Cenares - Centro de Artes Espontâneas

Autor - Igor Macedo de Araújo
Orientadora - Maria Lúcia Malard
Escola - Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte
 

O trabalho trata da recuperação de uma quadra central de Belo Horizonte, de forma a abri-la ao uso público. Além da composição do programa, que integra atividades de museu, teatro e centro de ensino, o autor foi buscar na uniformização do gabarito e nos materiais semitransparentes os elementos de conexão entre as duas edificações históricas, existentes no lote, e as três novas construções propostas.

Destaca-se, nesse sentido, a criação de praça central, que assume o papel de transposições, acessos e conexões dos quatro vértices edificados. Elevada cerca de um metro em relação à cota do passeio público, ela é conformada por planos inclinados, que ora funcionam como rampas, ora recobrem ambientes térreos, como, por exemplo, as salas expositivas do museu. Com esse perfil, ela foi denominada, pelo autor, praça-origami.

É, assim, através da construção de nova topografia, irregular, que a praça se distingue dos espaços abertos das edificações que a cercam sem a necessidade, contudo, de criar barreiras visuais. Trata-se, portanto, de um espaço distinto, dedicado aos variados usos pelo programa.

A idéia da centralidade orientou também o partido e a volumetria dos novos prédios, que possuem faces devassadas ou semitransparentes voltadas para a praça. O museu é um bloco com grande área aberta central, delimitada por planos verticais e teto constituídos por elementos vazados. O teatro tem a platéia inclinada suspensa sobre o andar térreo. Na escola, a localização periférica das rampas de circulação atenua também o limite entre o edifício e a área livre.

Parecer do júri

A temática da preservação foi trabalhada em toda a sua complexidade de forma clara e objetiva, e a fragmentação intencional dos volumes, corretamente implantados na quadra, rompe com as abordagens usualmente adotadas para a problemática. Ao “potencializar” a vida urbana, através do resgate de áreas esquecidas de nossas metrópoles, o trabalho atinge sua plenitude como obra arquitetônica.

 
 
 
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