Toda arquitetura deveria ser sustentável, mas como se sabe, fala-se hoje sobre sustentabilidade como se fosse uma grande novidade.
Na sua opinião, é moda, é uma tendência ou uma volta à boa arquitetura?
Acredito que o mundo hoje está vendo com os próprios olhos o desgaste mundial, talvez por isso as pessoas estão dando um valor maior a sustentabilidade. Não que uma edificação sustentável esteja somente na moda, mas ainda acredito que com todos os desastres que vem ocorrendo as pessoas possam estar acreditando em uma mudança urgente e por isso estão enfatizando esta história de sustentabilidade. Por isso acredito que sustentabilidade não seja uma moda mas sim uma necessidade, podemos comparar com o alimento que quando ele se acaba fazemos qualquer coisa para consegui-lo. O meio ambiente também é assim, quando percebemos que está se acabando e que realmente precisamos dele para a sobrevivência começamos a fazer qualquer coisa para recuperar, não pelo meio ambiente em si mas pelas pessoas que necessitam dele.
A sustentabilidade deve ser aplicada em todos os sentidos. Enquanto alguns usam produtos recicláveis, tintas a base de água, energias renováveis e limpas, as grandes empresas, latifundiários e fazendeiros, por sua vez, desmatam, abusam dos combustíveis fósseis e poluem mares e rios.
Os bens de consumo devem ser biodegradáveis, assim retomando o ciclo natural, devolvendo à natureza a matéria prima. Alguns recursos naturais são gastos em uma proporção maior do que a natureza pode repor.
Levando em consideração o que será poupado pela “Arquitetura sustentável” se comparado a o que as grandes petrolíferas, serralherias e usinas termoelétricas poupam, o esforço da parcela civil pouco vai influenciar em proporções mundiais.
Acredito que não é uma tendência propriamente dita, mas uma necessidade. É hipocrisia acreditarmos que queremos salvar o mundo e a natureza. Queremos salvar a nós mesmos. Essa tendência é reflexo disso, reflexo de uma necessidade.
Ainda não há nos dicionários nacionais o sólido emprego da 'sustentabilidade'. Entretanto, sabemos que é uma derivação do que venha a se sustentar, ou seja, manter(-se), confirmar(uma afirmação, uma opinião), escorar, aguentar, suportar, conservar(-se), suster(-se), dentre tantos outros congêneres. Penso que é hilário falarmos de arquitetura sustentável sem antes exigirmos que a matéria-prima que sustenta o objeto arquitetônico seja originalmente sustentável, criada no mais complexo e rígido controle de qualidade, no qual o meio-ambiente torna-se o principal cliente-fornecedor daquilo que se propõe a receber, sem, é claro, esquecermos do entorno, das nossas periferias e do nosso ecossistema como um todo.
Eu pergunto, como sustentar o corpo com alimentos potencialmente prejudiciais à saúde? Como trafegar com segurança nas rodovias projetadas apenas para receber os valiosos veículos fabricados aos quinhões, sem a devida preocupação de se transpor com a mínima cautela um riacho - ainda que em época de enchente - ou um morro prestes a desabar? Como fazer arquitetura sustentável sem que os materiais de construção e toda a parafernália que uma obra exige possam se auto-conservar, ou auto-aguentar, ou auto-suportar, ou simplesmente suster-se por um período de vida, minimamente, útil a que se propõe?
Ainda assim digo que é possível fazermos arquitetura sustentável, sem moda e sem tendências, apenas pura e simplesmente sustentável.
Sustentabilidade é um principio que deve ser utilizado independente da moda ou da tendência, aliás, moda ou tendência não fazem parte da arquitetura, como muitos pensam e até utilizam, dizendo fazer uma arquitetura sustentável para se promover, "pois está na moda né?", e na verdade nem funciona na maioria das vezes. A sustentabilidade deve ser algo já incluido naturalmente na arquitetura, não é nenhuma novidade, mas parece que a maioria conheceu há pouquissimo tempo e acaba nem sabendo como deve ser utilizada.
Moda e tendência são palavras que não existem em arquitetura (como criar um objeto para durar no mínimo 200 anos seguindo moda ou tendência?)
A palavra arquitetura já deve presupor sustentabilidade.
Minha boa gente, o termo "sustentabilidade" é tão importante nos dias atuais, que não devemos encarar como moda ou tendência, mesmo que a ideia seja antiga. Isto porque esses conceitos agregados são fugazes demais para dar conta da extensão do problema, que exige um comprometimento mais sério das ações humanas em escala global, procurando criar boas condições de vida nas cidades, e ao mesmo tempo garantir a preservação da autosustentação do meio ambiente. Sustentabilidade está diretamente vinculada à sobrevivência humana no planeta, porque as condições naturais que garantem a vida em escala global está caminhando para a irreversibilidade devido às ações humanas sem a inteligência necessária para usar as condições naturais e suas energias espontâneas (calor e luz solar, ventos, águas, fauna e flora, clima, solo e relevo, matérias primas que não sejam impactantes na sua transformação e relocação, população humana, entre outras) de forma que sejam somadas pela lei do menor impacto e do maior benefício ecossustentável, harmonizando os elementos envolvidos no processo construtivo com o entorno imediato no sentido da máxima preservação do meio ambiente. É óbvio que não basta as decisões corretas dos elementos arquitetônicos corroborarem para essa sustentabilidade, mas todos os elementos materiais a serem empregados na obra deverão ser produzidos por uma tecnologia modificada para atender a esse mesmo princípio de menor impacto e maior benefício ecossustentável, desde a extração correta da matéria prima sem desestabilização do ecossistema. Todos os elementos materiais e equipamentos usados na construção civil poderão ser utilizados, mas não da forma indiscriminada que fazem hoje porque o mercado de consumo dita as regras. Também é óbvio que novos materiais e novos equipamentos deveriam substituir muitos outros que foram condenados pelo danos nocivos à saúde pública e meio ambiente. Por fim, os profissionais da construção civil deveriam se unir e criar uma nova mentalidade.
Sustentabilidade, não é nenhuma novidade para nós arquitetos, nossa formação é voltada para o Ser Humano Integral, isso constitui que, estamos inseridos no meio que nos cerca, temos que ter uma grande preocupação com a vegetação, o entorno, o clima, o conforto ambiental, realizamos os projetos voltados para seres humanos e todos os projetos devem ser humanizados, é o que aprendemos e praticamos no exercício da nossa profissão.
Outros motivos existem e fazem com que o profissional deixe de praticar e executar a sustentabilidade!
Gostaria de pedir desculpa à arquiteta Cristina Tartarelli, Rio de Janeiro. Citei sobre arquitetos holandeses e acabei esquecendo de procurar o nome exato da pessoa que havia feito esse comentário. Mais um vez desculpas.
Acho que há arquitetura sustentável, e arquitetura sustentável, não podemos levar em consideração a arquitetura de venda. Como: “Venham conhecer as residências sustentáveis” e quando vemos, apenas tem reservatório de água da chuva, e placas solares.
A arquitetura sustentável tem que ser seguida a risca, para começar, fazendo um estudo da implantação e análise do entorno. Temos que pensar desde o processo de produção de materiais (não radicalizando, pois se pensamos bem, podemos esquecer o concreto).
Talvez haja um desânimo por não haver incentivo governamental, como as leis favorecendo a construção sustentável.
Fulana tem toda a razão quanto a um arquiteto holandês, ou mesmo qualquer arquiteto europeu, porque desperdiçamos tantas coisas, será que teremos que passar pelos mesmos sofrimentos que a Europa passou a séculos atrás?
Nós, como arquitetos, temos que tirar as más ideias da cabeça sobre a sustentabilidade, e sim “sustentabilizar” arquiteturalmente o nosso país, para, quem sabe um dia, chegarmos a uma boa porcentagem em relação a outros países à frente na sustentabilidade.
Sustentabilidade é uma necessidade.