Fred Mafra
Casa noturna Roxy, Belo Horizonte
- Detalhes
- 12 de Fevereiro de 2008. Visitas: 67.573
A edificação criada para a Roxy tem quase mil metros quadrados construídos, em dois pisos de plantas retangulares. A face principal da construção é definida por um pano de vidro laminado, recoberto por película branca. Mafra classifica a fachada como minimalista e diz que a configuração busca amenizar o caos urbano do entorno. Ela foi elaborada, explica o autor, para facilitar o acesso a portadores de necessidades especiais.
Depois de percorrer a rampa de acesso, ingressa-se em um pequeno jardim envidraçado, onde palmeiras direcionam o percurso. A seguir, o túnel formado por anéis desiguais é espaço de transição, que imprime ritmo ao caminho para o centro da danceteria. Da chegada tem-se visão simultânea do lounge e do hall central. No primeiro, paredes são revestidas com resina esverdeada - elas se fundem com piso, teto e mobiliário, num desenho ondulado.
No hall central, o bar de 12 metros de comprimento, revestido com aço espelhado, é emoldurado por cúpulas gigantes que mudam de cor e envolvem os pilares. Trata-se de um espaço híbrido, onde os elementos se misturam e adquirem caráter multifuncional. “O mobiliário nasce da própria arquitetura e permite interagir com o cenário real”, comenta o autor. Já no lounge dos banheiros a escolha foi por um único padrão, inspirado em papéis de parede da década de 1970, o que revela certa nostalgia.
A pista de dança, com revestimento acústico, fica próximo do fundo da edificação e tem cem metros quadrados. Nela foram instalados painéis de plasma de 6 x 2 metros, nos quais o VJ interpreta “visualmente” o som. Defronte do palco - que possui seis metros de largura -, a cabine do DJ simboliza o coração da casa, na forma de uma pedra lapidada em acrílico com desenho semelhante ao de um púlpito.
A iluminação cênica distribui-se pelo clube por um sistema de automatização chamado change color. A luz, reconhece Mafra, é a base estrutural de todo o projeto, pois permite a modificação dos ambientes. “Essas experimentações transformam o local em espaços de percepções mais sutis”, ele conclui.
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 335 Janeiro de 2008
Fred Mafra arquiteto formado pela PUC/MG em 1998. É sócio da SG&M Arquitetura e Meio Ambiente, onde desenvolve atividades nas áreas de desenho ambiental, arquitetura industrial e corporativa

