Olhares sobre a arquitetura x sociedade que estamos construindo
Gostaria de abrir um debate sobre os olhares dos profissionais de arquitetura, urbanismo e engenharia, tendo a sociedade como principal norte para se fazer uma arquitetura mais justa, de tal forma que se crie casas e bairros para pessoas, e por fim uma cidade para uma sociedade mais integrada aos monumentos, praças, casas e parques.
Que cidade estamos construindo?
Quando estava na faculdade, em São Paulo, os professores urbanistas falavam "vão transformar Brasília numa São Paulo..." eu não acreditava, pois as vias eram amplas. Hoje lamento, pois a falta de integração entre políticas públicas e sustentabilidade, frente a especulação imobiliária, tem atingido a qualidade de vida na cidade planejada e capital federal.
Considerando a essência da arquitetura como sendo a habitação e o convívio social, o homem sempre teve como principal expressão de sua existência a arquitetura. Durante todo período existencial o homem sempre expressou sua cultura com a própria arquitetura. O convívio social e comunitário também teve como principio a organização do espaço ocupado levando a sociedade, ou seja, o próprio homem como elemento transformador de uma arquitetura através de sua evolução. A arquitetura nada mais é que o espaço construído pelo homem, uma adaptação ao ambiente natural, e uma forma de viver em um ambiente totalmente guiado pela sua evolução. O que estou querendo dizer é que a sociedade é o reflexo de uma cidade, sua evolução desenvolve necessidades e isso faz com que a arquitetura e o espaço ocupado se desenvolvam. Acredito que estou descrevendo corretamente como a arquitetura está totalmente ligada a sociedade, pois o mundo contemporâneo nada mais é do que o reflexo de uma comunidade que vive em um sistema político desigual. Os problemas sociais só surgem pela falta de administração, refletindo diretamente na arquitetura e no espaço urbano. Os monstros construídos pelo homem são o espelho de uma sociedade onde os valores considerados são o poder. Portanto estamos construindo cidades inacessíveis para a maioria da população.
Excelente tema! Concordo em vários aspectos de todos que escreveram, mas ainda acrescento que, para uma cidade mais "justa" e "humana", não irá depender de políticos e afins. E sim dessa massa de Arquitetos e Urbanistas que estão no mercado agirem não só pensando em seus bolsos, e praticar o que aprenderam em suas graduações.
Afinal, QUEM SABE FAZ A HORA NÃO ESPERA ACONTECER..!
Quando olhamos para as nossas cidades não o fazemos como espectador, mas como partícula viva integrante da sociedade que ocupa um espaço organizado. Falar da cidade é falar da sociedade que vive nela, e falar da sociedade é falar da cidade que suporta essa vida comunitária. A cidade não é só o corpo concreto fragmentado que aglomera as moradas humanas, mas o complexo das interrelações humanas que constroem, continuamente, o "modus vivendi" da população no tempo e no espaço. Não existe comunidade humana sem os vínculos culturais gerados peculiarmente pelo seu modo de vida social, deixando rastro no tempo e no espaço através da concretização de sua inventividade pelas obras engendradas. A arquitetura em larga escala constitui o nicho urbano, onde coexistem as relações de cooperação na consolidação das obras, com o intento de facilitar a vida social, criando comunidades com certo poder de autosustentação. Se queremos construir cidades melhores teremos primeiro que mudar o nosso "modus vivendi", e consequentemente promover mudanças coletivas conscientizadas pelo desejo da maioria participativa, porque a cidade é produto de todos os esforços constituintes de toda a comunidade, voltados para o bem estar da vida comunitária, e a arquitetura urbana não é mais que a consolidação dessas relações de trocas que transformam valores humanos em leis com poder de criar estruturas físicas, com intenção definida no espaço urbano. Construir uma cidade nova e melhor é estabelecer inovadoras formas de interação e convivência no momento presente, resultando no espaço a consolidação das relações vitais mais justas e equitativas. Hoje vemos a desagregação de certas estruturas urbanas, porque as relações de valores humanos que mantinha uma antiga forma de vida comunitária desapareceram pela necessidade das transformações humanas, para se adaptarem às novas gerações populacionais com suas invenções e obras comunitárias. As cidades se transformam porque contém a dinâmica da vida que sustenta.
Bom tema! No nosso país, a maioria dos problemas é cultural. Creio que o urbanismo deu alguns passos, porém como a população pode cobrar melhorias na sua cidade se a maior parcela que a compõe não detêm de um mínimo de informação de cidadania? Acredito muito no nosso papel como urbanistas, como planejadores, projetistas, idealizadores, sonhamos com cidades mais organizadas, mais funcionais, belas mas os interesses imobiliários e políticos são grandes pesadelos. Além disso,como fazer a grande parcela da população enxergar o seu direito e a consciência de que o espaço que todos nós ajudamos a compor é de todos e que portanto, devemos cuidá-lo!?
Acho que estamos no caminho certo necessitando de alguns ajustes ainda, mas mesmo assim já podemos ver uma luz no fim do túnel.
Acho que recentemente pudemos dar um grande salto a um horizonte alentador, que realmente foi Brasília. Ideal urbanístico para o novo milênio, apesar de hoje em dia ser desvalorizada um pouco pelos próprios moradores e pelos novos projetos saírem totalmente da proposta original.
Face a bagunça contemporânea carnavelesca e a decoração gratuita barata e descriteriosa e inculta, resta uma esperança, que foi a realização de Brasília, exemplo para o mundo. Quem diria, mesmo.
Se dependermos da iniciativa pública, eu acho que nunca existirá no Brasil, uma cidade bem organizada e com infra estrutura, enfim uma cidade para pessoas, não construções ou carros.
O que realmente dá certo seria: os empresários(pequenos, médios e grandes) pensarem que uma cidade desordenada, a longo prazo, acaba com a vida e até com os negócios. Quando as pessoas pensam: a cidade é minha, vamos mudar, independente da prefeitura aceitar, ela vai mudar. Por exemplo: a associação comercial de tal bairro, vê que as vendas estão diminuindo por causa da segurança ou precaridade do local, vão tomar iniciativas que acabem com isso e tragam os clientes de volta. A iniciativa privada fazendo algo que seria bom para todos, sem meter a prefeitura no meio, ajudaria a população, aos comerciantes, investidores, e (infelizmente) a prefeitura.
Acho que demos o 1º passo com a regra de ser necessário um Plano Diretor para quase todas as cidades, só assim podemos fazer o melhor possível.
Nossa sociedade necessita urgente de arquitetos, engenheiros, que pensem, dialoguem, construam e reconstruam espaços humanizados, higienizados, saudáveis onde possamos acreditar que ainda temos tempo de sentir o ser humano.
A falta de respeito pelo próximo, pelo meio ambiente, a falta de organização espacial, de infraestrutura básica traduz toda a desordem que vivemos.
Um poder público que pense nas pessoas como seres humanos.