilain, diretor do Rodin parisiense, se mobilizaram para viabilizar a instituição em Salvador. O governo da Bahia cedeu o imóvel e pagou os projetos e a execução da sede.
Localizado no bairro da Graça, o Museu Rodin baiano é composto por dois imóveis: uma casa construída em 1912, com projeto do arquiteto italiano Baptista Rossi, que foi recuperada para servir à atual função; e um novo volume, com desenho contemporâneo e área edificada semelhante à do antigo. “O interesse do projeto concentra-se sobretudo na relação entre os dois e não na leitura isolada de cada um”, escreveu Fernando Serapião, na PROJETO DESIGN. Uma passarela conecta as construções de épocas e desenhos distintos, hoje complementares, mas que preservam suas identidades.
Na mesma edição da revista, o crítico Roberto Segre, tal como fez agora o júri da BIA, elogiou o projeto: “Esse delicado equilíbrio entre as duas linguagens - o moderno e o acadêmico - demonstra que a velha guerra dos estilos acabou, e que, contrariamente ao que acontece no mundo atual, a concórdia e a beleza ainda são possíveis na arquitetura baiana”. A guerra de estilos pode ter acabado na arquitetura, mas na política baiana ainda há um quê de revanchismo. Marcelo Ferraz já ouviu sugestões de que o Museu Rodin poderia mudar de nome para Museu Glauber Rocha.
Texto resumido a partir de reportagem
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 335 Janeiro de 2008 |