BCMF Arquitetos
Rio 2016
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- 15 de Março de 2010. Visitas: 20.486
Além das medalhas e recordes que entram para a história do esporte, os Jogos Olímpicos costumam deixar sua marca nas cidades-sedes, com a herança dos conjuntos de edificações e equipamentos onde se realizam as competições. Algumas cidades aproveitaram para promover verdadeiras renovações urbanísticas - um dos casos mais emblemáticos é Barcelona, que abrigou o evento em 1992. Em outras, o impacto durou pouco mais que o intervalo de tempo dos jogos. E qual será o legado urbanístico-arquitetônico que a Olimpíada de 2016 deixará para o Rio de Janeiro?
Segundo o plano oficial da candidatura carioca, esse legado terá, na maior parte das instalações, o DNA arquitetônico do escritório BCMF Arquitetos, de Belo Horizonte. Bruno Campos, Marcelo Fontes e Sílvio Todeschi são os autores dos projetos de arquitetura e Carlos Teixeira desenvolveu o paisagismo. Ficaram responsáveis pelo gerenciamento e pela coordenação geral dos trabalhos Alexandre Techima (diretor de infraestrutura), Elly Resende (gerente geral), Ângela Ferreira (gerente de planejamento arquitetônico) e Rodrigo Garcia (gerente de planejamento operacional do comitê da candidatura).
Um dos sócios do BCMF, Bruno Campos (leia entrevista nesta edição) informa que o escritório foi contratado pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) após processo seletivo público realizado pela instituição no primeiro semestre de 2008 e aberto às empresas da área. “Nós nos habilitamos em função do currículo e do know-how adquirido em diversos projetos de instalações esportivas e de grande escala desenvolvidos nos últimos anos. Fizemos a proposta técnica e de preço que melhor atendia às regras estabelecidas”, argumenta.
Campos conta que, a partir da escolha, os sócios decidiram fechar o escritório para novos clientes e dedicar-se exclusivamente aos projetos da candidatura à sede da Olimpíada. “Ficamos por conta dessa proposta praticamente um ano, trabalhando em estreita colaboração com a equipe Rio 2016 e seus consultores internacionais [EKS/JBD], atendendo a suas diretrizes e pré-requisitos”, revela.
O arquiteto chama a atenção para o fato de que o projeto de instalações esportivas do porte da Olimpíada exige, antes de tudo, o atendimento a pré-requisitos, regulamentos e orientações de dezenas de instituições nacionais e internacionais. Uma das particularidades, ele explica, é ter que satisfazer exigências e demandas para a ocupação por eventos internacionais de curta duração e ao mesmo tempo permanecer como um legado viável em termos de manutenção e gerenciamento, funcionando posteriormente como clube de treinamento, escola esportiva etc.
O escritório procurou valorizar e enfatizar a paisagem do Rio de Janeiro, relata Campos. “Dessa forma, diferentemente da abordagem de estruturas icônicas adotada em Pequim, procuramos privilegiar a integração das instalações com o contexto urbano e natural da cidade e a relação dos edifícios entre si. A tradição da arquitetura moderna carioca, do período dos anos 50, envolvida pela natureza e pelo paisagismo exuberante, é uma referência constante para nós, não só neste projeto, mas desde sempre”, conclui o arquiteto.
Edição 359 Janeiro de 2009


