O que aconteceu com os premiados do Opera Prima?

Fernando Serapião

Lançamento oficial do concurso Opera Prima, em 1988, na FAU/USP. Da esquerda para a direita: Vicente Wissenbach, Salvatore Privitera, Philippe Coens, Ualfrido del Carlo, Carlos Fayet, Fábio Goldman e Eduardo Kneese de Mello
O concurso Opera Prima - que destaca os melhores trabalhos dos formandos em arquitetura e urbanismo no Brasil - está completando 20 anos. Ele é realizado pela PROJETO DESIGN, pelo IAB e pela Joy Eventos, com patrocínio da Braskem. Para comemorar a data, resolvemos olhar para trás e fazer uma avaliação. Quais são as escolas que formam os melhores alunos? Quais as instituições mais eficientes? E quais os orientadores mais premiados? Contudo, além de uma análise das escolas e dos professores envolvidos nesse processo, cujas conclusões foram obtidas através de critérios claros - mas não únicos, obviamente -, interessou-nos conhecer o destino dos premiados. Ou seja, depois do Opera Prima, o que aconteceu na vida profissional daqueles alunos?
Desde o início da história da revista PROJETO DESIGN, em 1977, já havia demanda pela publicação da produção de alunos. Prova disso é que a capa da edição de número 5 foi ilustrada por um trabalho de Jesse Franco Salgado, com o nome de Machu Pichu: Júlio Verne e Flash Gordon na Proposta de um Hotel. Ele foi realizado por Salgado para a Escola de Arquitetura do Pratt Institute, em Nova York. Nascido em São Paulo, após se formar Salgado trabalhou em grandes escritórios de arquitetura, como Skidmore, Owings & Merrill e I. M. Pei & Partners. Voltou em 2002 para o Brasil, onde organiza eventos internacionais relacionados à arquitetura.

Para dar mais um exemplo dessa demanda, outro trabalho de graduação publicado antes da existência do Opera Prima chamava-se Os Simbolismos da Cidade num Projeto de Hotel. Ele foi desenvolvido por Mario Biselli, que já teve várias obras publicadas, tal como a Escola Cáritas. “Bati na porta da PROJETO e mostrei minha proposta”, relembra Biselli. “Mas era um projeto pós-moderno, que hoje eu não faria”, avalia o arquiteto, que apresentou à revista trabalho de conclusão do curso no Mackenzie, orientado por Antonio Carlos Sant’Anna Júnior e publicado na edição 94.
A primeira notícia sobre o Opera Prima foi publicada na edição 114, de setembro de 1988. Os trabalhos vencedores da primeira edição foram divulgados no número 122 da revista
Prédio comercial, projeto de Luiz Fernando Rihl, vencedor da primeira edição do Opera Prima
Ranking dos orientadores, por número de trabalhos
Antonio Carlos Sant’Anna Júnior 67 Mackenzie/FAU-USP/Anhembi Morumbi
Antônio Fernandes Panizza 54 PUC-Campinas
Tito Lívio Frascino 53 Mackenzie/Belas Artes SP
Vasco de Mello 52 Belas Artes SP
Joan Villà 48 Belas Artes SP/Mackenzie/Unip
Sami Bussab 37 Mackenzie
Gilberto Belleza 35 Mackenzie
Guilherme Motta 34 Mackenzie/Escola da Cidade/Taubaté e Belas Artes
Abílio Guerra 29 PUC-Campinas
10º Minoru Naruto 29 FAU-USP/Anhembi Morumbi
11º Luís Espallargas 28 PUC-Campinas/Unip
12º Charles René Hugaud 27 Uniritter
13º Fábio Gonçalves 27 Fiam/FAU-USP/São Judas
14º Ruth Verde Zein 27 Mackenzie/Anhembi Morumbi/Unip
15º Gaston Prudêncio 26 UFMG
16º Hélio Carrijo 26 PUC-Goiás
17º Carlos Viscay 25 Ulbra (Canoas)
18º Carlos Affonseca 25 Izabela Hendrix
19º Ênio Nery Oliveira 24 Católica de Goiás
20º Pedro Paulo de Melo Saraiva 23 Mackenzie/Anhembi Morumbi
Ranking das escolas e orientadores
O Opera Prima certamente pode render muitas outras análises. Um ponto a destacar é a tendência arquitetônica dos trabalhos premiados. Em geral, os alunos são muito mais sensíveis a novas manifestações do que os profissionais com mais idade. É muito claro, por exemplo, nos trabalhos dos primeiros anos do prêmio, a reverberação do movimento pós-moderno, o qual quase não se manifestava nas obras brasileiras publicadas na mídia especializada. Mas um dado fundamental que pode ser analisado através dos números desses 20 anos de concurso é a eficiência das escolas. Para avaliar uma escola existem muitos critérios - currículo, corpo docente, instalações, biblioteca etc. -, mas o resultado do trabalho final dos alunos também é importante. Assim, diante dos dados do concurso, podemos, através de uma fórmula aplicada a cada instituição, analisar qual é a escola mais eficiente e fazer um ranking por performance. Para isso, temos quatro variáveis numéricas: alunos premiados, menções honrosas, alunos participantes e edições em que a instituição concorreu. Criamos ainda pesos diferentes para prêmios (peso 4) e menções honrosas (peso 1), extraídos da relação entre um e outro, ou seja, se há cinco prêmios para 20 menções, a proporção é de 1/4.

Aplicando a fórmula, chegamos a algumas conclusões. Fazem parte da lista 66 instituições de ensino que mereceram prêmios ou menções. Em primeiro lugar, o que chama a atenção é o número de universidades públicas entre as 20 melhores colocadas. Nos dez primeiros lugares, nove são públicas (e entre elas, sete são federais). A primeira escola privada a aparecer na lista é a PUC/RS, em oitavo lugar. É um número impressionante e um ótimo indicador da qualidade do ensino público na área de arquitetura e urbanismo. Se aumentarmos o campo de análise para as 20 mais bem classificadas, teremos ainda assim apenas cinco estabelecimentos de ensino privados.

Outro dado que levantamos leva em conta os orientadores. Para criar um ranking deles, não adotamos os mesmos parâmetros complexos das escolas: simplesmente computamos o números de participações de cada um.
Ranking das escolas
Colocação Instituição Nº de prêmios Nº de menções Nº de participantes Nº de edições
UFPE 12 15 120 20
UFRGS 9 23 140 20
UFMG 6 33 157 20
UFF 4 17 101 20
UFSC 4 21 120 20
UnB 4 13 96 19
UFRJ 10 20 233 20
PUC/RS 4 9 80 16
USP/Eesc 3 4 42 13
10º UFPR 2 13 90 20
11º Mackenzie 13 33 452 20
12º UFBA 1 10 67 16
13º Uniritter 2 12 121 20
14º UFCE 0 11 69 20
15º USP 2 27 221 20
16º Unisinos 1 13 103 19
17º UFPB 1 7 63 17
18º PUC/Santos 2 8 106 19
19º UEL 2 6 100 20
20º UFJF 2 3 47 11
Origens do prêmio
A primeira notícia que o leitor teve a respeito do Opera Prima foi publicada no número 114 da PROJETO. E o privilégio de anunciar a boa nova não coube à redação ou ao editor: a nota saiu no Informe Abea, um boletim que a Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura (Abea), antiga parceira na criação concurso, veiculava na revista. O texto dizia que o objetivo do prêmio era “resgatar e divulgar os mais expressivos trabalhos de graduação realizados pelas faculdades e escolas de arquitetura do Brasil”. Na edição seguinte, uma nota editorial dava todos os detalhes do lançamento do prêmio, lançado em 15 de agosto de 1988, na FAU/USP, e realizado pela revista PROJETO e pela Abea, com patrocínio da Fademac, fabricante de pisos vinílicos. Entre os personagens que aparecem na foto que registrou o evento estão alguns dos principais envolvidos com a criação do Opera Prima, tais como Carlos Maximiliano Fayet, na época presidente da Abea, e Vicente Wissenbach, então editor da PROJETO.

O texto no número 115 trazia ainda o regulamento, que prometia um prêmio em dinheiro para o primeiro lugar, além de uma quantia a ser dividida entre os classificados. O fato é que, em abril de 1989, no número 122, foi anunciado o resultado do primeiro Opera Prima. A premiação teve grande destaque, ocupando 67 páginas. Participaram 48 faculdades (entre as quais 16 federais, três estaduais e o restante particular). De lá para cá, o número de escolas triplicou.

Dentre 156 trabalhos selecionados no primeiro concurso - que correspondem a 1.560 formandos daquele ano -, 25 foram finalistas. A competição foi realizada em três etapas: na primeira, chamada de interna, cada instituição escolheu um entre dez formandos; na segunda, a regional, um corpo de jurados designado pelo concurso e composto por três profissionais locais escolheu cinco trabalhos de cada região; na terceira e última etapa, denominada nacional, os 25 trabalhos finalistas foram julgados por Cláudio Araújo, Hugo Segawa, Luiz Paulo Conde, Luciano Guimarães e Severiano Porto. Em reunião no Mackenzie, em São Paulo, o estrelado júri escolheu cinco premiados (pela primeira e única vez subdivididos entre primeiro e quinto lugares), mais seis menções e seis destaques.

O primeiro premiado
O primeiro Opera Prima foi vencido pelo gaúcho Luiz Fernando Rihl, aluno da UFRGS e orientando de Flávio Soares (o terceiro lugar ficou com Ana Paula Canez, da mesma instituição e orientada pelo mesmo professor). Rihl acabou se tornando uma espécie de ícone do prêmio. Pedimos a ele que reavaliasse seu próprio trabalho. “Possui certos elementos defasados, mas o partido geral é claro”, ele opinou. Por outro lado, Rihl revela que se especializou em áreas residuais, exatamente o tema de sua proposta vencedora. Para ele, o “Opera Prima é importante pois destaca trabalhos acadêmicos, principalmente no Brasil, onde não há discussão entre as escolas de arquitetura”. Há 18 anos em Londres, Rihl leciona no Royal College of Art and Architecture. Além disso, é sócio do inglês Christopher Procter, cujo escritório faz projetos comerciais e residenciais. No Brasil, realizaram a famosa Slice House (Casa Fatia), em Porto Alegre, encomendada pela mãe do arquiteto. A dupla está finalizando outra obra interessante, a Pull House (Casa Puxada), localizada em Vermont, Inglaterra.

A mostra com os trabalhos peregrinou pelo país, visitando 15 cidades. Mas não foi só o Opera Prima que viajou. Ir para o exterior - temporária ou permanentemente - não faz do precursor Rihl um personagem único entre os premiados. Podemos afirmar isso a partir do levantamento realizado através do portal Arcoweb, respondido por 62,74% dos premiados (conseguimos localizar 64 dos 102 contemplados, sem contar os desta edição, que acrescenta sete pessoas ao seleto grupo). Entre os que responderam, 18,75% tiveram experiências profissionais ou vivem fora do Brasil. É o caso, por exemplo, de Wagner Rufino (estudante da UFJF, premiado em 2001), que, entre outras coisas, fez especialização na Holanda. Ou então de Carlos Perles (2001, Faap), que hoje mora, trabalha e estuda em Barcelona. Ou ainda de Lília Sodré (1988, UFRJ), que atua nos Estados Unidos, mas está trabalhando temporariamente em Hong Kong.

E por falar em estudo, apenas 3,12% dos premiados possuem hoje como principal atividade o aprendizado - é o caso de Akemi Tahara (2004, UFBA), mestranda na Universidade de Mie, Japão. E 17,18% estão do outro lado do balcão, ou seja, são professores da área, dentre os quais a maioria (81,81%) divide o tempo com o escritório próprio. Gabriel Pereira (2005, PVC, PUC/MG) é exemplo dessa situação: sócio do escritório Horizontes, é também professor da UFMG. “Alio a academia à produção do escritório para atender à demanda de uma empresa de projetos sem deixar a discussão e a investigação de lado”, observa. O restante, que representa apenas 6,25% do total de premiados, declarou ter a docência como atividade exclusiva. Contudo, os únicos dois arquitetos que compõem este pequeno grupo possuem cargos elevados dentro da hierarquia universitária. Maurício Ribeiro da Silva (1992, USP/Eesc) atualmente é pró-reitor acadêmico do Centro Universitário Módulo, em Caraguatatuba, SP; José Antônio Lanchoti (1989, UFF) preside a Abea, uma das idealizadoras do Opera Prima. Lanchoti conta que, além de laureado, foi mestre de cerimônia do segundo prêmio, participou do júri em 1999 e foi consultor do concurso em 2000. “Parte do TFG que apresentei no Opera Prima foi implantado”, ele relata. “Lamento que o concurso não esteja mais com a Abea, que é a entidade nacional voltada para a discussão do ensino de arquitetura e urbanismo”, completa“. Desde 2001, a associação do ensino foi substituída pelo IAB. Outro ponto a ressaltar é que durante algumas edições - da 8ª à 12ª - o concurso mudou de nome (Concurso Paviflex) e foi apoiado pela revista AU.
O levantamento, realizado pelo portal Arcoweb, contou com a colaboração de 62,74% dos vencedores do Opera Prima. Considerando os sete contemplados de 2008, o prêmio já foi outorgado a 109 formandos
Escritório próprio
O número mais representativo na pesquisa do Arcoweb relaciona-se à atividade projetual: 75% daqueles que responderam afirmam trabalhar com o desenvolvimento de projetos (gráfico 1). Diferente de uma avaliação geral do desempenho do aluno durante o curso, o Opera Prima é capaz de apurar o nível de aprendizado através de uma proposta espacial, que concentra grande parte das matérias aprendidas. Assim, se pudermos considerar os premiados pelo Opera Prima como integrantes de uma eventual futura elite profissional de projetistas (evidente que não esquecemos os outros fatores incluídos no jogo), deve-se dizer que o índice é muito satisfatório.

Completando esse universo, 12,5% trabalham em atividades correlatas a arquitetura e urbanismo, como design, indústria de componentes do setor ou mesmo em áreas afins no poder público. Para fechar a conta, os 12,5% restantes, por desejo próprio ou por necessidade, abandonaram a arquitetura. Se excluirmos aqueles que não atuam em nada relacionado ao segmento, a porcentagem dos que trabalham com projeto aumenta para 85,71%.

Por outro lado, quase metade dos premiados (48,43%), assim como Rihl, possui escritório próprio (gráfico 2). Esse é outro dado interessante, pois reforça a idéia de que a arquitetura é uma atividade autônoma, realizada, em geral, em pequenos e médios estúdios.
Dentre os que participaram do levantamento, a maioria trabalha com o desenvolvimento de projetos e quase a metade atua em escritório próprio. Apenas 12,5% declararam ter abandonado a arquitetura
Esse grupo específico pode ser dividido em subgrupos (gráfico 3). O primeiro abrange aqueles que mantêm o escritório como única atividade e é composto por 45,18% (o que equivale a 21,84% do total pesquisado). É o caso de Tereza Lagiola (1994, UFPE), que desenvolve projetos de reformas em edificações no sítio histórico de Olinda, PE, e de Ana Paula da Silva (1990, PUC/PR), que se divide entre os escritórios do Paraná e do Mato Grosso do Sul. “Atuo nos dois estados somente com projetos de arquitetura, interiores e paisagismo”, revela Ana Paula. Ou ainda de Rafael Assiz (Mackenzie), vencedor de 2005 na categoria Projetando com PVC. Juntamente com dois outros sócios, ele está à frente do escritório Jacob, Assiz e Annunziato, que já obteve diversas premiações em concursos públicos de arquitetura. Os demais subgrupos são compostos por aqueles que dividem a atividade autônoma com a docência (29,05%), com cargos no poder público (16,12%), com a prestação de serviços a escritórios de terceiros (6,42%) e pelos 3,23% que possuem escritório próprio ligado à construção civil.

Depois dos profissionais que possuem escritório próprio, o segundo maior grupo entre os projetistas premiados pelo Opera Prima é formado por aqueles que trabalham em escritórios de outros arquitetos. Esse núcleo representa, dentre os pesquisados, 17,18% do total. Há alguns que trabalharam com profissionais famosos: José Gustavo Barreiro (1990, Mackenzie) colaborou com Paulo Mendes da Rocha; Diana Vaz da Costa (1989, Izabela Hendrix) trabalhou com Sylvio Podestá; Taís Martins (1999, UFPR), com o espanhol Josep Botey; e Ailton Morais (2002, UnB), com o italiano Renzo Piano.

Atividades variadas
O terceiro e último núcleo de profissionais que trabalham na área está no eclético agrupamento que ganhou a classificação genérica de “outros” e soma 21,89%. Incluem-se aí premiados que hoje trabalham em construtoras (4,68%), com design (3,12%), na indústria de componentes da construção civil (1,56%) e com iluminação (1,56%). Aqui, vale destacar aqueles que estão em construtoras, talvez uma demanda recente, dada a grande atividade atual do setor. Encontramos, por exemplo, Fabíola Ralston (2006, PVC, Mackenzie), funcionária da Gafisa - “faço parte da equipe de produtos, responsável por aprovações em São Paulo e outras cidade do estado” -, e Fabiana Casali, que desenvolve projetos de habitação popular em uma incorporadora. Entre todos os pesquisados, 10,93% estão envolvidos com a execução de projetos. É o caso de Camila Strauss (2007, UFRGS), que acompanha a obra de um centro tecnológico. “O aprendizado na prática certamente trará grandes e boas mudanças no meu modo de projetar. Resolver os problemas reais, de perto, faz pensar melhor nos pequenos detalhes, que podem trazer inúmeros problemas”, diz.
Mais da metade dos participantes (54,82%) revela conciliar a atividade autônoma com outros trabalhos, tais como docência, cargos no poder público ou prestação de serviços a estúdios de terceiros
Poucos profissionais (1,56%) trabalham somente no poder público. É interessante destacar o caso de Giselle Silveira (premiada em 2007, pela UFPE), arquiteta da Diretoria de Preservação do Patrimônio Cultural, subordinada à Secretaria da Cultura do Recife. O trabalho de graduação de Giselle foi sobre restauração. Ela mesma conta: “Na época da premiação, estava desempregada e desiludida com a profissão e já me preparava para prestar concursos públicos na área fiscal. Mas após o Opera Prima surgiu a oportunidade de trabalhar com restauro. O concurso continua me abrindo portas e será sempre um marco na minha vida, o grande estímulo para retomar minha profissão”. Alguns dividem a função pública com outras atividades. Elvis José Vieira (1999, Brás Cubas), atualmente diretor de Projetos Públicos da prefeitura de Suzano, já teve projetos publicados e premiados e é responsável pela “intervenção arquitetônica e urbana na cidade“. Recentemente, fez um centro cultural e um teatro.

Outros prêmios e experiências
Além da análise dos números, podemos destacar que alguns dos laureados pelo Opera Prima continuam ganhando prêmios. Carolina Pinhel (2007, Fumec), por exemplo, recebeu menção honrosa no ACTX/Idom Awards 2007. Já Marcos Fonseca (1997, Belas Artes) obteve menção honrosa no 8° Prêmio Jovens Arquitetos, em 2007, pelo projeto de uma residência em Curitiba. Maurício Lamosa Nunes (1998, Mackenzie) também teve seu trabalho profissional destacado, trocando, contudo, a arquitetura pelo design: juntamente com seu sócio Flávio Borsato, foi premiado em 2001 pelo Museu da Casa Brasileira, na categoria mobiliário residencial, pela linha Painel.

Da mesma forma que Rihl, alguns premiados pelo Opera Prima seguem fazendo trabalhos de interesse, publicados pela mídia especializada. Um bom exemplo é Fernando Silveira (2007, UFRGS), autor com seus sócios no escritório Hype Studio do projeto de modernização do Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre (leia PROJETO DESIGN 336, fevereiro de 2008), um dos possíveis palcos da Copa de 2014. Os laureados do concurso Opera Prima também participam da reflexão sobre a produção brasileira de arquitetura: além de manter escritório próprio em São Paulo, Juan Pablo Rosemberg (2000, Mackenzie) ajudou na formulação da exposição do Pavilhão do Brasil na 10ª Mostra de Arquitetura da Bienal de Veneza (2006).
“O concurso continua me abrindo portas e será sempre um marco na minha vida, o grande estímulo para retomar minha profissão”, afirma Giselle Silveira, premiada em 2007 com um trabalho sobre restauro
O engenheiro que virou suco:
Um oitavo do total pesquisado abandonou a área, trocando-a por fotografia, filmagem, artes plásticas, moda, terceiro setor e teologia. Nesse rol figura Rafael Pinho (2004, PVC, UFMG), fotógrafo de moda e publicidade que se divide entre a Alemanha e a Islândia. “Comecei a me dedicar à fotografia desde que me formei”, ele revela. “Fiz alguns trabalhos relacionados à arquitetura e atuei em um escritório em Reykjavik, mas nunca me dediquei integralmente a essa área.” Já Diana Vaz da Costa (1989, Izabela Hendrix) e José Novak (1991, PUC/PR) trabalham com acessórios de moda: a primeira faz bijuterias e o segundo, bolsas e shopping bags - “faço arquitetura em bolsas”, ele diz. Guilherme Uchoa (1994, UFRGS) também se encontrou em outra esfera: é responsável por marketing e vendas on-line do portal Terra. Depois de trabalhar com arquitetura, “em 2006 acabei seduzido pelo boom da internet no Brasil e fui atuar nesse mercado como webdesigner”, conta.

Por fim, para não estimular a guerra dos sexos, outro dado interessante: há certo equilíbrio entre os premiados, dos quais 52% são mulheres.

Ranking das escolas e orientadores
O Opera Prima certamente pode render muitas outras análises. Um ponto a destacar é a tendência arquitetônica dos trabalhos premiados. Em geral, os alunos são muito mais sensíveis a novas manifestações do que os profissionais com mais idade. É muito claro, por exemplo, nos trabalhos dos primeiros anos do prêmio, a reverberação do movimento pós-moderno, o qual quase não se manifestava nas obras brasileiras publicadas na mídia especializada. Mas um dado fundamental que pode ser analisado através dos números desses 20 anos de concurso é a eficiência das escolas. Para avaliar uma escola existem muitos critérios - currículo, corpo docente, instalações, biblioteca etc. -, mas o resultado do trabalho final dos alunos também é importante. Assim, diante dos dados do concurso, podemos, através de uma fórmula aplicada a cada instituição, analisar qual é a escola mais eficiente e fazer um ranking por performance. Para isso, temos quatro variáveis numéricas: alunos premiados, menções honrosas, alunos participantes e edições em que a instituição concorreu. Criamos ainda pesos diferentes para prêmios (peso 4) e menções honrosas (peso 1), extraídos da relação entre um e outro, ou seja, se há cinco prêmios para 20 menções, a proporção é de 1/4.

Aplicando a fórmula, chegamos a algumas conclusões. Fazem parte da lista 66 instituições de ensino que mereceram prêmios ou menções. Em primeiro lugar, o que chama a atenção é o número de universidades públicas entre as 20 melhores colocadas. Nos dez primeiros lugares, nove são públicas (e entre elas, sete são federais). A primeira escola privada a aparecer na lista é a PUC/RS, em oitavo lugar. É um número impressionante e um ótimo indicador da qualidade do ensino público na área de arquitetura e urbanismo. Se aumentarmos o campo de análise para as 20 mais bem classificadas, teremos ainda assim apenas cinco estabelecimentos de ensino privados.

Outro dado que levantamos leva em conta os orientadores. Para criar um ranking deles, não adotamos os mesmos parâmetros complexos das escolas: simplesmente computamos o números de participações de cada um.


Texto resumido a partir de reportagem
de Fernando Serapião
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 342 Agosto de 2008
Pull House, a nova criação de Rihl e seu sócio inglês
Projeto gerenciado por Lília Sodré em um escritório de arquitetura de Nova York
Prédio da PUC-TV, sede da emissora universitária da PUC/MG no campus de Belo Horizonte. Projeto de Gabriel Pereira e sócios
Edifício Reserva da Mata, em Bertioga, SP. Projeto em parceria do escritório Jacob, Assiz & Annunziato Arquitetos Associados com a arquiteta Helena Camargo
Linha Painel, de Maurício Lamosa Nunes (com Flávio Borsato)
Estádio Beira-Rio, projeto de Fernando Silveira e de seus sócios do Hype Studio
Teatro e casa projetados por Elvis Vieira, diretor de Projetos
de Suzano
Teatro e casa projetados por Elvis Vieira, diretor de Projetos
de Suzano