Brasil Arquitetura
Galeria Transversal, São Paulo
- Detalhes
- 09 de Setembro de 2011. Visitas: 6.035
a subtração de espaço
João Grinspum Ferraz, um dos sócios da Galeria Transversal, não considera convencional o projeto que seu pai, Marcelo, e Francisco Fanucci, sócios no estúdio Brasil Arquitetura, conceberam para aquele empreendimento.
“Os artistas estranharam a ausência do cubo branco”, ele relata. “Deve ser decorrência da entrada da luz natural”, arrisca Marcelo em resposta, já que na pequena galeria no bairro da Barra Funda, em São Paulo, portas, janelas e um teto de vidro participam ativamente do espaço expositivo.
No total são apenas 200 metros quadrados de intervenção, metragem resultante da junção de dois antigos sobrados residenciais, dos quais a galeria passou a ocupar o pavimento superior. No térreo está localizada a oficina da Baraúna, marcenaria capitaneada pelos sócios do Brasil Arquitetura.
Os imóveis estavam servidos anteriormente por pátio central aberto, uma espécie de quintal para iluminação e aeração natural das casas de planta alongada e localização em miolo de quadra.
E não apenas a setorização doméstica se dava em função desse elemento - cozinha e área de serviço na lindeira do pátio -, como também a amarração do vigamento de madeira do telhado.
Removidas todas as paredes - autoportantes - de subdivisão do andar superior, o pátio surgiu como parte estruturalmente frágil do projeto: perderam-se os pontos centrais de apoio da cobertura em águas.
Quatro pilares e quatro vigas metálicas resolveram a questão, e ainda se tornaram o elemento marcante da proposta, não por atributos mirabolantes, mas pela expressão exata das demandas funcionais.
O telhado é assimétrico, há tesouras e vigamentos desalinhados ou isolados, e, embora o desenho geral conflua para o deságue na região do antigo pátio, são evidentemente desiguais os balanços das vigas de reforço.
Há, assim, a presença estranha, robusta da estrutura metálica em meio à ambiência singela da galeria, que conserva ainda a modulação original das pequenas janelas e portas de acesso à varanda frontal. Um certo ar déco, como enfatiza Marcelo.
De resto, trata-se da boa arquitetura que encontra por onde marcar presença, mesmo nos contextos mais simples de implantação.
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 377 Julho de 2011

Titulares do escritório Brasil Arquitetura, Francisco Fanucci e Marcelo Ferraz (FAU/USP 1977 e 1978, respectivamente) são autores de diversos projetos, entre eles o Museu Rodin, na Bahia, e o Museu do Pão, no Rio Grande do Sul
1. Acesso / 2. Administração / 3. Área com iluminação zenital - 4. Salão - 5. Varanda


