Álvaro Razuk e Camila Fabrini

Museu da Imagem e do Som (MIS), São Paulo

Plantas, cortes e fachadas
Fichas técnicas
Fornecedores
Espaço Redondo, no primeiro andar: área nobre do museu
Reorganização da área interna abre espaço para projeto cultural
Nove meses de obras trouxeram à luz, em agosto passado, as novas instalações do Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS), a partir de projeto dos arquitetos Álvaro Razuk e Camila Fabrini. O remanejamento do acesso para outra face do edifício, oposta à anterior, e a reorganização interna forneceram à instituição as condições físico-espaciais para que os atuais gestores possam implementar o projeto cultural que idealizaram.
Vizinha do Museu Brasileiro da Escultura (Mube) - construção ímpar e uma espécie de obra-síntese da arquitetura de Paulo Mendes da Rocha -, a edificação que abriga o Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS) fica submetida a uma condição ingrata: é mais ou menos como ser irmã de uma top model e tê-la permanentemente ao lado, para comparação. Assim, à primeira vista ela dificilmente é notada. No caso do MIS e do Mube, porém, os pais não são os mesmos; além disso, o primeiro não foi idealizado para sua atual ocupação (originalmente era uma residência).

Um dos últimos projetos de adequação realizado no MIS é de autoria do arquiteto Stepan Norair Chainian. Ele desenvolveu um plano diretor para o museu, mas, de suas propostas, apenas a reestruturação do térreo foi implantada. Coube agora a Álvaro Razuk e Camila Fabrini intervir de forma mais abrangente na edificação. A dupla foi vencedora de uma seleção que procurou o melhor projeto para reorganização e atualização do MIS, processo iniciado quando a Organização Social Paço das Artes tornou-se responsável pela gestão da instituição.
Acesso do MIS em direção ao Mube: arquiteturas diferenciadas agora se comunicam
O museu ocupa edifício originalmente projetado para ser residência e fica ao lado do Mube
O antigo acesso foi remanejado. A marquise assinala o caminho que leva à entrada principal do MIS
Quatro escritórios paulistanos foram convidados a apresentar soluções, e o projeto de Camila e Razuk foi escolhido por um júri que contou com a participação, entre outros, dos arquitetos Ciro Pirondi, Roberto Loeb e Luciano Margotto. Razuk revela que foram pequenas as alterações entre o projeto que eles criaram e a obra que foi realizada - essa era uma preocupação dos autores, em função da escassez de informações de que dispunham sobre o edifício existente. Ele e Camila praticamente mudaram seus escritórios para o local durante a obra.

As modificações externas no volume existente foram mínimas, sendo a mais significativa o fechamento com placas metálicas de parte das superfícies envidraçadas. Uma alteração exterior, no entanto, foi a aposta dos arquitetos para dar novo interesse ao conjunto: o remanejamento do acesso principal - agora assinalado por uma longa e leve passarela coberta - para a face da construção voltada para o Mube.
Com a nova configuração, as áreas reservadas à administração também ganharam mais conforto
Os visitantes têm à disposição equipamentos de última geração, ...
Com essa solução, Razuk e Camila propuseram uma integração com o Mube, antes impossível. “Tínhamos uma situação excepcional e procuramos tirar proveito dela”, relata Camila. Com o novo acesso e a equalização das cotas de piso, formou-se uma praça comum entre os dois museus, uma simbiose da qual ambos se beneficiam. Outra providência tomada pelo projeto foi tornar possível uma leitura mais clara do programa museológico, já desde o acesso do MIS. “Procuramos dar clareza na circulação e nos fluxos a partir da entrada”, completa Razuk.

Para a reorganização dos interiores, a principal medida foi a transferência do restaurante da parte interna para o prolongamento da laje do foyer do auditório/cinema - por causa da legislação (o restaurante é considerado uma obra nova), esse item do projeto não pôde ser implementado junto com a reforma. No novo arranjo, a biblioteca e a midiateca foram realocadas para próximo da entrada, atendendo à proposta de facilitar e estimular o acesso.

O térreo do MIS foi ocupado com a midiateca, o setor de acesso à internet, o Espaço de Convivência e Atendimento Educativo (o auditório com 150 lugares ganhou projetores de nova geração) e a área de acervo. O primeiro andar foi destinado ao espaço expositivo (daí a vedação de parte da fachada de vidro) e ao Espaço Redondo, voltado exclusivamente à exibição de produções relacionada aos Labmis, os laboratórios de novas mídias. Labmis, sala de workshop, estúdio de som, salas de edição e auditório para 70 pessoas ficam no segundo andar.


Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 345 Novembro de 2008




Camila Fabrini formou-se pela FAU/Mackenzie em 1985 e constituiu escritório próprio em 1996.


Álvaro Razuk graduou-se pela FAU/USP em 1988 e possui escritório desde 1989
... além dos ambientes mais arejados que os anteriores
A biblioteca foi disposta no térreo, mais à vista do usuário,
para estimular a visita e facilitar a consulta
Perspectiva eletrônica do restaurante (não executado)
As áreas expositivas, no primeiro andar, tornaram-se mais adequadas à proposta do novo gestor da instituição
A reorganização interna procurou tornar mais fluida a leitura do espaço a partir da entrada