| Patrimônio histórico e cidadania
são os universos conceituais deste trabalho, que trata
da recuperação de antigo sobrado em Niterói,
RJ. Denominada pela autora Cortiço 27, uma referência
ao sítio da edificação, a casa abriga atualmente
20 moradores, além de outras 43 pessoas em precárias
construções no fundo do lote. Degradação
natural, vandalismo e um incêndio, ocorrido em 2002, são
os elementos configuradores do atual estado insalubre da moradia,
que, em termos arquitetônicos, resume-se a paredes, vãos,
uma escada de madeira e diversas intervenções
provisórias, feitas sem nenhum critério de conforto
ambiental.
Entre o rigor preservacionista e o diálogo com os
moradores, a autora elegeu como diretriz o segundo caminho.
Após várias visitas ao local, foi elaborado
um preciso programa de necessidades, que, entre outras coisas,
orientou a ocupação de cada um dos dois pisos
do sobrado por sete famílias.
Para isso, a entrada foi transferida para a lateral do lote,
de forma a configurar um pátio aberto para o acesso
às diversas unidades habitacionais. No pavimento superior,
tal lógica orientou a inserção de uma
varanda metálica, encostada na edificação
original, estabelecendo um diálogo formal entre a
história do sobrado e a atual intervenção.
Junto à varanda, algumas janelas deram lugar a portas
de acesso a unidades de um ou dois dormitórios. Também
a reconstrução do telhado leva em consideração
a inserção de três torres de ventilação
natural, desenho que enfrenta a pouca largura do edifício.
Parecer do júri
O projeto destaca-se pela exemplaridade da proposta de recuperação
e restauro de edificação para habitação
de população excluída. Porém,
o valor primordial está na qualidade da intervenção
física, na escala e na volumetria preservadas, nos
acréscimos arquitetonicamente válidos e no desenho
harmônico
e criterioso da relação entre a história
e a contemporaneidade.
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