Opera Prima 2011
Conheça os premiados no maior concurso da arquitetura brasileira
- Detalhes
- 03 de Agosto de 2011. Visitas: 18.402

Escola - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre

O projeto é apresentado como modelo de ocupação do patrimônio industrial de Porto Alegre através de um conjunto de edificações que se inserem ou complementam o chamado Moinho Riograndense, localizado na região central da cidade.
O moinho, galpões e silo, que configuram o objeto da intervenção, resistem relativamente íntegros no bairro de Navegantes, na área denominada 4º Distrito, embora pressionados pelo crescente adensamento da região envoltória.
A condição preconizada pelo autor é avessa ao que ele cita como apropriação indistinta pela especulação imobiliária, o que equivale a dizer que em seu projeto estão proibidos os termos torrre (verticalização) e desmonte da arquitetura antiga.
O modelo a que se refere o trabalho é o da manutenção das generosas áreas livres e do gabarito predominantemente horizontal, inserindo-se discretamente um programa educacional - escola profissionalizante voltada para a indústria -, comercial e de lazer, que se molda às edificações.
Os materiais usados são fundamentalmente o vidro e o metal (na estrutura e nas vedações semitransparentes - chapa perfurada), tanto no invólucro das salas de aulas, inserido no miolo do antigo galpão, quanto na nova edificação, dedicada ao programa comercial, e no restaurante panorâmico que se planeja implantar sobre a cobertura do volume vertical do silo.

Destaca- se a dispersão desses equipamentos nas margens opostas de uma via pública, o que confere ao conjunto visuais a partir da área livre circundante, e a utilização coesa de materiais como elemento da identidade arquitetônica.
Um projeto maduro, portanto, sob o ponto de vista da apropriação zelosa e contemporânea do patrimônio.

Escola - Universidade de São Paulo, São Paulo


O núcleo de residências estudantis cercadas por programa complementar de uso misto é rico em relações de altura e afastamentos em relação a elementos marcantes da área, como a praça, equipamentos urbanos e edifícios.
A proposta está estruturada por duas construções laminares e paralelas entre si, que ocupam as laterais do lote de modo a resolver satisfatoriamente a interface com as edificações vizinhas (arremata-se, por exemplo, a empena cega numa das laterais do terreno).
O afastamento entre elas cria uma espécie de prolongamento da praça da República que, além de ajustar o projeto à escala generosa dessa área livre no centro de São Paulo, enfatiza a vocação pública do lugar.
No que diz respeito ao cotidiano estudantil, o autor manteve a coerência das relações que qualificam, no domínio externo, a dimensão pública da obra, criando vazios de conexão dos pavimentos, ambientes para uso coletivo, terraços e passarelas de transposição que interligam as edificações. Há, assim, um complexo sistema de subconjuntos residenciais que enriquece o projeto.

Escola - Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP

A autora propõe não apenas a estrutura e os elementos de um módulo padrão, de 15,30 metros quadrados de área, como sua possível implantação no território de São Luiz de Paraitinga, cidade do interior de São Paulo que foi assolada por enchentes em janeiro de 2010.
Considera-se a habitação familiar - quatro indivíduos por módulo mínimo - composta por leitos em forma de cama dobrável, bancadas para refeições e cozinha, além de volume lateral para inserção de banheiro químico.
A iluminação tem o aporte do sistema de energia solar e os materiais são prioritariamente reciclados, a exemplo do piso de pneu e da estrutura feita parcialmente com polietileno de alta densidade. O desenho arquitetônico levou em conta a volumetria compacta e o encaixe entre as peças quando desmontado o módulo, de modo a otimizar o trabalho de transporte.

Parte do interesse do trabalho, portanto, é a simulação de atendimento a uma situação real, adaptando-se os módulos, hipoteticamente em Paraitinga, aos mais diversos usos e em combinações que se assemelham a bairros formais. Interessante notar também como o simples deslocamento lateral do volume dos sanitários acabou por criar uma espécie de unidade de vizinhança entre os módulos arranjados coletivamente, dado o pequeno distanciamento frontal entre eles.

na Mooca
Escola - Centro Universitário Fiam/Faam, São Paulo

A visão de cidade motivadora deste trabalho pertence ao terreno híbrido em que interagem os resquícios do passado industrial com o potencial de adensamento de certas regiões de São Paulo. A área de intervenção fica no antigo bairro industrial da Mooca, zona leste, onde persistem sem uso galpões tombados pelos órgãos de preservação do patrimônio arquitetônico, cercados por grandes lotes ociosos.
A autora propõe revitalizá-los através da inserção de programas culturais e educativos - escolas técnicas e museus -, conceituando o projeto como uma espécie de complemento de proposta anterior, creditada ao escritório paulista Una Arquitetos, para o incremento do transporte público e da ocupação da área envoltória. O projeto, em contraponto, mantém intacta a escala rarefeita da arquitetura industrial, e encontra seus elementos estruturadores na água e na linearidade dos deslocamentos e do parque verde periférico.
Os galpões, situados nas duas margens da via férrea que corta longitudinalmente o terreno, estariam servidos por rede de passagens aéreas derivadas do eixo central de circulação, ou seja, de uma plataforma coberta que, com 1,3 quilômetro de extensão, recobriria a linha do trem. O projeto radicaliza ao criar um sistema de grande escala para atender ao uso pontual dos galpões, não só em função das grandes distâncias envolvidas (a via suspensa central, por exemplo, tem quase a metade do comprimento da avenida Paulista) como pelo fato de prever-se a imersão de tais imóveis em contínuo berço d’água. Cria-se um piscinão para a contenção das águas de transbordo do rio Tamanduateí, tendo‑se previsto o rebaixamento de toda a área para a remoção da terra contaminada pelo antigo uso industrial.



Escola - Centro Universitário de Brasília (Uniceub), Brasília

Projeto pragmático no que diz respeito à correlação entre conceito, programa e partido arquitetônico. Trata-se de um hospital para o diagnóstico e tratamento do câncer, cuja proposta de implantação em terreno com generosa área verde e vista desimpedida para o lago Paranoá, em Brasília, é significativa da atmosfera onírica que serve de referência à arquitetura.
O programa é estruturado linearmente através de corredor ou volume livre central com farta iluminação e delicado paisagismo, um espaço, enfim, dedicado à contemplação e ladeado pelas construções esparsas que perfazem o longo caminho desde o diagnóstico até as etapas de intervenção médica.

Privilegia-se o convívio familiar de modo que cada porção da arquitetura tenha o seu próprio sistema de referências naturais, seja uma vista, um tipo de insolação ou certo grau de contato com o espelho d’água que corta longitudinalmente o complexo.
A volumetria é pavilhonar e esparsa, composta por edificações horizontais de concreto aparente, cuja proposta prevê vedação com o uso de vidro e painéis de madeira.


Tema relevante que demonstra a preocupação do autor com a revitalização de estruturas arquitetônicas inacabadas. Ressalte-se o domínio da técnica construtiva e, em especial, a utilização de estruturas metálicas, de elementos pré-moldados que, associados às estruturas existentes de concreto armado, estabelecem o caráter contemporâneo do projeto.
Orientador - Eduardo Lisboa Galvão de Freitas
Escola - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre
Tema pertinente e apropriado. Vale ressaltar a habilidade com que são solucionadas as questões técnicas, funcionais e plásticas. Destaca-se, ainda, a qualidade da implantação, do desenho do edifício, da racionalidade das estruturas e, em especial, da expressiva composição plástica dos volumes, que conferem alto valor estético ao projeto.
Orientadora - Cláudia Piantá Costa Cabral
Escola - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre


O trabalho aborda com clareza a estruturação e a distribuição do programa de uso público coletivo, gerando boa relação dos espaços internos com os externos. Demonstra ainda preocupação com a concepção estrutural, a aplicabilidade dos materiais, o conforto térmico e a ecoeficiência, configurando um partido arquitetônico de escala e volumetria agradáveis.
Orientador - Américo Ishida
Escola - Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis
Vale ressaltar a utilização da madeira no sistema construtivo como alternativa viável e adequada às questões suscitadas pelo tema. O autor responde com habilidade e grande simplicidade às questões formais, e a adoção da tipologia pavilhonar, aliada à sensibilidade e à boa técnica no tratamento do edifício, confere ao projeto alto valor estético.
Orientador - Andréa Berriel
Escola - Universidade Federal do Paraná, Curitiba


Destaca-se a revitalização do centro da cidade por meio da inserção habilidosa de unidades habitacionais. O projeto possui qualidades expressivas no que concerne a concepção espacial, usos diversificados no térreo e tratamento paisagístico apropriado com a articulação de passarelas suspensas que interligam os edifícios residenciais.
Orientador - Armando Luís Yoshio Ito
Escola - Universidade Positivo, Curitiba
Propõe mais que um simples edifício: a requalificação urbana agregando outros temas do entorno. Oferece soluções por meio de espaço em níveis, hierarquiza os fluxos e demonstra domínio do programa central, solucionado com a criação de espaços externos contemplativos e internos desnivelados. O partido tem clara preocupação com o eixo visual urbano.
Orientador - Anibal Verri Júnior
Escola - Universidade Estadual de Maringá, Maringá, PR


A biblioteca e a estação da Mooca se caracterizam pela revitalização do espaço urbano. A transposição da linha férrea configura uma grande praça no nível inferior, elevando-se a estação ferroviária, que se presta como o elemento de articulação entre dois extremos anteriormente interrompidos pela ferrovia.
Orientadores - Angelo Cecco Junior, Joan Villà e Luciano Margotto Soares
Escola - Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo
Tema pertinente no que concerne à revitalização de áreas urbanas degradadas. Apropria-se de um espaço residual desarticulado do tecido urbano pelo sistema viário, e sugere um edifício cultural conectado aos lotes adjacentes por passarelas aéreas. O projeto prima pela utilização do aço como sistema construtivo.
Orientador - Gilberto Belleza e Pedro Nosralla Júnior
Escola - Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo


O projeto articula e integra os espaços de domínio público e privado e organiza os fluxos de pedestres. Preocupa-se igualmente com a relação de mobilidade urbana e com a valorização do transporte público. Promove e valoriza a vocação cultural da região com a inserção de uma biblioteca pública de artes.
Orientador - José Luiz Tabith Junior
Escola - Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo
A proposta busca recuperar áreas urbanas vazias e degradadas. Adota, na escala macro, um longo eixo central de passarelas ou alamedas em níveis - ora sobre ruas, ora sobre as parcelas do solo natural, interligando as quadras existentes. Esse transitar abre amplas perspectivas dos vazios urbanos e das edificações, que formam interessantes jogos volumétricos.
Orientador - Giovanni Di Prete Campari
Escola - Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, São Paulo


O projeto objetiva revitalizar áreas degradadas da cidade através da reintegração de espaços residuais à população. Sugere a reestruturação do desenho urbano e a inserção de esplanadas, praças e estruturas capazes de dinamizar e gerar maior coesão espacial e social. Aborda, com propriedade, as diversas escalas urbanas que configuram a cidade.
Orientador - Fabio Mariz Gonçalves
Escola - Universidade de São Paulo, São Paulo
Um objeto afirmativo surge em meio à conurbação. A dinamicidade da composição dilui a massa edificada, aproximando-a da escala humana. A expressão volumétrica apreende o olhar e sua centralidade promove um diálogo com outras edificações, transcendendo o jogo formal a favor de escalas referenciais, que contribuem para a melhoria da cena cotidiana.
Orientador - Alexandre de Siqueira Cafcalas
Escola - Centro Universitário Fiam/Faam, São Paulo


Projeto de grande generosidade e gentileza urbana. O autor articula as diversas escalas por meio da integração das atividades que constituem o tecido urbano existente, em torno da reestruturação do transporte público. O edifício presta-se como instrumento de revitalização da região, como marco referencial a integrar a paisagem construída da cidade.
Orientador - José Roberto Gomes de Soutello
Escola - Universidade Católica de Santos, Santos, SP
A disposição dos volumes assentados sobre a quadra, agora esplanada, franqueia o livre caminhar, unindo as ruas do entorno na extensão das calçadas. De um lado, um edifício horizontal equilibra a inquietude compositiva de dois outros, unidos por uma praça-átrio e pela identidade plástica. Os vazios estabelecem também vínculos com os espaços verticais.
Orientador - José Roberto Gomes de Soutello
Escola - Universidade Católica de Santos, Santos, SP


Vale ressaltar a preocupação social do autor ao propor um protótipo padrão, uma unidade itinerante com vistas à prestação de serviços à comunidade. A proposta configura grande habilidade e entendimento do desenho industrial pelo autor, na articulação entre as partes e no expressivo valor estético do projeto.
Orientador - Evandro Fiorin
Escola - Universidade Estadual Paulista (Unesp), Presidente Prudente, SP
O tema está condizente com a crescente demanda da sociedade por habitações de interesse social. O autor demonstra maturidade na produção de novas soluções arquitetônicas, articula com habilidade unidades padronizadas e moduladas que, integradas, configuram um conjunto habitacional de relevante expressão formal e significativa unidade plástica.
Orientador - Marcos Favero
Escola - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro


O trabalho sugere a requalificação urbana através da recuperação de diversos locais na região de estudo. Aborda a água como eixo central e, com discurso inovador, traz diversos novos usos com bom programa para a área em estudo. Demonstra clara e corretamente a preocupação com a utilização desse recurso natural em prol da requalificação da região.
Orientador - Rogério Almenara Ribeiro e Milton Esteves Junior
Escola - Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória
Uma Unidade Urbana Autônoma para se Viver, Estudar e Trabalhar
Proposição de escala macro, cuja complexidade dos arranjos funcionais e seus adensamentos faz surgir uma unidade autônoma de vizinhança. Impõe, enquanto escala compositiva, um marco na paisagem. A proposta indica um olhar de contemporaneidade para com as soluções técnico-estruturais e com a interface das questões ambientais.
Orientador - Ruy Rocha Filho
Escola - Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Goiás


Projeto definido essencialmente por grandes empenas de concreto que encerram e delimitam a composição formal. Revela a dicotomia entre a relação equilibrada das partes que definem a massa edificada e a leveza da construção em balanço sobre o solo. O trabalho confere plasticidade articulada à estrutura como expressão da arquitetura.
Orientador - Ana Maria Passos Mota Santos
Escola - Centro Universitário de Brasília (Uniceub), Brasília
O projeto se destaca pela força e pela expressão formal da composição. Ressalte-se a maturidade do autor na caracterização dos espaços internos condizentes com o tema, cujo tratamento inspira a meditação e a introspecção.
Orientador - Wanderson Duarte de Sousa Garcia
Escola - Centro Universitário do Leste de Minas Gerais, Coronel Fabriciano, MG

Esta edição do Opera Prima contou com a participação de 397 trabalhos de 126 cursos de arquitetura, sendo 104 projetos provenientes da Região 1 (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná), 140 da Região 2 (São Paulo), 33 da Região 3 (Espírito Santo e Rio de Janeiro), 47 da Região 4 (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe) e 73 da Região 5 (Acre, Amapá, Amazonas, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins).
O julgamento ocorreu entre 14 e 16 de junho na sede do IAB/SP e, na primeira etapa, selecionaram-se cem trabalhos, dos quais 25 foram classificados para a fase final do julgamento. O júri foi composto pelos arquitetos Edson Fioreti (ES), Cláudio Manguinho (PE), Igor Campos (DF), João Honório de Mello Filho (SP) - em substituição a Beatriz Giorgi - e João Virmond Suplicy Neto (PR) - em substituição a Claudionor Beatrice. Os consultores do concurso foram os arquitetos Edson Elito e Pedro Antonio Galvão Cury, do IAB.
| Regiões | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | Total |
| Escolas participantes | 33 | 41 | 12 | 13 | 27 | 126 |
| Trabalhos inscritos | 104 | 140 | 33 | 47 | 73 | 397 |
| Finalistas | 28 | 39 | 11 | 6 | 16 | 100 |
| Premiados | 1 | 3 | 0 | 0 | 1 | 5 |
| Menções | 6 | 9 | 2 | 0 | 3 | 20 |



