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Arquiteto x Cliente

É sempre bom quando um cliente dá a você liberdade total no projeto. Quando ele começa interferir muito, como você lida com isso? Conte suas experiências.
Abraços.

Marcella Libutti, Estudante - Amazonas

Comentários

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Marcella,acompanho este post desde o início e gosto muito dos comentários,principalmente dos clientes,pois a nossa posição como profissional não pode ser outra a não ser a ética.
Não basta oferecer o belo ou o que o cliente quer,temos que ser éticos e transparentes mostrando e demonstrando o melhor para ele.
Cada cliente deve ter seu atendimento específico pois a arquitetura não é apenas arte, ela é objeto de prestígio técnico e o caráter comercial tem que ser usado com cuidado.
Especificações de materiais por conta de Reserva Técnica e de estreitamento do saber técnico daquele profissional é muito ruim, pois as tendências de materiais devem ser apresentadas em diversas opções para cada cliente.

will Freitas, Projetista - Rio de Janeiro

Bem, minha profissão é completamente diversa (sou advogado) e, portanto, posto esse comentário na condição de leigo/cliente. Ainda não contratei nenhum arquiteto para o projeto da minha casa, mas o farei em breve. Ainda não o fiz, porque sequer sabia exatamente o que queria. Então, como passar ao profissional os meus reais desejos se nem eu sabia o que estava procurando? Tentei buscar inspiração em revistas (D Casa, Casa e Construção, etc). Sei que para quem é profissional, essas revistas não significam absolutamente nada, mas para o leigo sim, pelo menos serve como fonte de informação para saber quais as tendências atuais. Posso dizer que após vários meses comprando revistas, cheguei à conclusão de que devo dar "carta branca" ao profissional, sendo que os únicos pedidos que farei são que os ambientes sejam todos monocromáticos, na cor branca (e nuances próximas ao branco, tons de bege, etc) e, conseqüentemente, uma casa clean e totalmente contemporânea. Para o meu gosto pessoal, uma casa toda branca (interna e externamente) é show de bola. Farei esse pedido porque entendo que cor é algo muito pessoal e subjetivo. Acho que não tem nada de mais em fazer esse pedido ao arquiteto, no mais ele terá total liberdade de criação, pretendo deixá-lo à vontade para trabalhar.

Marcos Averbeck, Advogado - Santa Catarina

O principal, ao meu ver, é compreender exatamente o que o cliente precisa e então argumentar com o mesmo a melhor solução para as questões apresentadas.

Heloísa Helena Sílvio, Arquiteto - Amazonas

Com a experiência do passar dos anos na profissão confesso que não tenho mais problemas com o cliente.
Aprendi ter jogo de cintura, tento colocar minha opinião sem ofender o querer do cliente.
Porque às vezes nem sempre, o querer do cliente não é exatamente o que ele quer. É o que o amigo, ou a família disse que é bonito.
Quando você está fazendo um projeto todos da família querem opinar, sem noção se aquilo vai ficar bem ou não. Já tive varias experiência desse tipo, mas hoje tiro de letra.
Infelizmente ou felizmente estes desafios fazem parte desta profissão tão honrosa.

Shirley Campos, Arquiteto - Paraná

Ser Maria vai com as outras, não é uma posição muito boa. Agora sentir-se o Exímio e Excelência em Sabedoria, em tudo que faz e conversa, sem perder as rédeas do exibicionismo e da arrogância, gera um invólucro de ao mesmo tempo admiração como de antipatia e falta de ética na sua conduta, como um cidadão que esbanja conhecimento. Contudo é oportuno afirmar que é um perigo estes dois tipos de clientes. Primeiro, um expressa seus desejos, mas não tem uma opinião formada, é inseguro em tudo o que faz. O segundo, acha que sabe tudo, mas não tem um perfil definido das suas aspirações, portanto se perde na imensidão do seu ponto de vista próprio. Não há dinheiro que pague a emoção da realização de um projeto bem sucedido, quando o cliente fica à vontade para deliberar sobre o projeto, porém sempre consultando e respeitando as opiniões do Arquiteto, analisando e absorvendo cada etapa do projeto. Obter a satisfação plena do cliente e a consagração do projeto como um todo, é o maior orgulho que um Arquiteto pode conquistar em cada fase da sua vida profissional e realização pessoal. Agora esses tipos de clientes só aguçam a nossa visão e o nosso modo de agir. Em situações adversas como essas, nos preparam e nos capacitam a andar em terrenos que exigem habilidade extrema e acurada percepção. A vida é a Mãe maior do saber. Só aprendemos com os nossos erros. Nós Arquitetos somos amantes do desafio.

Joao Antonio Teixeira Silva, Arquiteto - Maranhão

Fui consultado, anos atrás, por um abastado cidadão que havia erguido amplo sobrado (pequena mansão), longe das divisas, em lote integrante de elegante condomínio fechado, ao norte de Curitiba. Contou-me ele que, depois de colher fartas referências, havia contratado o “melhor arquiteto”, os “melhores projetistas complementares” e o “melhor construtor”, dizendo-lhes, a cada reunião de trabalho:
- “Quero coisa boa !... Se for preciso, cobrem caro !! ...”.
Chamado a visitar o local (quase 1 ano depois da conclusão da obra), verifiquei a altíssima qualidade dos revestimentos e esquadrias, bem como pavimentações de luxo (granitos e mármores importados, finíssimos), assentes com especial maestria; tudo combinando com belo paisagismo e equilibrada decoração interna. Contudo, todas as paredes térreas, argamassadas e pintadas, exibiam fortes pulverulências e descascamentos até cerca de 90 centímetros acima dos rodapés, atestando a absoluta falta, sobre os baldrames, de tiras de papelão alcatroado (ou lona plástica, espessa), capaz de barrar ascensões de umidade a partir do terreno adensado. De fato, a ausência do dito papelão betumado - cujo custo não ultrapassava, na época, cerca de R$0,300 o metro linear! – criara um tipo de dano construtivo de dificílima eliminação (pois os tijolos, furados, sequer permitiriam sucesso a impregnações com dióxido de silício), além de uma permanente (quase criminosa) insalubridade no interior da finíssima residência.
Entendendo – como Gropius, Lúcio Costa e outros mestres – que arquitetura e construção são campos absolutamente inseparáveis, confesso que não cheguei a fazer qualquer apreciação sobre volumes ou “estilo” presentes naquele vistoso sobrado. Na verdade, a indignidade arquitetônico-construtiva, que ali ridiculamente se revelava, bastava para configurar uma infração ética.
Pergunta oportuna: até que ponto (do prejuízo dos clientes/usuários) nosso enfoque poderá ficar restrito ao impacto, estético, do prédio acabado?

Sylvio Nogueira, Arquiteto - Paraná

Parabéns aos que comentaram, mas em especial ao Sylvio Nogueira. São completamente reais as declarações e fatos. Trabalho no ramo de granitos, mármores e pedras decorativas e vejo estes fatos continuamente. Muitos e muitos agem desta forma, parabéns ao profissional "arquiteto" que vai ao campo, pois é muito mais compensador e qualitativo seu conhecimento.

Vivier Leandro, Industrial - Minas Gerais

Tenho 44 anos de diplomado e não foi pouco o que aprendi, tanto com meus erros ou delírios criativos como com hábeis mestres de obra. Por outro lado, azedumes corporativistas, de catedráticos ou de suas tietes, não mudarão o fato – incontestável - de que a formação acadêmica, do arquiteto brasileiro, carece de conteúdos técnico-construtivos. De fato, o profissional que dita o QUE o cliente deve fazer, não tem conhecimento para detalhar - e especificar - COMO fazê-lo.
Ou seja: não adiantará esfregar o diploma na cara do “inculto cliente”, pois restarão, a partir da graduação, apenas 3 (três) caminhos:
1º) Convencer um incauto (pai, mãe, avó, sogro, etc) a seguir bancando seu “esconderijo”, na mesma ou em outra faculdade, via cursos de extensão, pós-graduações, mestrados, metodologias várias, didáticas esotéricas, etc. Com sorte, você virará professor, de natação, sem nunca ter molhado, seu “couro”, além das diárias chuveiradas.
2º) Esconder-se no atelier de algum arquiteto medalhão e conformar-se com trabalho anônimo, ou "semi-escravo", sob a desculpa de que “o mundo é grosseiro e muito injusto”. Se for habilidoso, conjugará, este item, com o anterior, de tal modo que seus pais possam dizer, aos parentes e amigos, que o filho, além de muito estudioso, “já está trabalhando”.
3º) Lembrar que o arquiteto, na história do planeta, sempre foi o melhor CONSTRUTOR. Ou seja: ir à luta e procurar envolver-se com OBRAS. Ainda que você trabalhe, temporariamente, como subalterno de uma construtora ou pequena empreiteira, estará APRENDENDO O QUE A FACULDADE LHE SONEGOU, atingindo patamar no qual dominará as ferramentas de projeto (óbvio que CADs, sem o mínimo de conhecimento construtivo, não passam de "games" para divagações plásticas ou policromáticas) e acabará ganhando o respeito (e merecidos honorários)da clientela.

Sylvio Nogueira, Arquiteto - Paraná

Entendo que a princípio o arquiteto deve representar seu cliente; "advogar" em seu favor.
Antes de indagar como lidar quando o cliente "começa interferir muito", é bom avaliar qual o posicionamento desse profissional diante do seu cliente, do mercado de materiais e de mão-de-obra.
Atenção ao arquiteto enquanto especificador. Há a famigerada comissão. Especificador não é o mesmo que vendedor. Infelizmente, muitos profissionais estão confusos. Ora especificam produtos, ora tornam-se o próprio produto à mercê dos lojistas, fabricantes e até mesmo dos operários de suas obras.
PARA PENSAR: Como pode o arquiteto "advogar" em favor de seu cliente, sendo respeitado por ele, se, às vezes, busca nas comissões uma complementação para seus honorários profissionais?
A relação entre porfissional e cliente, seja na medicina, na advocacia, na psicologia, na engenharia, na arquitetura, entre outras, nunca haverá verdadeiramente a "liberdade total". Seja num tratamento médico, numa causa jurídica, numa psicoterapia, num cálculo estrutural e, principalmente, em um projeto arquitetônico.
Quando tudo fica muito unânime perde-se as ricas possibilidades de descobertas, transformações e crescimento. Isto em qualquer área.
Imposições radicais, sejam por parte do profissional ou do cliente, são castradoras, oligofrênicas e excelentes destruidoras de relações.
Afinal, todos têm um objetivo comum; concretizar um propósito com satisfação.
O arquiteto deve ser treinado para descobrir os objetivos(sonhos exequíveis) de seu cliente, enquanto revela sua ética e técnica profissional. Assim, não há como as relações no exercício profissional se tornarem conflitantes.
Não deve haver omissão. Todos os detalhes são preciosos, por menores que sejam. A técnica, a função, a estética, a sustentabilidade, etc. Principalmente as idiossincrasias dos clientes; pois em todos há uma identidade única e particular, que os fazem especiais como são; pelo menos, entendo que é assim que devemos tratá-los.

Dalva de Oliveira, Arquiteto - Paraíba

O ideal seria a gente fazer uma entrevista com o cliente, entender as necessidades e preferências dele, analisarmos o que é melhor para ele, sem fujir das preferências dele. Se caso ele interferir, temos que ouví-lo, se ele tiver razão, podemos adaptar o projeto de acordo, se ele não tiver razão, devemos argumentar o porquê deve ser de outra forma, e sempre buscar o melhor para ele, com conversas e discussões.

Giovani Gabriel, Arquiteto - Mato Grosso
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Atualizado em: 08/09/2010