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Com algumas centenas de chapas de piso, tubos metálicos
e metros quadrados de lona é possível montar
um circo itinerante. Essa é a conclusão do trabalho
Cirque de Voyage, que partiu da pesquisa histórica
sobre as diferentes formas de reunião em torno de espetáculos
coletivos e da observação de estruturas desmontáveis,
a exemplo dos andaimes, para propor uma nova tipologia circense.
O resgate formal de arenas e teatros milenares apontou como
referência a distribuição da platéia
em forma de anéis periféricos, com caixa de
palco centralizada. Ao mesmo tempo, a predominância
aérea de boa parte das apresentações
circenses contemporâneas conferiu ao projeto a liberdade
de posicionar em cotas elevadas essas galerias destinadas
aos espectadores.
A autora propõe, então, a entrada no circo através
de extensa rampa, o que equivale a dizer que o pavimento térreo
é dedicado a áreas operacionais e camarins.
Toda a estrutura é realizada por tubos metálicos,
que têm cinco centímetros de diâmetro,
assim como por sistemas de encaixe e contraventamento horizontais
e diagonais extremamente simples.
Nas faces externas, as chamadas torres verticais que conformam
a volumetria de um cubo são vedadas por lona translúcida,
o que garante a sutil interação com a paisagem
do entorno. Já nas áreas internas, os vãos
quadrados de cinco metros de piso são formados, cada
um, por quatro placas de piso metálico.
A autora ressalta o partido monolítico como forma de
diálogo do programa com as diversas morfologias e realidades
locais temporariamente em contato com o circo.
Parecer do júri
Um tema inédito, onde o autor soube mostrar plasticamente
uma solução muito bem resolvida para uma atividade
milenar, que nunca fugiu da sua forma original. Este projeto
é um exemplo bem claro de que o arquiteto não
é um especialista. Cada projeto é um desafio,
seja ele um lugar comum ou uma proposta inédita, o
que cada vez mais reforça a importância da necessidade
da participação de um arquiteto.
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