Senhores.
Gostaria de saber como vai a criação do bendito CAU?
Sou estudante de arquitetura do último semestre e observo que alguns profissionais tem opiniões radicais sobre a criação do CAU. A saída dos arquitetos do CREA deve ser muito bem pensada por todos os ângulos possíveis. Primeiro, a transição de um conselho para outro deve ser feita de forma suave, gradualmente para não afetar radicalmente a rotina dos profissionais, pois temos que nos lembrar que apesar dos problemas, o CREA, bem ou mal, é uma instituição com anos de experiência e que pelo menos nos fornece o mínimo de ordem no exercício profissional. Segundo,não podemos deixar de lado o fato de que o CREA regulamenta mais de 114 profissões nas áreas de engenharia, arquitetura, agronomia, geografia e técnicos. É impossivel, portanto, que todas essas sejam bem atendidas pelo sistema CONFEA/CREA. Não há estrutura disponível e a mistura de profissões acaba gerando problemas. Conselhos como o CRM, CRO e OAB são fortes porque tem apenas uma classe profissional para representar. Esses conselhos defendem a sociedade dos maus profissionais (papel que o CREA também exerce), sem esquecer de representar o profissional perante a sociedade. Nós, arquitetos, precisamos de representatividade no mercado. Alguém que venda a nossa profissão perante a sociedade, que mostre as pessoas que o arquiteto urbanista é tão importante quanto o médico e o advogado, afinal estamos lidando com a vida das pessoas. O caos nas cidades, o crescimento desordenado, pessoas que moram em áreas de risco morrendo em consequência das chuvas somos nós arquitetos que devemos propor soluções para tais problemas. O CAU se bem estruturado pode assumir o papel representar e fiscalizar o exercício da profissão. Mas, temos que ter em mente, que ele não será a solução de todos os problemas que temos com o CREA e que, um conselho forte, não nasce do dia para a noite. Levará tempo para que o CAU chegue no nível ideal para regulamentar a profissão de arquiteto urbanista.
Notem que irão criar o CAU para representar os Arquitetos mas certamente vocês ainda terão que pagar o IAB se quiserem participar de concursos públicos. Se um concurso é público deve ser aberto a todos aqueles que tenham interesse e não só para alguns que dispõe de verbas para pagar taxas impostas por uma entidade que deveria nos representar. Infelizmente, democracia é uma palavra muito nova no Brasil e comumente relacionada com se dizer o que se pensa porém, democracia, é muito mais bem definida por saber o que se quer.
Acredito na democracia, mas acho triste ver profissional contra o CAU. Concordo que o Crea tenha 70 anos de experiência, mas também afirmo que são 70 anos de preferência em engenharia. Estou no mercado apenas há 10 anos como profissional, mas neste tempo nunca tive ajuda do Crea, apenas problemas, listo alguns:
- 02 profIssionais falsos que estão na minha cidade se fazendo de arquitetos e o Crea não faz nada mesmo com 3 anos de denúncias minhas, profissionais inclusive entrando em obras de minha autoria.
- 01 engenheira civil que anuncia que dá assessoria em arquitetura sem ter cursado arquitetura. Agora vá você arquiteto dizer que dá assossoria em engenharia para ver o acontece.
- Um projeto meu, que sofreu acusação de um vizinho, teve um laudo pelo advogado do Crea dando parecer favorável ao vizinho só, por que, a vizinha era advogada e ligou diretamente para o advogado do Crea pedindo ajuda.
Ou seja, em 10 anos de profissão quando mais precisei do Crea nunca tive apóio. Agora me diga uma coisa:
- Vocês já viram advogado pagar taxa ao conselho por cada petição?
- Vocês já viram médico pagar taxa ao conselho por cada operação?
O Crea é um conselho de arrecadação, é um conselho que fiscaliza o profissional, mas não fiscaliza a profissão como deveria ser. Existem tantas profissões sobre o selo do Crea que fica impossível ser representado com dignidade. Você sabia que os cargos de profissional inspetor das delegacias do Crea são por indicação da diretoria geral e não por eleição? Herança de uma ditadura. E é assim que me sinto dentro do Crea numa ditadura onde, não adianta você pedir, solicitar, reclamar, me sinto sempre vigiado e nunca defendido. Acredito que o CAU seja uma oportunidade democrática de um início de mudança, até por que o Crea teve 70 anos para isto e não o fez, nem procura fazer e nem o fará.
Creio que uma análise superficial das nossas cidades e edificações (de interesse público e social) mostra que a arquitetura e urbanismo não é um "bem" disponível à sociedade. Política urbana, educacional, de saúde, criação de equipamentos públicos e sociais são definidos de acordo com interesses dos detentores do poder político e empreiteiras financiadoras de campanhas eleitorais. Em todo o país, escolas, hospitais e outros equipamentos públicos, não tem um "verdadeiro e digno" projeto de arquitetura. Empresas especialistas em "trabalhar" com os governos, vencem "concorrências" e não tem, é claro, nenhum interesse em projetos realizados por quem tem competência, domínio técnico e que respeita fatores físicos, culturais, históricos, climáticos e ambientais. Simplesmente pegam um "projeto" já existente e o adaptam. O importante é ter uma placa bem grande do governo e o equipamento será inaugurado com o nome de um político ou parente próximo.
Neste sentido o CAU deve ser figura jurídica fundamental para que a nação possa, finalmente, usufruir obras e equipamentos públicos de qualidade. Realizando concursos, vetando obras superfaturadas, defendendo o dinheiro do contribuinte e valorizando não só os profissionais capazes da arquitetura, mas também das engenharias, urbanismo, paisagismo, defendendo programas com as reais necessidades das nossas cidades e não dos interesses políticos dos governantes e particulares das empreiteiras.
Eu sou contra a criação do CAU, creio que devem ser bem definidas as atribuições dos profissionais, o que vemos atualmente são profissionais que invadem a área de outro, esses dias recebi um loteamento para fazer correções e o mesmo estava assinado por Engenheiro Civil, pelo que eu saiba o parcelamento de solo urbano só pode ser realizado por Arquiteto e Urbanista, então não é a nossa saída do CREA que vai acertar esses problemas, além do mais o CREA tem 70 anos de contribuição de nós arquitetos também, não será a nossa saída que ira melhorar a nossa representação, sou a favor de brigarmos dentro do próprio conselho já existente, por nossos direitos e pelos direitos dos outro profissionais também pra tentar acabar com esse conflito entre Engenheiros e Arquitetos.
Minhas questões para o CAU:
Gostaria de saber se como Arquitetos poderemos fazer publicidade de nossos serviços?
Gostaria de saber se como Arquitetos poderemos abrir empresas com subtítulos como "Arquitetura e Engenharia" uma vez que muita empresa de engenheiro usa "Engenharia e Arquitetura".
Gostaria de saber se o CAU tem alguma proposta para atuar junto as faculdades de Arquitetura.
Gostaria de saber se o CAU tem alguma proposta para atuar junto ao mercado, mídia e governo para a promoção de nossas atribuições e competências.
Gostaria de saber se o CAU tem alguma proposta para ter voz ativa e representatividade e não ficar calado como uma entidade secreta que, até esse ponto, é o que parece estar se criando.
Acredito que a criação de um conselho destinado exclusivamente a nossa classe só irá fazer com que percamos representatividade no mercado de trabalho. Concordo com os colegas quando dizem que o IAB, ASBEA e CONFEA pouco fazem por nossa classe, muita coisa tem que ser mudada, mas não é simplesmente o fato de nos separarmos da engenharia que os nossos problemas serão resolvidos. Temos que continuar vinculados ao nosso atual conselho, o CREA tem mais de 70 anos de existência, e se reclamamos por sentir um privilégio maior as outras classes que integram o conselho, porque não nos esforçarmos para obter mais visibilidade dentro do mesmo. Sou totalmente contra a criação do CAU.
Em novembro de 2009, eu comuniquei ao IAB e outras entidades que o edital do INSS para contratação temporária de profissionais para cuidar dos projetos e obras dos postos de atendimento do órgão, estava restringindo a seleção apenas a engenheiros civis. Não é a primeira vez que acontece: arquitetos excluídos de processos seletivos onde são exigidas atribuições que também são comuns ao engenheiro civil.
Acredito que tal situação demonstre a imagem que se faz do profissional arquiteto, a visão limitada que se tem da atuação deste profissional por parte das autoridades públicas.
Achei injusto que o INSS não tenha feito a correção do edital do concurso e que tenha realizado a seleção excluindo do concurso a participação de arquitetos.
Porém, mais lamentável ainda e muito preocupante, é que entidades de classe, que representam os profissionais arquitetos, não consigam se impor e não tenham força, ou representatividade diante da sociedade, para defender o mercado de trabalho dos seus próprios representados.
Aliás, justiça seja feita, a única entidade que respondeu e prontificou-se a tomar providências foi a FNA. As demais não se deram ao trabalho de dar resposta alguma, nem ao menos um ok, a mensagem foi recebida. Iremos tomar providências."
(continua)
(continuação)
A defesa e ampliação do mercado de trabalho, seja no setor público ou privado, deve ser uma luta constante de qualquer associação de classe, já que representa profissionais. Como faz o Conselho Regional de Administração ao tomar atitudes para defender o seu espaço proibindo que profissionais de qualquer formação possam concorrer a vagas em que as atribuições são exclusivas de um administrador. “O CRA/DF e o CFA estão se antecipando aos editais de concursos públicos, fiscalizando-os desde a publicação no DOU das Portarias de autorização expedidas pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, alertando ao órgão público promotor que para os cargos, cujas atribuições sejam privativas do administrador, se exija que os concorrentes possuam diploma de curso de bacharelado em administração e registro em CRA.” Fonte: site CFA
Gostaria muitíssimo que este tema e qualquer outro que diz respeito ao mercado de trabalho dos arquitetos e urbanistas, fossem tratados pelas entidades, associações, sindicatos, conselhos etc., com o mesmo empenho e defesa fervorosa com que tem sido tratado a criação do CAU.
Cara Janaína, sua reflexão pegou a veia! É preciso ter muita participação no exercício da profissão e uma grande consciência crítica para chegar a essa firme conclusão que chegou. Porém, não dá ainda para sermos tão proféticos a ponto de afirmar com cristalina certeza que a criação do CAU vai "selar a derrocada dos profissionais arquitetos". Historicamente sabemos que a arquitetura é a mãe da engenharia civil, e que esse parto não foi danoso, muito pelo contrário, fortaleceu a prática das duas áreas de atividades na construção civil, separando-as definitivamente da forte influência mecênica das artes plásticas dos escultores. Porém, o urbanismo é irmão da arquitetura, nasceram com a formação espacial das primeiras civilizações. Acredito que já é hora de darmos uma certa independência à engenharia civil e redefinir a nossa atuação na arquitetura contemporânea, e para isso temos que realmente dar esse passo decisivo. A evolução das área do conhecimento técnico-construtivo da edificação urbana e da aplicação de tecnologias cada vez mais inovadoras, obviamente proporciona a geração de um maior número de especialidades e conteúdos na formação dos novos profissionais, e necessariamente as profissões sofrem reformulações no campo de atuação, não só devido a fatores tecnológicos e fatores ambientais, mas também por determinações econômico-financeiras. Acredito que estas são umas das causas mais profundas que estão provocando a ruptura político-administrativa entre arquitetura e engenharia no Brasil.