Mauro Munhoz
Restaurante, São Paulo
   
 
   
 
  Um jogo de coberturas planas e inclinadas protege o corpo principal da construção, em forma de U
       
 
Desenho sem formalismo pontua moderno com referências coloniais
 

Elementos da arquitetura brasileira pontuam o projeto de Mauro Munhoz para a Hamburgueria Nacional, situada no bairro do Itaim Bibi, zona sul de São Paulo. A relação com o exterior se dá por grandes caixilhos com vidro, voltados para o pátio frontal. As coberturas combinam lajes planas, que se estendem para funcionar como amplos beirais, e superfícies inclinadas, vedadas com telhas cerâmicas.

O projeto de arquitetura e interiores tinha por objetivo estabelecer uma ambientação bem brasileira para a Hamburgueria Nacional, casa especializada em hambúrgueres com molhos e acompanhamentos exóticos e sanduíches típicos do repertório culinário do Brasil. Essa intenção manifesta-se pela integração entre áreas externas e internas, bem como pelos cuidados nas relações entre o ambiente construído e o clima.

A ocupação do terreno, onde antes havia pequenas casas, criou o recuo frontal, para abrir um generoso espaço de transição entre a via pública e o interior
do restaurante. Essa porção intermediária subdivide-se em duas partes.

A primeira é a faixa que se funde com a calçada e para onde se voltam os extremos dos salões; a segunda, mais estreita, configura o pátio com canteiro para a solitária árvore pau-ferro. Piso em pedra portuguesa e bancos de madeira transformam a área externa em setor de recepção e espera.

Embasamento de pedra-madeira com medidas irregulares e caixilhos de cumaru vedados por vidro delimitam o perímetro dos dois volumes laterais que formam o corpo principal da construção. Lajes com a parte superior revestida por manta impermeabilizante ganham continuidade como amplos beirais, responsáveis pela proteção da área externa. O desenho é complementado pelos planos inclinados cobertos por telhas cerâmicas, que marcam as laterais.

A entrada principal fica sob o volume superior curvo que abriga os sanitários. A abertura leva diretamente ao balcão, posicionado no limite entre o corpo principal e a edícula de três pavimentos que concentra piso técnico, escritório, armazenagem e pré-preparo de alimentos. Uma cobertura de vidro une os dois blocos e permite a incidência de luz natural sobre o balcão, de onde se pode ver a cozinha racionalizada, com áreas específicas para cada atividade. Anteparos de vidro reduzem os ruídos da cozinha que chegam até as mesas.

A linha estrutural em eixo interno liberou as laterais para os grandes panos de vidro que contornam os salões de pé-direito duplo. A opção pela estrutura metálica foi determinada pelo cronograma da obra, que estipulou apenas cinco meses entre a demolição das casas preexistentes e a inauguração do restaurante. “Alcançamos esse objetivo com a contratação de um profissional de gerenciamento, que fez a ponte entre o projeto e a obra”, finaliza Mauro Munhoz.


Texto resumido a partir de reportagem
de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 313 Março de 2006

 
  Mauro Munhoz formou-se pela FAU / USP em 1982 e desde 1989 mantém escritório próprio em São Paulo
 
A faixa frontal funde-se à calçada e ao pátio para criar uma ampla zona de transição. A árvore pau-ferro foi comprada e transplantada no local
 
 
Lajes planas com face inferior em réguas de cumaru fazem o papel de beiral, para proteger a área de espera
 
A linha de luminárias no piso valoriza a pedra-madeira usada no embasamento
 
A estrutura metálica fica em evidência nos salões de pé-direito elevado. O piso e o forro inclinado são revestidos com
madeira cumaru
   
A cozinha, planejada em conjunto com os operadores, tem áreas definidas para cada tarefa. Anteparos de vidro protegem os salões contra o excesso de ruídos
 
A entrada leva diretamente à linha do balcão. Em alguns pontos, os panos de vidro formam ângulos de 90 graus sem o uso de caixilhos
 
 
 
Bancos de madeira permitem que a área
externa seja usada como espaço
de recepção e espera
 
O mobiliário alterna cadeiras de madeira
e estofados em couro amarelo
 
O corpo principal e a edícula são unidos pela cobertura de vidro, que leva luz natural ao balcão. O elemento em madeira ripada marca o posicionamento dos banheiros sobre a entrada
  
 
  
A opção pelo eixo estrutural interno liberou a linha dos caixilhos para a comunicação
entre interior e exterior

Ficha Técnica

Hamburgueria Nacional

Local
São Paulo, SP
Início do projeto
2004
Conclusão da obra
2005
Área do terreno
604 m2
Área construída
480 m2
Arquitetura e interiores
Mauro Munhoz (autor);
Eduardo Lopes (coordenador); Rafaela Romitelli, Arnaldo
Machado e Érica Fioravanti (colaboradores)
Luminotécnica
Esther Stiller
Estrutura
Trianon
Ar condicionado
Termodata
Paisagismo
Luciano Fiaschi
Gerenciamento
Meta Gerencial
Construção
Pacto
Fotos
Nelson Kon

 

Fornecedores

ABC Cook (cozinha industrial); Esquadrias Scheid, Segmento Marcenaria (esquadrias) ; Jomarc Móveis (mobiliário); Lumini (luminárias); Alwitra (impermeabilização); Pedras Bosso (pedras); Gail, Portobello, Atlas (revestimentos cerâmicos); Deca (louças sanitárias); Docol (metais sanitários)

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