Guilherme Torres
Loja Puramania, São Paulo
- Detalhes
- 26 de Agosto de 2011. Visitas: 8.629
O trunfo do projeto de Guilherme Torres para a loja Puramania foi dissimular as referências espaciais com as quais o visitante percebe a escala e as proporções arquitetônicas.
Por meio do que denomina linguagem futurista, o arquiteto lançou mão da forma cúbica e do par cromático branco e vermelho, a fim de criar a identidade da proposta.
Pisos, paredes e tetos, todos brancos, ganharam por consequência limites indistintos, de modo a sutilmente sugerirem as três larguras sequenciais com que naturalmente está setorizado o lote: a porção central, mais estreita, fica entre dois trechos de dimensões maiores, notadamente o posterior.
O resultado é um percurso atrativo, guiado pela continuidade espacial, que acaba por equalizar a relevância visual da frente e dos fundos da loja.
A entrada ocorre por meio de uma sala retangular com cerca de quatro metros de largura e dez de comprimento, visível desde a fachada de vidro, que tem ângulo oblíquo com a calçada.
Nela, a sobreposição de cubos brancos, feitos ora com estrutura metálica revestida por gesso e pintura epóxi, ora com vidro zenital ou lona tensionada retroiluminada, cria nichos em que por vezes se inserem os expositores de roupas.
Isso porque decorre da proporção alongada do terreno a setorização periférica de tais vitrines internas, concentrando-se a maior parte da exposição das roupas no trecho central da loja, justamente aquele com ocupação crítica, dada a pouca largura.
Nos fundos, com dimensões bem mais confortáveis - cerca de dez metros de largura e 12 de profundidade -, estão localizados os provadores, caixa, alguns expositores e o acesso ao estoque, que foi implantado no mezanino.
A simbiose da iluminação natural com a artificial se dá de forma a reduzir a aparência tecnológica da loja. Zenitais de vidro pontuam todo o seu comprimento, misturando- se a luz do dia ao efeito translúcido e homogêneo da iluminação fluorescente em que está baseada a luminotécnica.
Não há luminárias propriamente ditas, apenas elementos arquitetônicos como balcões, caixas de teto ou de parede, com faces em forma de lona translúcida retroiluminadas.
Por contraposição, assim, destacam-se os balcões vermelhos de exposição central e os nichos de exposição das roupas.
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 376 Junho de 2011
Guilherme Torres (Centro de Estudos Superiores de Londrina, 1998) é o titular do escritório que leva seu nome, sediado em Londrina, PR, e com filial em São Paulo. Sua atuação se estende aos campos residencial, comercial e de mobiliário
1. Entrada / 2. Salão / 3. Caixa / 4. Provadores


