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No Brasil não existe similar; mesmo
no mundo, poucos museus especializados dispõem da tecnologia
empregada no Itaú Numismática - Museu Herculano Pires.
Especializado em moedas e medalhas, ele ocupa
o último pavimento do edifício Itaú Cultural
(PROJETO 193, janeiro/fevereiro de 1996). A limpa configuração
espacial adotada pelo arquiteto facilita a exposição
cronológica da história das moedas no Brasil.
“Não queríamos fazer apenas um depósito de moedas iluminado”,
explica Manubens. O setor de exposições ocupa
cerca de 2/3 da área útil do pavimento. No restante
acomodam-se ambientes de apoio - uma sala destinada
ao diretor da instituição e outra aos monitores - e
o hall de entrada. No hall de entrada, os visitantes
depositam seus pertences em escaninhos, para então dirigir-se
a uma porta-eclusa que dá acesso a um auditório (com
capacidade para até 20 pessoas). Nesse ambiente, uma
sessão de vídeo fornece aos leigos informações
sobre a viagem que farão a seguir.
É interessante notar como esse ritual cria um
clima propício ao ingresso no ambiente seguinte. Trata-se
da introdução ao universo onde os especialistas
(numismatas) atribuem diferentes valores a moedas baseados
em detalhes que passam despercebidos ao visitante comum.
A partir do momento em que se inicia a sessão, o visitante
deixa de ter contato visual com áreas externas. Na transposição
do auditório para a área de exposição, porta
e paredes têm desenho que remete às formas de uma caixa-forte.
“Procuramos dar um caráter lúdico ao museu, de
forma a motivar as pessoas a visitá-lo. A idéia de que
elas estão entrando num cofre que contém algo importante
e valioso contribui nessa motivação”, diz o arquiteto.
Na área de exposições, o percurso é linear. As vitrines
dispostas ao longo das paredes contam, cronologicamente,
a história monetária, política e social do Brasil. Nesse
ambiente, o projeto de interiores torna-se o suporte
para a atividade-fim.
A iluminação é artificial. No ambiente, é feita
de forma indireta através de sancas e emprega lâmpadas
fluorescentes; nas vitrines foi adotada a fibra ótica.
Neste caso, as lâmpadas foram colocadas na parte de
baixo da vitrine, dentro de projetores aos quais são
engatados cabos de fibra ótica, conectados a um conjunto
que calibra o foco luminoso para o campo pretendido.
Nas visitas para o público não especializado, é automaticamente
acionado o sistema de iluminação cujo efeito é conhecido
como via láctea: só se acende a parte das prateleiras
onde estão as moedas.
Conforme os grupos vão percorrendo as vitrines, iluminam-se
as divisões que contêm os fatos políticos e a iconografia
da época. A cada período focalizado muda também a
trilha sonora, baseada igualmente nas músicas de
então. Nas visitas de especialistas, a iluminação dá
ênfase às moedas e não existe trilha sonora. “Temos
dois museus em um, para o leigo e para o especialista”,
avalia o autor.
Texto resumido a partir de reportagem de Adilson
Melendez
(Publicado originalmente em PROJETO DESIGN Edição
250 - Dezembro 2000)
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