Cirque de Voyage: Arquitetura para um Circo Itinerante

Autora - Lorena Faria Lima
Orientador - Paulo Raposo Andrade
Escola - Universidade Federal de Pernambuco, Recife
 

Com algumas centenas de chapas de piso, tubos metálicos e metros quadrados de lona é possível montar um circo itinerante. Essa é a conclusão do trabalho Cirque de Voyage, que partiu da pesquisa histórica sobre as diferentes formas de reunião em torno de espetáculos coletivos e da observação de estruturas desmontáveis, a exemplo dos andaimes, para propor uma nova tipologia circense.

O resgate formal de arenas e teatros milenares apontou como referência a distribuição da platéia em forma de anéis periféricos, com caixa de palco centralizada. Ao mesmo tempo, a predominância aérea de boa parte das apresentações circenses contemporâneas conferiu ao projeto a liberdade de posicionar em cotas elevadas essas galerias destinadas aos espectadores.

A autora propõe, então, a entrada no circo através de extensa rampa, o que equivale a dizer que o pavimento térreo é dedicado a áreas operacionais e camarins.

Toda a estrutura é realizada por tubos metálicos, que têm cinco centímetros de diâmetro, assim como por sistemas de encaixe e contraventamento horizontais e diagonais extremamente simples.

Nas faces externas, as chamadas torres verticais que conformam a volumetria de um cubo são vedadas por lona translúcida, o que garante a sutil interação com a paisagem do entorno. Já nas áreas internas, os vãos quadrados de cinco metros de piso são formados, cada um, por quatro placas de piso metálico.

A autora ressalta o partido monolítico como forma de diálogo do programa com as diversas morfologias e realidades locais temporariamente em contato com o circo.

Parecer do júri

Um tema inédito, onde o autor soube mostrar plasticamente uma solução muito bem resolvida para uma atividade milenar, que nunca fugiu da sua forma original. Este projeto é um exemplo bem claro de que o arquiteto não é um especialista. Cada projeto é um desafio, seja ele um lugar comum ou uma proposta inédita, o que cada vez mais reforça a importância da necessidade da participação de um arquiteto.

 
 
 
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