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Situado no centro de Ouro Preto,
o Bar do Beco Cachaçaria ocupa um local antes reduzido
e truncado. Enormes pilares, pé-direito baixo e pouca
ventilação cederam lugar a um espaço único e amplo,
no bem desenvolvido projeto elaborado pela arquiteta
Jô Vasconcellos. A proposta, porém, manteve no Cachaçaria
alguns cantos que, segundo a autora, "facilitam
as conspirações tão típicas dos mineiros".
O Bar do Beco Cachaçaria segue a tendência de transformação
de porões do casario do centro de Ouro Preto em
bares e restaurantes - de que é exemplo o Piaceri,
projeto de Éolo Maia e Jô Vasconcellos (PROJETO DESIGN
224, setembro de 1998). O Cachaçaria, porém, foi desenvolvido
apenas por Jô. Nas palavras da arquiteta, a intenção
era criar um local para "desfrutar uma boa cachacinha,
comer deliciosos tira-gostos, encontrar-se e conspirar".
Para adequá-lo ao novo uso, Jô eliminou algumas das
divisões existentes e criou um espaço único, porém
com pequenas sutilezas, a fim de estabelecer ambientes
distintos. A instalação da cozinha na área de um antigo
depósito, fora do alinhamento lateral do imóvel, amplia
o bar. Quem chega tem a sensação de um local maior
do que ele realmente é - impressão alimentada por algumas
paredes revestidas com espelhos. Um balcão central é
utilizado no atendimento às mesas.
A nova cozinha, aberta, participa do ambiente
geral do bar. Uma pequena área antes descoberta foi
adaptada para abrigar o banheiro. No bar, as próprias
paredes servem de suporte às prateleiras de exposição
das garrafas de cachaça. "O piso em quartzito
foi enriquecido com pequenas inserções de pastilha
de vidro azul", informa Jô. Pastilhas de vidro
também revestem os pilares que sustentam o balcão em
granito preto e vedação com chapa galvanizada, utilizada
ainda para vedar as frestas existentes entre os barrotes.
As mesas têm desenho especial: os tampos funcionam
como vitrines de vidro para para exibir produção
artística, uma vez que as paredes estão reservadas à
exposição das garrafas. Periodicamente, os objetos expostos
nas mesas são alterados. "É uma maneira de mudar
o bar e mostrar obras de arte e poemas, por exemplo",
explica a arquiteta.
Texto resumido a partir de reportagem de
Adilson Melendez
(Edição 246 - agosto 2000)
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