Fred Mafra
Roxy/Josefine, Belo Horizonte
- Detalhes
- 05 de Outubro de 2011. Visitas: 9.955
O arquiteto mineiro Fred Mafra tem conhecimento da dinâmica de funcionamento dos clubes noturnos: formado em 1998, já desenvolveu projetos para seis estabelecimentos desse tipo e ocasionalmente trabalha como DJ.
No caso do Roxy/ Josefine, esta é a segunda versão que ele projeta para o espaço (veja a anterior na edição 335, de janeiro de 2008). Mafra se considera bem-sucedido nas intervenções, pois, como afirma, há quatro anos a casa é referência na cidade.
A inauguração do novo Roxy/Josefine ocorreu na segunda quinzena de junho. O arquiteto conta que, inicialmente, as mudanças deveriam se restringir ao térreo, “que equivale a 70% da área da antiga residência do ex-governador mineiro João Pinheiro, datada do início do século passado”.
No decorrer da obra, porém, foi solicitada também a reformulação do pavimento superior, “com a condição de não alterar a estrutura e a iluminação da segunda pista de dança, marca registrada da casa”, observa Mafra.
Além das pistas, o clube conta com três bares, quatro camarotes vips (que podem transformar-se em um), dois lounges e área de fumantes com teto retrátil. O autor explica que sua proposta segue os pilares básicos de uma casa noturna: comodidade, escapismo, flexibilidade e tecnologia.
Como já ocorrera na intervenção anterior, Mafra teve total autonomia de criação, o que lhe permitiu desenhar um espaço marcado por formas escultóricas e onde predominam as linhas retas, que evitam, todavia, o ângulo de 90 graus.

O partido é decorrente da volumetria do hexágono e da exploração de todas as suas faces, em tamanhos diferentes. “Elementos prismáticos, pilares formados pela união de triângulos com quadrados e volumes lapidados instigam o percurso, pois alteram a percepção dependendo do ângulo a partir do qual se olha”, descreve o autor. As plantas são, no entanto, simétricas em quase todos os ambientes.
A cabine do DJ, disposta no fim do eixo principal da pista (com 30 x 6 metros), tem visão total do clube. A pista ficou mais longilínea, três vezes maior que a antiga. Em uma de suas laterais foi instalado o bar principal, composto por sete baias que setorizam o serviço, evitando aglomerações.
“Elas são emolduradas por pórticos em forma de trapézio, feitos com gesso duplo acústico, que impede a entrada do som e facilita o atendimento em cada nicho”, explica Mafra.
Os pórticos também camuflam a estrutura modulada que sustenta o teto composto por mais de cem hexágonos (com peso total de quatro toneladas) - “uma mistura de estrutura espacial com arco pleno”, informa Mafra.
O topo dos hexágonos serve como anteparo e luminária para as barras de vídeo leds pixel mapping, instaladas no perfil de alumínio do drywall e vedadas com policarbonato.
“O resultado é um teto texturizado, tridimensional, com a luz em constante movimento. É como estar dentro de um videoclipe, com imagens gráficas reais e luzes que dançam conforme a música”, ele compara.
A fachada também recebeu mudanças. Ela agora é toda negra, constituída por pano de vidro laminado ancorado numa estrutura interna de pilares e vigas em aço inox.
Estas peças receberam películas espelhadas em tonalidade prata-escura, e cada módulo do vidro tem um painel de LCD voltado para o exterior, totalizando 20 aparelhos de tevê. Os dois totens que antigamente funcionavam como backlight de leds foram laqueados de preto.
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 378 Agosto de 2011
Fred Mafra (PUC/MG, 1998) é sócio no escritório SG&M Arquitetura e Meio Ambiente. Autor de todos os projetos para a Faculdade Fead/Minas, desenhou ainda lounges, restaurantes, casas noturnas e residências em de Belo Horizonte


