21 
usuários online
 







Fórum ARCOWEB

Tópico

Salário de professor de arquitetura

Qual o salário médio de um professor de arquitetura e urbanismo com alto nível de especialização, mestrado e doutorado no Brasil?
Existe diferença salarial entre as universidades públicas e privadas?
Como varia a faixa salarial?
É de acordo com as categorias Professor Substituto, Assistente, Adjunto, Titular ou conforme o nível de especialização Mestre, Doutor, Pós-Doutor?
O motivo da minha pergunta é que recentemente participei de uma seleção para a vaga de professor substituto numa das maiores universidades federais do nordeste e constatei que o salário oferecido era de aproximadamente R940,00 para 40 horas semanais. Fiquei espantado, ao perceber que o valor ofertado correspondia à metade do que eu recebia trabalhando como estagiário em um escritório de arquitetura com a mesma carga horária.

Jorge Veronese, Arquiteto - São Paulo

Comentários

Páginas:
1-10

Em arquitetura e urbanismo, as diferenças salariais de professores não são significativas entre as instituições públicas e privadas. As diferenças estão no tipo de enquadramento e na quantidade de aulas dadas.
Quanto ao tipo enquadramento, é regra para os professores das públicas a maldita dedicação exclusiva. Isso quer dizer que você não pode ter nenhum outro emprego formal nem participação em sociedade limitada ou anônima, ou seja, você não pode trabalhar como professor em outra instituição e nem como arquiteto em um escritório legalizado – nem mesmo pode ser sócio de um escritório de arquitetura. São permitidos trabalhos de consultoria em número limitado por ano e só.
É claro que não é segredo nenhum que muitos preferem dar a entender que não sabem do que se trata. Uma rápida observada na evolução patrimonial de alguns professores das públicas já deixa bem claro que muitos não seguem a cartilha a risca.
Foi esta a escolha das universidades federais brasileiras e o preço (bem caro, diga-se) já está sendo pago em amargas parcelas: nestas instituições, os professores praticamente não conhecem a realidade da profissão de arquiteto e urbanista. Dá para imaginar um cirurgião que apenas discursa sobre cirurgia? Em arquitetura parece ser perfeitamente aceitável um arquiteto que apenas fala sobre arquitetura. Fazer o quê?
Quanto a quantidade de aulas, nas públicas os professores cumprem carga horária menor para sala de aula, pois a pesquisa e extensão é priorizada. Já nas privadas o bicho literalmente pega.

Edmar Ferreira Junior, Professor - Minas Gerais

Jorge Veronese, e também Giovany Miranda, que querem ser professores de arquitetura, primeiro tratem de obter o máximo de titulação possível, no mínimo doutorado, mas não deixe nunca de trabalhar no mercado com projetos de arquitetura, seja através de um escritório particular como autônomo, seja na área pública como empregado que quer fazer um serviço sério. Exercer a arquitetura na prática pode ser feito paralelamente com os seus estudos acadêmicos de complementação da titulação de arquiteto. Com mais uns 5 anos no mínimo de dedicação, após a conclusão do curso, terão a bagagem necessária para serem bons professores se realmente gostam de ensinar, porém nestas condições é necessário grande esforço e espírito de luta. Se realmente está no sangue ensinar, preocupem-se primeiro com a formação para tal exercício profissional, pois a profissão de professor atualmente está nivelado por baixo no Brasil, depois vá a luta para obter melhores salários no ramo, conforme explicou bem o nosso colega Juliano Geraldi. A cristalina conclusão que podemos tirar é que somente bons arquitetos com bagagem são capazes de ensinar e formar os novos arquitetos com condição de serem profissionais competentes na área. A paixão pela arquitetura realmente vai fazer a diferença para aqueles arquitetos que tem o talento para ensinar, não basta só a dedicação, há que ter também o espírito de sacrifício para ensinar bem nas universidades do país hoje. Desejo boa sorte!

Paulo César Gonçalves Ferreira, Arquiteto - Minas Gerais

Já trabalho nesta área há 20 anos, sem ter, ainda, conseguido concluir minha faculdade. No entanto, após cursar três semestres, comparar os "ensinamentos" da sala de aulas teóricas com tudo que já vi, li, ouvi e já projetei, só posso lamentar que, parte daqueles que realmente sabem arquitetura, estão projetando e os que não sabem, estão dando aulas, com baixíssima qualidade. Infelizmente, a grande preocupação de muitos, é o diploma e não a aquisição de conhecimento.
Está muito fácil, aliás, dar aulas. Na maioria dos casos, encomenda-se dos alunos que preparem e apresentem seminários. Com isso, nós mesmos, os mais interessados, damos aulas aos mais novos e inexperientes das salas de aulas.

Carlos Arkeiro, Projetista - São Paulo

Senhores(as) amigos foristas do ARCOWEB.

Agradecemos a presença de todos.
Devido a alteração da interface e do modo de inserção, solicitamos uma rápida revisão de suas mensagens para verificar se estão corretas quanto a:
Nome.
Sobrenome.
Profissão.
Estado.
Em caso de alguma alteração:
Clique no botão “Contato com o ARCOWEB” (menu flutuante a esquerda).
Escreva o título do tópico.
Escreva o que deve ser alterado.
PS. Por favor, façam uma rápida leitura das novas regras do fórum e bons debates.

Obrigado
Rubens Mungioli
Gerente WEB

Rubens Mungioli, Gerente do portal ARCOWEB - São Paulo

Aqui no Brasil falta mérito em tudo e nas universidades não poderia ser diferente. Não há interesse das faculdades em "caçar" os melhores profissionais para transmitir seus conhecimentos aos alunos, porque sai caro e, como também o corpo discente não exige melhores professores, vive-se neste "faz de conta" somado ao velho corporativismo.
Já dizia Cleber de Aquino, consultor profissional: o brasileiro prefere os que dizem sim senhor, e não os provocadores e inteligentes.

Eleazar Magalhães, Arquiteto - São Paulo

Jorge, duas coisas principais definem o salário dos professores:
a primeira é a titulação do profissional, nunca vi professor doutor com dedicação exclusiva ganhar menos de R6.000,00 - normalmente, quando a dedicação deve ser usada para pesquisa ao invés de ensino, essa base pula para 8.000/9.000
a outra é o enquadramento. Veja que estamos falando de professor substituto. Isso normalmente é usado para "tapar um buraco" durante um semestre ou dois de alguma falta emergencial, porém dificilmente o professor vai ficar realmente 40 horas em sala de aula e não possui dedicação exclusiva, o que deixa tempo livre para exercer outra atividade, complementando o salário.
Dou dois exemplos que mostram isso:
a UFPR Curitiba - Paraná lançou concurso para 4 vagas de professor ASSISTENTE com dedicação exclusiva e titulação mínima de mestrado, salário base: R3.990. Outros cursos que estão exigindo doutorado possuem salários de R6.500,00
a UNESP Presidente Prudente - São Paulo lançou teste seletivo também para 4 vagas de professor SUBSTITUTO com carga horária de 24h semanais e titulação mínima de mestrado, salário base: R1.900,00 o dobro do seu exemplo e com quase metade da carga horária.
Por isso, digo duas coisas para quem pensa no magistério: tenha no mínimo mestrado e lembre-se que cargos sem dedicação exclusiva já são feitos para que o profissional complemente seus ganhos com outras coisas ou com um escritório ou até mesmo com aulas em outras universidades.
Por último, existe uma pequena tendência das universidades públicas pagarem melhor, a não ser no caso de pesquisa e professores para cursos de mestrado e doutorado, onde existe certa equivalência.

Juliano Geraldi, Arquiteto - São Paulo

E a vida de professor tem que ser, no Brasil, essencialmente vocação, pois não existe uma cultura desde o berço para a educação plena e digna.

Edson Roland F. da Silva, Arquiteto - São Paulo

Eu estou pensando seriamente, depois que me formar, em ser professor de arquitetura e urbanismo, pelo amor que tenho por arquitetura e em querer passar conhecimento para outras pessoas, terei que viver desta profissão. Este debate me assusta um pouco, pois gostaria muito de ter uma carreira acadêmica.

Giovany Miranda, Arquiteto - São Paulo

Infelizmente, existem os professores que fazem que ensinam e alunos que fazem que aprendem, não sabendo que o mercado está competitivo, e não é o diploma que faz a diferença, tem quer ser realmente ótimo naquilo que faz. Meus pêsames aos alunos que fazem de conta que aprenderam.

Rivanilde Cardoso Araujo Feitoza, Arquiteto - São Paulo

Pois é, com essa grana toda, os professores experientes fogem. Uma babá ganha mais que um professor.
Sobram insistentes professores que colocam arquitetura acima de tudo e ensinam independentemente do salário. E a arquitetura depende destas pessoas para formar alunos com um mínimo de conhecimento, mas o que vemos são faculdades, coordenadores que não exigem do professor porque sabem que ele não recebe à altura da sua função, então muitos relaxam. A maioria dos alunos gosta, e o jogo do fingimento está feito. O professor finge que ensina, o aluno finge que aprende. Os prédios, com suas fachadas decoradas vão aparecendo, os neoclássicos modernosos, etc, etc. Mas insistimos, pois faz parte do nosso DNA.

Marcelo Santos, Arquiteto - São Paulo
Páginas:
1-10

ANTES DE POSTAR LEIA AS
REGRAS DE USO DO FÓRUM
O objetivo do Fórum ARCOWEB é disseminar conhecimento promovendo debates éticos e democráticos sobre arquitetura, urbanismo, design, tecnologias ou outros assuntos ligados à área.
1. não nos responsabilizamos pelos comentários dos freqüentadores do Fórum;
2. não nos responsabilizamos por danos decorrentes do uso deste serviço perante usuários ou terceiros;
3. reservamo-nos o direito de, em qualquer tempo, modificar estas regras.

Atenção:
Com o objetivo de preservar a linguagem culta e a perfeita compreensão das mensagens, todos os textos passam pelo moderador do Fórum antes de serem publicados.
Podem ser simplesmente excluídas ou editadas em parte, se vierem:
a) com excesso de erros ortográficos e/ou gramaticais;
b) com excesso de sinais de expressão (!!! ??? ...);
c) com abreviações desnecessárias (vc tb pq rsrsrs);
e) escritas em letras maiúsculas apenas;
f) com textos excessivamente longos;
g) com ofensas pessoais.

Não serão publicadas mensagens:
1. com conteúdo ilegal ou que desrespeitem a privacidade alheia;
2. de cunho comercial explícito ou implícito;
3. fora do contexto do grupo escolhido.

Meu Comentário

Todos os campos são de preenchimento obrigatório

Referência em arquitetura
Direitos de reprodução reservados à ARCO Editorial Ltda.
Atualizado em: 08/09/2010