Francisco Javier Judas y Manubens
Museu Itaú Numismática, São Paulo
Moedas: a coleção do banqueiro
 

No Brasil não existe similar; mesmo no mundo, poucos museus especializados dispõem da tecnologia empregada no Itaú Numismática - Museu Herculano Pires. Especializado em moedas e medalhas, ele ocupa o último pavimento do edifício Itaú Cultural (PROJETO 193, janeiro/fevereiro de 1996). A limpa configuração espacial adotada pelo arquiteto facilita a exposição cronológica da história das moedas no Brasil.

“Não queríamos fazer apenas um depósito de moedas iluminado”, explica Manubens. O setor de exposições ocupa cerca de 2/3 da área útil do pavimento. No restante acomodam-se ambientes de apoio - uma sala destinada ao diretor da instituição e outra aos monitores - e o hall de entrada. No hall de entrada, os visitantes depositam seus pertences em escaninhos, para então dirigir-se a uma porta-eclusa que dá acesso a um auditório (com capacidade para até 20 pessoas). Nesse ambiente, uma sessão de vídeo fornece aos leigos informações sobre a viagem que farão a seguir.

É interessante notar como esse ritual cria um clima propício ao ingresso no ambiente seguinte. Trata-se da introdução ao universo onde os especialistas (numismatas) atribuem diferentes valores a moedas baseados em detalhes que passam despercebidos ao visitante comum. A partir do momento em que se inicia a sessão, o visitante deixa de ter contato visual com áreas externas. Na transposição do auditório para a área de exposição, porta e paredes têm desenho que remete às formas de uma caixa-forte.

“Procuramos dar um caráter lúdico ao museu, de forma a motivar as pessoas a visitá-lo. A idéia de que elas estão entrando num cofre que contém algo importante e valioso contribui nessa motivação”, diz o arquiteto. Na área de exposições, o percurso é linear. As vitrines dispostas ao longo das paredes contam, cronologicamente, a história monetária, política e social do Brasil. Nesse ambiente, o projeto de interiores torna-se o suporte para a atividade-fim.

A iluminação é artificial. No ambiente, é feita de forma indireta através de sancas e emprega lâmpadas fluorescentes; nas vitrines foi adotada a fibra ótica. Neste caso, as lâmpadas foram colocadas na parte de baixo da vitrine, dentro de projetores aos quais são engatados cabos de fibra ótica, conectados a um conjunto que calibra o foco luminoso para o campo pretendido. Nas visitas para o público não especializado, é automaticamente acionado o sistema de iluminação cujo efeito é conhecido como via láctea: só se acende a parte das prateleiras onde estão as moedas.

Conforme os grupos vão percorrendo as vitrines, iluminam-se as divisões que contêm os fatos políticos e a iconografia da época. A cada período focalizado muda também a trilha sonora, baseada igualmente nas músicas de então. Nas visitas de especialistas, a iluminação dá ênfase às moedas e não existe trilha sonora. “Temos dois museus em um, para o leigo e para o especialista”, avalia o autor.

Texto resumido a partir de reportagem de Adilson Melendez
(Publicado originalmente em PROJETO DESIGN Edição 250 - Dezembro 2000)

 

 
Aspecto geral da área de exposição: no interior
das vitrines, fabricadas na Alemanha, presença
de nitrogênio evita a corrosão das moedas
 
Hall de entrada. Acesso ao auditório
é feito por uma porta-eclusa
 
Banheiro: design cuidadoso nos detalhes das instalações
   
Percurso cronológico conta, com auxílio de iconografia
e trilha sonora, história das moedas no Brasil
Mesa utilizada
pelos numismatas
   
No auditório, paredes e portas têm desenho
que remete às formas de uma caixa-forte
Na sala da diretoria, um monitor mostra continuamente imagens da área de exposição

Ficha Técnica
Itaú Numismática Museu Herculano Pires
Local
São Paulo-SP
Projeto
2000
Conclusão da obra
2000
Área construída
315 m2
Arquitetura
Francisco Javier Judas y Manubens (autor); Alexandra Bazoli (colaboradora)
Ar condicionado
Thermoplan
Hidráulica e elétrica
Soeng
Acústica
Alexandre Sresnewsky Projeto de iluminação do ambiente
Infranight
Projeto de iluminação das vitrines
Jean François Hocquard
Automação
Technigroup
Fotos
Celso Ivo Lipp

 

Fornecedores
Miliken (carpetes); Probjeto (poltronas); Armstrong (forros); Glasbauhann (vitrines)

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