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| 30 projetos evidenciam profissionalização
na arquitetura de interiores |
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Nestes quase 30 anos de existência da PROJETODESIGN,
o desenho de interiores evoluiu de forma impressionante. A
área, por onde antes praticamente só transitavam
decoradores, tornou-se domínio de profissionais com
formação em arquitetura.
Encerrada a fase do “Brasil grande”, nos anos 1970, quando
enormes empresas de projeto absorviam a mão-de-obra disponível
para criar obras monumentais, os interiores assumiram a dianteira
como o setor mais receptivo à avalanche anual de arquitetos
que saem das faculdades.
O que era considerado uma blasfêmia - a especialização
- de fato ocorreu. Rino Levi dizia que a diferença
entre um especialista e um não-especialista eram três
meses de estudo. No entanto, hoje, são tantas as variáveis
e especificidades - e tão curtos os prazos -, que é
difícil solicitar um projeto de um restaurante, por
exemplo, para um arquiteto que nunca tenha desenhado outro.
É um círculo vicioso.
Em relação à arquitetura, os interiores são
mais suscetíveis a modismos - e isso fica claro nesta
seleção dos 30 melhores projetos, que, propositadamente,
pinçou alguns que hoje parecem datados.
Nos primeiros 99 números da PROJETO, poucas
vezes abordaram-se interiores. A partir da edição
100, de 1987, foi criada a revista DESIGN & INTERIORES,
que depois de três números se tornou independente
e circulou por quase dez anos, até a edição
50.
A partir daí, as duas voltaram a unir-se, nascendo PROJETODESIGN,
nome com que a revista passou a circular em março de 1996.
Para a seleção de projetos de interiores apresentados
a seguir, recorremos também àqueles publicados na
D&I - que, afinal de contas, também faz parte de nossa
história. |
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Escritórios
Avaliar a
evolução dos interiores de escritórios
ocorrida nestes 300 números é bastante interessante.
A indústria de componentes, por exemplo, desenvolveu-se
muito, motivada, principalmente, pela abertura às importações
ocorrida na era Collor.
Antes disso, mesmo com opções reduzidas para
especificação, diversos projetos se destacavam. |
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O Centro Social e Presidência da Rhodia (1987/88),
desenhado por Cauduro/Martino Arquitetos, é
um dos projetos que se destaca.
O escritório, localizado no Centro Empresarial de
São Paulo baseou-se em conceito recorrente em propostas
similares da década posterior, que, em síntese,
cria espaços neutros para favorecer a visualização
da marca. Nesse sentido, prevalecem os materiais e revestimentos
em cores claras, sobretudo superfícies brancas, com
exceção do forro alveolar, em que se destaca
o acabamento natural da madeira freijó.
DESIGN & INTERIORES 7, março/abril de
1988 |
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Outro projeto interessante destinou-se a uma assessoria
de imprensa
e foi desenhado, em 1998, por Cândida Tabet e Simone
Mantovani, quando ainda eram sócias. Com o mínimo
de interferências, a dupla procurou tornar o mais
aberta possível a área de 380 metros quadrados
em um edifício da avenida Faria Lima, em São
Paulo, ocupada pela empresa.
O trabalho desenvolveu-se basicamente em dois tons de cores
- o branco e o preto -, que predominam nas peças
do mobiliário, na pintura e na decoração.
O bicromatismo era ocasionalmente rompido com a inserção
de elementos diferenciados nos móveis e em detalhes
nos pisos. As vigas deixadas aparentes buscavam romper com
o típico ambiente em prédio de escritórios.
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Essa ruptura também estava na proposta de André
Vainer e Guilherme Paoliello para a agência de
publicidade Neogama, instalada em um galpão na Vila
Olímpia, também na capital paulista. A ocupação
da área resultou em ambientes abertos e com grandes
vazios funcionando como áreas de circulação
- uma espécie de loft comercial. A obra empregava
essencialmente vidro, madeira e aço.
O novo elemento era o mezanino com estrutura metálica,
conectado ao pequeno pavimento superior preexistente por
meio de passarelas panorâmicas. As salas fechadas
foram delimitadas por divisórias de vidro piso-teto,
que asseguram transparência e favorecem a iluminação
natural. Em 2004, a agência transferiu-se para um
novo galpão, também desenhado pela dupla,
no qual foi aproveitada grande parte dos elementos.
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Desde o final da década de 1990, o minimalismo e
o excessivo detalhamento estiveram em evidência também
nos interiores de escritórios. Esse é o caso
do projeto criado por Kiko Salomão. Implantado
em um edifício comercial na avenida Faria Lima, em
São Paulo, o espaço possui dois pontos de
interesse, cada qual com um tipo de abordagem.
O primeiro é a imponente recepção,
onde predomina o mármore travertino romano,
no balcão e no revestimento do piso e das paredes.
Sua neutralidade contrasta com a área destinada à
presidência da empresa, que tem quase 300 metros quadrados
e é composta por salas de reuniões, de estar
e de trabalho, interligadas por duas baterias de portas
pivotantes.
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Mais recentemente, a neutralidade do minimalismo
foi quebrada, ainda que de forma sutil, por projetos que
adotaram cores fortes como elementos principais. Entre eles,
destaca-se o Departamento de Marketing da Francis, com apenas
200 metros quadrados, também localizado em prédio
comercial na Vila Olímpia, São Paulo.
O espaço, desenhado pelo escritório NPC,
tira partido do produto desenvolvido pela empresa - o sabonete
- para definir como objetos marcantes as duas salas
ovais, fechadas por policarbonato transparente. O ambiente
é assinalado ainda por painéis azuis e luminárias
laranja no piso, criando forte identidade.
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Lojas
O fato de
o comércio no país ter-se sofisticado
bastante desde o final da década de 1970 influiu, de
uma forma ou de outra, nos projetos de lojas Brasil afora.
Em muitos casos - principalmente quando se trata de estabelecimentos
de rua -, a restrição à categoria interiores
não reflete a dimensão dos trabalhos, que podem
ir da arquitetura à comunicação visual. |
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É o que aconteceu com a
Livraria da Vila, criada entre 1987 e 1990 pelo escritório
Teuba Arquitetura e Urbanismo. O projeto buscou a
inserção harmoniosa no bairro de Vila Madalena,
em São Paulo, onde ainda predominam antigos sobrados.
Internamente, os diversos setores guardam características
próprias sem afetar a unidade do conjunto e distribuem-se
por meios pisos. Com 429 metros quadrados de área,
a loja conta também com café no térreo
e auditório para cem pessoas no piso superior. Ao
longo desses 15 anos, a livraria - que permanece em funcionamento
- passou por mudanças mínimas.
DESIGN & INTERIORES 25, julho/agosto de 1991
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Isso também ocorreu na loja da Formatex, que permanece
em atividade, na rua Oscar Freire, em São Paulo.
O espaço foi criado entre 1989 e 1991 pela extinta
equipe do escritório CVS Arquitetura - Ucho
Carvalho, Ricardo van Steen, Paulo Carvalho e Lúcia
Brito Cruz.
O prédio em concreto aparente - à la Tadao
Ando - usa assoalhos em réguas de madeira e detalhes
em aço para compor um cenário neutro e funcional
para a exposição dos tecidos da empresa. Térreo
e mezanino, com grandes áreas livres para circulação,
são dedicados ao showroom. A supremacia dos ângulos
retos é quebrada pela curva da fachada posterior
e pelas formas sinuosas do mezanino.
DESIGN & INTERIORES 27, novembro/dezembro de
1991
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Também dedicada a mobiliário e acessórios
de decoração, a House Garden fica na alameda
Gabriel Monteiro da Silva - pólo paulistano de comércio
do gênero. Criada em 1995 por Cláudio Bernardes
e Paulo Jacobsen, a loja de esquina é toda estruturada
em aço e possui grandes painéis de vidro,
voltados para a fachada principal.
Os espelhos também têm papel importante, seja
na alma das vigas, seja no forro do pórtico de entrada.
O espaço interno é marcado por uma clarabóia
e uma escada-rampa dupla, que lembra a solução
de Lina Bo Bardi no subsolo do Museu de Arte de São
Paulo. Com pequenas modificações, principalmente
nas cores, a loja mantém-se bem conservada.
PROJETODESIGN 194, maio de 1996
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Fora do eixo Rio-São Paulo,
um dos destaques do período foi a BHZ/Translux, em
Belo Horizonte. Desenhada por Ana Beatriz Campos,
trata-se da segunda unidade da empresa representante das
companhias aéreas Varig, Rio Sul, Nordeste, Pluma
e Star Aliance.
Situada no charmoso bairro Savassi, a loja, ainda em funcionamento,
ocupa o terreno de uma residência e assemelha-se aos
saguões de aeroportos, rompendo com a tradicional
imagem das agências de viagens. Ana Beatriz é
responsável tanto pela arquitetura de interiores
como pelo projeto da edificação, que se encontra
recuada em relação à entrada do lote.
A solução permitiu transformar a porção
frontal do terreno em uma pequena praça, o que levou
a proposta a receber o prêmio Gentileza Urbana
do IAB/MG em 1998.
PROJETODESIGN 223, agosto de 1998
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Gentileza urbana à parte, dentro dos shopping centers
os projetos são exclusivamente de interiores. Para
formar uma identidade, a maioria das lojas que possuem cadeias
acaba criando - junto com a equipe de arquitetura - um padrão
que se reproduz nas filiais. Um dos exemplos mais marcantes
é a Tok & Stok, com o trabalho desenvolvido por
Felippe Crescenti entre 1998 e 1999.
O projeto-piloto, que definiu o modelo para as outras unidades,
foi implantado no D&D Shopping, em São Paulo.
Crescenti concentrou-se na distribuição
racional para facilitar o trajeto entre as diferentes
ambientações com itens de mobiliário.
Placas metálicas no piso e forro rebaixado em gesso
marcam o percurso principal. Outro foco do projeto foi ordenar
a exposição de produtos de pequeno porte,
de modo que sejam facilmente encontrados. Esses dois aspectos
são valorizados pela luminotécnica eficiente,
com boa iluminação geral e de destaque.
PROJETODESIGN 231, maio de 1999
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Outro espaço localizado dentro de centros de compras
é a livraria Cultura do Shopping Villa-Lobos, desenhada
por Fernando Brandão Arquitetura entre 1999
e 2000. O foco, aqui, não foi a criação
de um padrão - de certa forma reproduzido na unidade
de Porto Alegre -, mas a transformação de
uma tradicional livraria paulistana para concorrer com as
chamadas megastores, implantadas no final da década
de 1990.
Bem setorizada, a Cultura tem ambientação
baseada no uso da madeira e no mobiliário
de design variado. Abas em vidro nas laterais das estantes
servem de suporte para o cliente folhear os livros com tranqüilidade.
Além da função de vitrine, as estantes
disfarçam os pilares de sustentação
do mezanino metálico, que parece flutuar sobre a
loja. Dividido em setores interligados por passarelas,
esse piso concentra auditório para 120 pessoas e
sala especial para o cliente de CDs e DVDs.
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As lojas de vestuário também foram grandes
clientes dos arquitetos. Um bom exemplo foi dado por Carlos
Alexandre Dumont (Carico): a Iódice, na rua Oscar
Freire, principal corredor de comércio de roupas
de alto padrão em São Paulo.
A rua já viu surgir e desaparecer diversas lojas
e etiquetas, na volatilidade que é típica
do mundo fashion. Este espaço, que comercializa moda
jovem, contrariou essa tendência. Passados quase quatro
anos (foi concluída em 2001), a primeira unidade
de rua da marca conserva a mesma concepção.
Carico transferiu para o local, caracterizado por fachadas
limpas e ambientes claros e setorizados, conceitos etéreos
como modernidade e atitude diferenciada.
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Outra loja de rua perene é a
Montenapoleone. O projeto, concebido por Aurelio Martinez
Flores, é formado por dois cubos suspensos por
pilotis. Cada caixa apóia-se em um único ponto,
que concentra as circulações verticais.
Essa solução, que visa garantir estacionamento
para os clientes, resultou em um elemento de forte impacto,
aprimorado pelo cuidadoso detalhamento realizado pelo arquiteto.
A loja, também implantada na alameda Gabriel Monteiro
da Silva, vende mobiliário de estilo internacional.
Um pequeno subsolo concentra o setor de serviços.
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Bares/restaurantes
Espaços
para bares, restaurantes e casas noturnas também passaram
por grande fase no período de existência de PROJETODESIGN.
Mas do que nas duas categorias anteriores, aqui predomina
a criação de um cenário para a freqüente
efemeridade desses locais. Mesmo em um ambiente limpo, migrado
da arquitetura, por exemplo, a estética moderna torna-se
cenário. |
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Esse é o caso do restaurante Praça Paulista,
desenhado no final da década de 1980 por Luiz
Fernando Rocco e Fúlvio Nanni (este morto em
1995). O espaço, premiado pelo IAB/SP, ocupava um
anexo do nova-iorquino conjunto de prédios Cetenco
Plaza, na avenida Paulista, cuja praça - projeto
de Luciano Fiaschi - inspirou o nome do restaurante
e era uma atração à parte.
Inspirados pelo clima cosmopolita, os arquitetos
fizeram interiores precisos, em comunhão com o conjunto
arquitetônico. A estrutura dos caixilhos da fachada,
por exemplo, foi utilizada para apoiar os tampos das mesas,
alinhadas no perímetro longitudinal da construção,
abaixo das sancas de gesso que embutem os dutos de ar condicionado;
na área central, forro do tipo colméia e mesas
fixas intercaladas por sofás. Desde o início
da década de 1990, o espaço é ocupado
pelo restaurante Spot, com projeto de Vainer e
Paoliello, que realizaram sutis modificações
- a mais visível é o forro de tecido iluminado
com lâmpadas coloridas.
DESIGN & INTERIORES 14, junho de 1989
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Outro restaurante que não existe mais é o
Mr. Fish, também em São Paulo. Ele foi criado
entre 1992 e 1995. Os então sócios Rogério
Batagliesi, Hélio Carvalho e César Hirata
implantaram, no exíguo terreno da alameda Lorena,
em São Paulo, o restaurante temático de peixes
e afins.
Embora a ambiência portuária expressa
nos revestimentos e instalações aparentes
fosse à época um dos destaques, a setorização
e a generosa continuidade espacial interna, priorizadas
pelos reforços estruturais e transferência
da cozinha para o pavimento superior, revelaram-se como
os elementos duradouros do projeto - tanto que permanecem
no espaço, atualmente ocupado pelo café Suplicy
(projeto de Kiko Salomão).
DESIGN & INTERIORES 49, novembro de 1995
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Por outro lado, alguns projetos apropriam-se das características
marcantes da construção onde são implantados,
criando um clima especial. Foi o que fez Freusa Zechmeister,
na Padaria Casa Bonome. Como sempre, o projeto evidencia
o caráter original e surpreendente dos trabalhos
da arquiteta, conhecida também pela atuação
como cenógrafa e figurinista junto ao grupo de dança
Corpo.
Desenhada em 1995 e instalada em 1996, a Padaria Casa Bonome,
em Belo Horizonte, continua funcionando, com a configuração
original praticamente intacta. A respeito do estabelecimento,
montado em uma antiga residência, disse o arquiteto
e crítico Carlos Antônio Leite Brandão
que seu tema é, mais que a antigüidade, a ancestralidade
do tempo.
PROJETODESIGN 198, julho de 1996
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Em nenhum projeto do gênero a natureza efêmera
- o âmago desse tipo de programa - foi tratada com
tanta propriedade como na casa noturna U-Turn, em São
Paulo. O autor, Paulus Magnus, imaginou o espaço
como um suporte para a intervenção de outros
profissionais, sobretudo artistas plásticos. Dessa
forma, o ambiente seria renovado a cada três meses.
O primeiro escolhido foi o carioca Muti Randolph,
que, inspirado no psicodelismo, transformou completamente
o local com a utilização de cores fortes e
brilhantes, que se aproximam das utilizadas pelo designer
dinamarquês Verner Panton (1926-98). O primeiro
espaço da casa, o lounge, era dominado pelo tom prateado,
para “elevar os espíritos”. A pista de dança,
que vinha a seguir, com o grafismo de suas cores,
era o local para “libertar os espíritos”. O terceiro
setor, em forma de útero, propunha-se a ser uma área
de descanso, para “aquecer os espíritos”. Como a
U-Turn fechou as portas antes que outro artista interferisse
ali, a idéia não foi colocada à prova.
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A pesquisa de materiais foi o mote de outra casa noturna,
a Stéreo, também em São Paulo. Projetada
por Marco Donini em 2000, na improvável região
da Barra Funda, teve existência extremamente curta
- cerca de um ano -, embora igualmente intensa.
Com seus móveis industriais emprestados de programas
diversos - como bancos de praça e sistemas de ar
condicionado - e suas superfícies de telhas metálicas
e elementos vazados, a Stéreo caiu nas graças
do público descolado da cidade imediatamente após
a inauguração. Tanto que uma segunda geração
de empreendimentos similares logo viria a ser implantada
na região.
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A contemporaneidade também foi o tema do projeto
do Felice Caffé. Entre os 30 trabalhos de arquitetura
de interiores selecionados para esta edição,
é o único localizado no Rio de Janeiro. Detalhe:
foi desenvolvido por um europeu, o arquiteto Ralf Amann,
que nasceu e se formou na Alemanha, mas está radicado
na capital fluminense.
O restaurante fica no Shopping Downtown, na Barra da Tijuca.
Amann recorreu a materiais industriais, além
de outros produtos considerados como de segunda categoria.
O balcão de concreto aparente, com tampo em peroba-do-campo
maciça, tornou-se um dos focos de atenção
da casa. No piso, a idéia de dinamismo foi
obtida com a diversificação de revestimentos:
concreto, pedra portuguesa, piso industrial feito com uma
espécie de granilite e réguas de ipê
de segunda linha com manchas irregulares. Da ausência
de preconceitos resultaram ambientes provocativos e estimulantes.
Uma visão européia com tempero tropical.
PROJETODESIGN 252, fevereiro de 2001
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Em nenhum outro projeto a natureza faz parte da cena como
no Figueira
Rubayat, desenhado por Fernando Iglesias e localizado
nos Jardins, São Paulo. A proposta tira partido de
uma grande árvore, com 400 anos de idade e tombada
pelo patrimônio histórico. Resultado de grande
investimento financeiro, o restaurante foi construído
para permanecer em atividade durante muito tempo.
Além da figueira, chamam a atenção
a cobertura de vidro, a estrutura metálica de seção
tubular, as paredes de tijolos - que, com junta seca, parecem
empilhados - e o volume de vidro da adega. Tecnicamente,
a obra possui requintes incomuns no gênero
- por exemplo, o ar condicionado insuflado e o processo
que transforma a fumaça em vapor de água.
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Hotéis
A rede hoteleira
expandiu-se como nunca ao longo do período que marca
a trajetória da revista. Depois da atualização
nos anos 1970, novo boom de hotéis e flats aconteceu
na década de 1990.
Parte disso se deve à chegada de diversas empresas
internacionais, fato que, em contrapartida, motivou a dinamização
das redes brasileiras. |
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Um dos trabalhos marcantes foi idealizado em 1986 por Ricardo
Chahin e Marcos Silva: a renovação do
Grande Hotel São Pedro, em Águas de São
Pedro, interior de São Paulo, concluída em
1993. O projeto foi encomendado pelo Serviço Nacional
do Comércio (Senac), que, depois de receber a posse
da edificação - desenhada pelos engenheiros-arquitetos
Luiz Carmelingo e Dácio de Moraes nos anos 1940 -,
instalou ali um hotel-escola.
Na recuperação orquestrada por Chahin e Silva
sobressaem a inspiração art déco,
a transformação do antigo balneário
em Centro Integrado de Revitalização e a renovação
do salão de estar, que se tornou um espaço
contínuo e aberto que liga a recepção
ao pátio, passando pelo bar.
DESIGN & INTERIORES 44, dezembro de 1994
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Outra intervenção bem-sucedida foi realizada
por Janete Costa no hotel Excelsior. Há quase
uma década, ela foi contratada para refazer os interiores
do estabelecimento, localizado na avenida Ipiranga, centro
de São Paulo. O ímpeto renovador do proprietário
foi freado pela arquiteta ao verificar que boa parte do
mobiliário dentro do edifício havia sido desenhada
por Rino Levi, autor do projeto do hotel, na década
de 1940.
Janete decidiu manter as proporções dos espaços,
utilizando na nova paginação balcões,
luminárias, cadeiras e o bar da época. O cuidado
pessoal e contínuo da autora com o trabalho e com
a memória de Levi faz com que, em 2005, o hotel mantenha
seu charme e requinte.
PROJETODESIGN 199, agosto de 1996
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Além das renovações, a novidade ficou
por conta dos hotéis-design, tendência lançada
pela dupla Ian Schrager (empresário) e Philippe
Starck (designer) na Europa e nos Estados Unidos. Por
aqui, a febre chegou no final dos anos 1990, desbancando
o antigo padrão cinco estrelas da Embratur e revelando,
como ponto em comum, a exclusividade - são empreendimentos
menores, sem uma bandeira internacional. Um dos primeiros
do gênero foi o Emiliano, desenhado por Arthur
de Mattos Casas entre 1997 e 2001.
Com apenas 56 unidades e situado nos Jardins, em São
Paulo, ele ocupa um edifício planejado para uso residencial.
A redefinição do programa durante as obras
implicou novo desenho da fachada e o desenvolvimento dos
interiores. Para as áreas comuns e privativas, as
ambientações contemporâneas têm
predominância de tonalidades claras. Os contrastes
pontuais contribuem para o refinamento e intimismo dos
espaços. Peças de autores de renome - como
as poltronas de cordas douradas dos irmãos Campana
- complementam o projeto.
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Um empreendimento que pode ser classificado próximo
ao Emiliano é o Hotel Fasano, criado por Marcio
Kogan e Isay Weinfeld.
Embora a dupla tenha desenhado toda a edificação,
o que chama a atenção são os interiores,
realizados com uma série de colagens que mistura
protomodernismo, art déco, minimalismo e,
sobretudo, influências da elegância e espacialidade
de Aurelio Martinez Flores - tudo em clima nostálgico.
Os arquitetos detalharam tudo, até o botão
das campainhas. O espaço possui dois restaurantes,
um bar, local para convenções e 64 apartamentos.
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Diversos
Mas nem só
da clássica quadrilha escritórios-lojas-restaurantes-hotéis
viveu a arquitetura de interiores no país, durante
o período.
Diversos outros programas compõem o panorama do setor
- como, por exemplo, escolas e espaços culturais. |
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Nesse contexto, um bom exemplar é o Conservatório
de Música Popular Brasileira, de Fernando Popp
e Valéria Bechara. Todo mês de janeiro,
a nata da música popular nacional mostra seu talento
nesse espaço, que ocupa o solar dos Guimarães,
em Curitiba, edifício em estilo eclético alemão
datado de 1897.
A transformação ocorreu depois que a construção
foi adquirida, em 1981, pela prefeitura - em 1979, um incêndio
livrou apenas as paredes externas do solar. Valéria
e Popp deram um tratamento primoroso ao local, fundindo
o contemporâneo e o passado. “A estrutura nova,
em meio a edificações antigas, externamente
mantém discreta sua grandiosidade, sem tirar do largo
da Ordem e da praça Garibaldi a característica
de pontos focais da parte velha de Curitiba”, avalia Popp.
DESIGN & INTERIORES 41, maio/junho de 1994
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Uma escola que se destaca é o Centro de Gastronomia
da Universidade
Anhembi Morumbi, de Vicente Giffoni e Deise Marques Araújo.
Utilizado em aulas do curso de gastronomia, ele ocupa parte
do campus entre os bairros do Brás e da Mooca, em
São Paulo, em antigas instalações fabris
da Alpargatas.
Na opinião de Giffoni, ainda que a idéia de
implantar o centro gastronômico tivesse ocorrido após
a definição do plano geral de ocupação,
o espaço parecia estar à espera dessa atividade.
Elementos e proporções da construção
existente foram mantidos, ficando exposta a tecnologia
aplicada no novo uso - como nas cozinhas industriais, por
exemplo.
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Entre os espaços curiosos e, do ponto de vista programático,
absolutamente novos estão aqueles destinados a prover
acesso à rede mundial de computadores. Um deles é
a Internet Livre, áreas implantadas dentro das unidades
do Sesc/SP. Nessa série, os projetos mais fortes
foram desenvolvidos por Francisco Spadoni, como a
unidade-piloto, no Sesc de Araraquara, interior de São
Paulo.
A estratégia do arquiteto incluiu desenhar quase
todos os móveis. As CPUs e os monitores, por exemplo,
são “encapados”, formando um só corpo. O emprego
de materiais industrializados, como as telas metálicas
do forro, e de cores fortes também integra a lógica
de projeto de Spadoni, que desenvolveu diversos projetos
da rede.
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No âmbito dos programas mais tradicionais de acesso
à informação, destaca-se a revitalização
da biblioteca da pós-graduação da Faculdade
de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São
Paulo. O projeto é de José Armênio de
Brito Cruz, do escritório Piratininga.
O espaço está situado dentro da Vila Penteado,
considerada um dos mais importantes exemplares residenciais
do art nouveau paulistano. Na biblioteca, o que chama
a atenção são as estantes de aço
fixas nas paredes, a iluminação e a restauração
dos forros - em processo inovador desenvolvido pelo Ateliê
Sarasá.
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Residências
Interiores
residenciais são pauta muito pouco freqüente em
PROJETODESIGN, que dá prioridade a espaços
comerciais e institucionais. Aqueles projetos são abordados
por publicações mais voltadas para o consumidor
final.
Mesmo nessa seara, dois trabalhos apresentados pela
revista merecem destaque. |
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O primeiro tem a cara dos anos 1980: foi criado por Antônio
Oliveira Santos no edifício Anita, na região
da avenida Paulista, em São Paulo. O arquiteto, um
talentoso projetista de interiores morto em 1989, recebeu
em 1987, com esse trabalho, o prêmio do IAB/SP, na
categoria arquitetura de interiores.
O imóvel, com cerca de 600 metros quadrados de área
construída, até 2004 serviu de moradia ao
empresário Luiz Sérgio Laporta. A intervenção
construtiva restringiu-se a um anteparo visual que demarcou
a sala de estar e fez conviver no apartamento móveis
e objetos de diferentes épocas. Ali reside atualmente
Mel Lisboa, atriz que interpretou a personagem principal
da minissérie Presença de Anita, da TV Globo.
DESIGN & INTERIORES 11, novembro/dezembro de 1988
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O apartamento no edifício Prudência passou
por intervenção proposta por Marcelo Morettin,
Vinícius Andrade e José Alves. O prédio
é um clássico da arquitetura moderna de São
Paulo, desenhado pela equipe de Rino Levi em 1944.
O elemento mais marcante do projeto de interiores ocupa
a circulação: é uma peça
metálica que faz as vezes de armário,
divisória, luminária etc., estabelecendo um
diálogo franco com a arquitetura. De certa forma,
esse elemento reorganizou todo o apartamento, que passou
ainda por transformações pontuais, sobretudo
nos revestimentos. O setor de serviços - o
que mais passou por mudanças nas casas brasileiras
nos últimos 60 anos - foi o mais modificado.
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