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O trabalho trata da recuperação de uma quadra
central de Belo Horizonte, de forma a abri-la ao uso público.
Além da composição do programa, que integra
atividades de museu, teatro e centro de ensino, o autor foi
buscar na uniformização do gabarito e nos materiais
semitransparentes os elementos de conexão entre as
duas edificações históricas, existentes
no lote, e as três novas construções propostas.
Destaca-se, nesse sentido, a criação de praça
central, que assume o papel de transposições,
acessos e conexões dos quatro vértices edificados.
Elevada cerca de um metro em relação à
cota do passeio público, ela é conformada por
planos inclinados, que ora funcionam como rampas, ora recobrem
ambientes térreos, como, por exemplo, as salas expositivas
do museu. Com esse perfil, ela foi denominada, pelo autor,
praça-origami.
É, assim, através da construção
de nova topografia, irregular, que a praça se distingue
dos espaços abertos das edificações que
a cercam sem a necessidade, contudo, de criar barreiras visuais.
Trata-se, portanto, de um espaço distinto, dedicado
aos variados usos pelo programa.
A idéia da centralidade orientou também o partido
e a volumetria dos novos prédios, que possuem faces
devassadas ou semitransparentes voltadas para a praça.
O museu é um bloco com grande área aberta central,
delimitada por planos verticais e teto constituídos
por elementos vazados. O teatro tem a platéia inclinada
suspensa sobre o andar térreo. Na escola, a localização
periférica das rampas de circulação atenua
também o limite entre o edifício e a área
livre.
Parecer do júri
A temática da preservação foi trabalhada
em toda a sua complexidade de forma clara e objetiva, e a
fragmentação intencional dos volumes, corretamente
implantados na quadra, rompe com as abordagens usualmente
adotadas para a problemática. Ao “potencializar” a
vida urbana, através do resgate de áreas esquecidas
de nossas metrópoles, o trabalho atinge sua plenitude
como obra arquitetônica.
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