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Isay Weinfeld
Livraria, São Paulo |
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As portas pivotantes ganharam profundidade e modulação similares às das estantes dos interiores |
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| Livros são parâmetro para a medida e a escala do projeto |
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Isay Weinfeld projetou a nova unidade da Livraria da Vila em São Paulo, localizada nos Jardins. Trata-se de loja de rua, com recuo até certo ponto generoso se comparado à densidade da área construída em edificações do entorno, e que faz uso de materiais habituais, como o concreto, o forro de gesso branco e o piso cimentado, ordenados com simplicidade. Pouco se evidencia nos interiores além dos livros, com exceção das portas de entrada.
A quantidade de portas - são cinco, pivotantes - se deve não só à proporção harmoniosa, como à necessidade de sua manipulação com conforto, já que elas têm profundidade suficiente para receber prateleiras internas e, assim, funcionam também como vitrines, repletas de livros.
O material e a modulação dessas estantes móveis na entrada são indicativos do que o visitante encontrará nos interiores, de forma que a função de vitrine é observada de modo pleno. Em síntese, portanto, as prateleiras embutidas nas caixas pivotantes são feitas com madeira em tom escuro, repetidas na modulação de seis nichos horizontais. Além da forma e dos materiais, as portas carrregam certa simbologia do projeto, no sentido de serem os livros os protagonistas da arquitetura. Ou seja, ao remontarem externamente a parede lateral portante da edificação, seguindo o alinhamento vertical da fachada, as portas e seu conteúdo funcionariam hipoteticamente como a base do edifício.
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| As portas pivotantes, alinhadas com a projeção do painel frontal de fechamento, funcionam como vitrines. |
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No pavimento inferior ficam a área de livros infantis, a administração e pequeno auditório. Além do vazio central, as luminárias enfatizam detalhes arredondados |
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No interior da loja, o visitante depara-se com tipologia comum ao bairro. Weinfeld tirou partido da condição do terreno relativamente estreito e comprido - 10 x 30 metros -, reservando salas amplas nos três andares, com largura suficiente para a criação de prateleiras periféricas prioritariamente. As paredes laterais são completamente revestidas com estantes contínuas, não restando espaço para a visualização de qualquer superfície vertical que não aquelas preenchidas por livros. São estes, nesse sentido, os elementos articuladores e referenciais das medidas e da escala dos interiores, a exemplo do pé-direito rebaixado, resultante da altura útil para acesso às prateleiras.
No andar térreo, o único utilizado em todo o comprimento com a finalidade expositiva, as estantes laterais são complementadas por módulos baixos centrais, assim como por prateleiras aéreas, embutidas em aberturas de piso e teto que o arquiteto criou nos terços frontal e posterior da edificação. O artifício novamente enfatiza o livro como elemento articulador, sobretudo porque a visualização entre andares fica por ele intermediada.
O raciocínio estende-se ainda à estante mais alta, posicionada junto à escada lateral, desenho que gera quase 150 metros lineares de exposição só nesse trecho - ao todo são 1.280 metros, dos quais perto de 950 dedicados aos livros. Tomando por base a média de um centímetro e meio de largura por livro, tem-se como capacidade da livraria cerca de 60 mil volumes, além de 30 mil CDs e DVDs.
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| O andar superior, que abriga as áreas de CDs/DVDs, é iluminado sutilmente por abertura zenital |
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| A vitrine do vazio retangular serve de cenário para o andar superior |
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Vista em direção da entrada. As dimensões do vazio central privilegiam a visualização da vitrine em seu perímetro, em detrimento da comunicação entre andares |
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Embora com funções e mobiliário distintos, os andares inferior e superior - respectivamente dedicados ao setor infantil/auditório e aos CDs/DVDs mais o café - guardam a idéia de livraria introspectiva, voltada ao interior, sobretudo em função da elevada densidade de livros e da relação mediada com o exterior. Não há aberturas para a rua e a luz natural é filtrada por domo translúcido sobre a escada, princípio que orienta também a iluminação artificial indireta. Com isso, o projeto consegue criar um incentivo à longa permanência do visitante no espaço.
Texto resumido a partir de reportagem
de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 330 Agosto de 2007
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| Abertura zenital sobre a escada |
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| A escada lateral é acompanhada por estante que interliga os andares |
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Isay Weinfeld formou-se em 1975 pela FAU/Mackenzie, onde lecionou teoria da arquitetura. É autor de projetos de arquitetura e interiores premiados pelo IAB/SP, bem como de trabalhos expográficos, cenográficos, de design de mobiliário, direção de arte de espetáculos e direção cinematográfica |
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VEJA TODOS
* Lojas
publicados no Arcoweb |
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Fornecedores
Acriresinas (acrílico); Agrotan (domo); Cada Canto (piso cimentado); Casa dos Vidros (vidraçaria); Cia. de Iluminação (iluminação); Clodomar (pedras); Concresteel (placas pré-moldadas de concreto); Deca (louça sanitária); Fabrinox (tampos de inox); Gail (cerâmica dos banheiros e copa); Legno (marcenaria); Swatt (serralheria)
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