Os projetos vistos no restante do mundo nos apontam para uma grande falha - ao meu ver - dos projetistas do Brasil: a falta de uma identidade nos projetos nacionais. Na maioria das vezes o que vemos ser elaborado por aqui, são obras ou projetos que já existem semelhantes em outros países, e que lá já foram concretizados (digo, já serem uma realidade) até mesmo a vários anos. Pior não é isso! Fico chocado em ver conjuntos de prédios com pouco mais de vinte andares serem chamados ridiculamente de "torres". Ora, o que para muitos moradores de conjuntos habitacionais populares de Chicago e de Nova Iorque não passam de escória, aqui chamamos talvez de "luxuosas torres executivas"! Não estou gerando uma polêmica a respeito da altura em si desses prédios, nem de seu grau de charme ou glamour. Mas sim, de um elevado e inadequado "status" por algo tão simplório. E que esses edifícios ainda, na maioria das vezes, estão recobertos exageradamente por materiais metálicos ou de vidro. O que ao meu ver, desqualifica ainda mais o intento inicial do projeto de ser algo que apresente o máximo conforto. Geralmente se busca valorizar o empreendimento com esses materiais pois são atrativos aos olhos. Nada contra aos materiais, mas em se tratar de um país tropical como é o nosso, obras com materiais que relativamente absorvem e retém muito calor (específico), como é o caso dos metais, do vidro e do plástico, deveriam ser descartadas.
Deixo à disposição todo este comentário para reflexão questionando será que nossos projetos estão somente seguindo tendências de padrões visuais que realmente são obrigatórios culturalmente mas não nos propiciam um custo-benefício mais elevado, ou, aceitamos a tudo isso conscientemente mas deixamos a desejar por todas estas relevâncias que até mesmo poderiam nos trazer maior satisfação, prestígio e até mesmo conforto?
Sei que muitos projetos residenciais são meras cópias com fachadas modificadas. A newsletter do mês de abril da Associação Brasileira de Design, demonstra certa preocupação com o desemprego nas áreas de arquitetura e design de interiores devido as ofertas de serviços grátis pelas empresas de construção civil e lojas de decoração. As leis que regulamentam a profissão de arquitetura deveriam coibir todos esses abusos e o CREA deve ser mais atuante quanto a todos problemas que envolvem o exercício da profissão. Infelizmente não posso cobrar o mesmo da ABD enquanto não for aprovado a regulamentação do curso de designer de interiores. É absurdo que o curso nunca foi regulamentado. Como pode existir o estabelecimento educacional devidamente autorizado pelo MEC e não regulamentar a profissão? Direitos e deveres são palavras escritas nas leis mas que no Brasil infelizmente não são cumpridas. Aprendemos a solicitar nossos direitos e desprezamos os deveres escritos na lei. Enfim, o que eu quero dizer é que não conhecendo e respeitando a lei que regulamenta a profissão muitos projetos caixotes vão encher o solo brasileiro e é uma lástima porque não veremos projetos arquitetônicos inteligentes, ou seja projetos que aproveitem as situações naturais do nosso país como a luz natural, o vento suave, os morros, vales, etc. Os projetos populares poderiam ser mais bonitos e confortáveis e os prédios da classe média menos caixotes.
Na minha opinião a Arquitetura reflete a situação financeira, social e cultural de um povo. O Brasil tem como forte característica a miscigenação das raças, culturas e valores, portanto é de certo modo austero afirmar que, a Arquitetura Brasileira não possui identidade. A Identidade da Arquitetura Brasileira, penso eu, que é composta por múltiplas identidades, pois está ligada a sua diversidade financeira, social e cultural.
Uma torre é um edifício cuja altura é superior às duas restantes dimensões de forma substancial. Por isso sim! O Brasil tem imensas torres, seja RJ, SP, ou Maceió. Questões de nobreza, importância, ou sofisticação vem do lado de cada um, mais ou menos nobre a questão é pessoal.
Concordo e admiro a iniciativa.
Devemos buscar as nossas características, do nosso país.
Assino em baixo.
Amigo Elbair, é a primeira vez que vejo alguém falar tudo! Parabéns, não comentarei mais nada. Nossa arquitetura já está se desfazendo neste momento no resto do planeta. Não inventamos nada, basta vermos os concursos internacionais e até mesmo os nacionais que geralmente são vencidos por estrangeiros. Por exemplo: o do Museu da Imagem e do Som RJ, vencido por um escritório norte americano. Nem o carnaval, nem o rock. Você disse tudo! Precisamos repensar nossa forma de projetar.
Abraços.
Gostaria de começar citando um parágrafo de um texto escrito pelo arquiteto José Conceição Afonso.
"Porque não pensar numa arquitetura global dentro do local e local dentro do global. Uma arquitetura única para cada lugar dentro do pensamento universal..."
A identidade arquitetônica se perde a partir do momento em que deixamos as tendências de outras culturas se infiltrarem nas nossas. Existirá o momento em que isso será favorável e o momento em que isso desvalorizará nossos projetos no sentido cultural é claro. Pois o grande problema esta aí: o sistema político e o mercado imobiliário são o grande vilão da perda de identidade, países desenvolvidos ditam as regras e desenvolvem tecnologias que são implantadas muitas vezes sem sentido. A cultura se desenvolve de uma maneira diferente em cada lugar do mundo e muitas coisas estão envolvidas na formulação destas culturas como o clima e a religião, e isso são um dos pontos fundamentais para o desenvolvimento de uma arquitetura. A arquitetura moderna no Brasil construída no período do pós-guerra é um grande exemplo de identidade algo feito e criado por brasileiros e que confirma o parágrafo citado onde arquitetos brasileiros absorveram conhecimentos e tecnologias de outras culturas transformando no maior exemplo da arquitetura brasileira.
Como diria algum comediante de plantão: não concordo nem discordo, muito pelo contrário!
Existe sempre uma segunda opinião em tudo que afirmamos, sobretudo com os eternamente polêmicos assuntos arquitetônicos. Quanto a falta de identidade nos projetos nacionais, concordo em partes, pois já andei por vários países e como arquiteto, amante da arquitetura que sou, sempre acabei voltando com mais fotos de edificações do que de gente ou pontos turísticos. Nesses registros pude reconhecer que nossas edificações são diferentes, sim, com a cara de Brasil. Porém não quero dizer desse modo que nossa arquitetura seja ótima, não, falta-lhe um algo a mais, uma personalidade mais forte, ou uma característica marcante que a distingua e destaque-a. Mas como tudo está interligado, não poderia ser diferente, afinal somos sim um país ainda em desenvolvimento, não podemos negar isso. Como querer que o espelho reflita outra realidade senão aquela crua e verdadeira? Nossas cidades, seus edifícios e edificações demonstram o que somos enquanto civilização brasileira. Há muito que melhorar nisso tudo, até pensarmos numa identidade própria.
Falta de identidade da arquitetura brasileira?
Desde a construção de Brasília, os arquitetos brasileiros só sabem projetar "caixas (cada vez maiores) de concreto", vê-se pelos resultados dos concursos dos últimos anos. Não importa o tema, lá estará: uma grande e claustrofóbica caixa de concreto!
Tanto a mentalidade dos arquitetos (me incluo), quantos a dos jurados parece indentificar uma "única" identidade plástica para definir "arquitetura" (compare-se recentemente os finalistas do projeto de revitalização do Teatro Castro Alves, parecem vários estudos de uma mesma proposta).
Não faço críticas aos profissionais, nem a quaisquer julgamentos ou concursos, apenas expresso o pensamento de que o Brasil ainda não entrou no "pluralismo" contemporâneo e globalizado.
Talvez devessemos "desenraizar" um pouco desse "purismo minimalista" (me incluo novamente), a fim de obtermos um avanço na "nossa" própria arquitetura.
Quanto ao "descarte" das obras em metal, vidro e plástico, talvez devamos difundir melhor o conceito de "sustentabilidade"?! Basta saber usar, ou então, viva a devastação das florestas e minérios brasileiros!
Uma professora da disciplina projeto de arquitetura me disse em certa ocasião que o problema da falta de identidade em projetos no Brasil acontece por que o nosso país é de terceiro mundo e não temos dinheiro para investir em super projetos. Será que a falta de dinheiro tem a ver com identidade e falta de criatividade ou muito dinheiro incentiva a simplesmente copiar o que já existe de grandioso no resto do mundo?