Sinagoga

VENCEDORES DO OPERA PRIMA 2008

Sinagoga
A pequena escala e a especificidade da arquitetura ganham fôlego com este projeto. Muitas são as propostas acadêmicas voltadas ao enfrentamento de grandes áreas, das contradições advindas da condição urbana de existência, mas aqui o autor propõe uma parada para reflexão sobre materiais, volumes, proporções, fluxos, posicionamentos, a escala do edifício.

A começar pela implantação da sinagoga - programa restritivo por natureza, que demanda silêncio e distanciamento - em uma praça, local de passagem. Através de programa subterrâneo, na cota - 3,50 metros, cria-se o distanciamento necessário entre as áreas sacras, de estudo e encontro, e o domínio público. Distanciamento, contudo, que não prejudica este último, dado que a laje de cobertura de boa parte do pavimento inferior gera a praça linear e plana. Nela, emerge somente a torre de 18 x 18 metros do templo, enquadrada por vazios e espelho d’água, embora o conjunto edificado tenha implantação da ordem de 1,8 mil metros quadrados.

A setorização é concêntrica, em anéis lineares, o que cria grandes superfícies horizontais e verticais, que interagem com a iluminação natural direta, indireta e também com a luz artificial. Somem-se os reflexos da água que envolve o espaço sacro e está criada a ambiência religiosa requerida pelo programa. O autor revela que foi utilizado como elemento central do sistema de proporções da arquitetura o número 9, por representar as verdades escritas no livro sagrado.



Autor - Fernando Fisbein
Orientador - Marco Cezar Dudeque
Escola - Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Curitiba
Parecer do júri
Maturidade foi a palavra que o júri definiu como a tônica do projeto da sinagoga. Com implantação exemplar, garante o distanciamento necessário para a observação do cubo ou do espaço sacro. A escala, a simplicidade da forma, a hierarquia dos acessos e a ordenação espacial criam a identidade da edificação, objetivo simbólico de “preservar a identidade” do povo judeu. A correta utilização da luz, da água, dos espaços e materiais produz o extraordinário e o sagrado, sensações essenciais na vivência do espaço proposto.