Bel Lobo
Livraria, Rio de Janeiro
   
 
  O setor central da loja, no nível da entrada, e o perímetro em patamares mais altos dão sensação de amplitude espacial
 
Em shopping, filial de loja de rua mantém elementos tradicionais

Inaugurada há menos de um ano, a Livraria da Travessa do Shopping Leblon, no Rio de Janeiro, tem arquitetura de interiores assinada por Bel Lobo. Das cinco unidades da rede, todas na capital fluminense, é a primeira implantada em um centro de compras. Acolhedora, a loja, que ocupa quase 1,3 mil metros quadrados de área e reúne aproximadamente 60 mil volumes e 25 mil CDs/DVDs, incorpora funções adicionais, como restaurante, café e auditório.

A primeira Livraria da Travessa foi aberta há cerca de dez anos, em Ipanema, na rua Visconde de Pirajá. A mais nova - e quinta - unidade da rede está localizada no Shopping Leblon, empreendimento inaugurado no final do 2006, na capital fluminense. Ela se distribui por 1.269 metros quadrados de área construída, em vários níveis. A porção central da loja, no mesmo nível da entrada, é destinada às áreas de exposição e vendas. O perímetro, por sua vez, é constituído por patamares em diversas alturas, ocupados, além de livros, por café, auditório e restaurante. Essa divisão em cotas diversas, além de remeter à Travessa mais antiga (também desenhada por Bel), lembra bibliotecas tradicionais e mesmo as desenhadas por Alvar Aalto. O espaço do restaurante é visualmente marcado por um painel lateral iluminado. Sob esses patamares, ficam setores de apoio e equipamentos, como sala de garçons, vestiário, estoque e ar-condicionado.

 
Mesas e bancadas baixas facilitam o acesso aos livros
 
A escada curva leva ao restaurante, que ocupa a maior parte
do mezanino
 
  Parte do piso da livraria foi revestida com ladrilhos hidráulicos brancos e verdes
 

A intenção do projeto foi, segundo a autora, criar ambiências agradáveis, que estimulassem a entrada de consumidores e ao mesmo tempo os mantivessem no interior, convidando-os a folhear as obras e percorrer as várias áreas da livraria. Nesse sentido, ela afirma, a organização interna deveria ser o menos formal possível, fazendo com que o público se sentisse à vontade - “uma bagunça organizada”, brinca. As banca das baixas, de onde os livros podem ser retirados com facilidade, e poltronas distribuídas pelo espaço para conforto dos leitores contribuem para esse clima.

Entre as dificuldades superadas pelo projeto na organização espacial estavam as interferências de instalações prediais, a irregularidade do local, o baixo pé-direito e a presença de vários pilares. No caso destes, originalmente de seção quadrada, a solução foi arredondá-los com gesso e depois pintá-los de cinza nas áreas do salão de vendas. “Evitamos as quinas e tornamos o ambiente mais fluido”, avalia Bel. Quando os pilares se encontram envolvidos por alvenaria ou alguma peça de mobiliário, são revestidos com vidro.

 
Para aumentar o pé-direito, a laje nervurada foi mantida
 
  Reconfiguradas, as colunas originais do shopping center - antes eram quadradas - servem de suporte à comunicação visual
 

Para trabalhar com o pé-direito pouco elevado, as lajes nervuradas foram deixadas aparentes, passando, porém, por uma melhora no acabamento. As tubulações de ar-condicionado, também visíveis, foram igualmente pintadas no tom cinza do concreto. A iluminação vem de um sistema de calhas fixado na laje - em alguns casos, está no topo das estantes. Ao cinza do concreto do teto se contrapõe o tom escuro das estantes e das mesas em madeira freijó. Na área infantil, as peças são brancas. A maior parte do piso é em peroba assentada na forma de espinha de peixe.

Bel Lobo conta que os diferentes patamares na área de vendas fazem com que o usuário tenha visão ampliada da livraria e também permitem que ele observe o piso superior. A arquiteta diz ter ouvido de freqüentadores o comentário de que, quando entram no espaço, têm a impressão de que saíram do shopping - “talvez pelo clima mais quente proporcionado pela madeira”, supõe, ou ainda pela criação inusitada de várias cotas. Ela revela ainda ter notado, nos pouco mais de seis meses de funcionamento da nova filial da Travessa, a presença de um público de perfil diferente daquele encontrado em outras unidades da rede, no bairro vizinho.


Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 330 Agosto de 2007

 
O painel iluminado é a principal marca visual do restaurante
 
Detalhe de uma das quatro estantes soltas, no salão de vendas
  Bel Lobo formou-se em 1984 pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. É sócia de Bob Neri no escritório Bel Lobo e Bob Neri Arquitetos, fundado em 1993, com o nome Z Arquitetura
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* Lojas
publicados no Arcoweb
 

Ficha Técnica

Livraria da Travessa
Rio de Janeiro, RJ

Início do projeto 2006
Conclusão da obra 2006
Área de intervenção 1.269 m2
Arquitetura, interiores e luminotécnica Bel Lobo
Acústica Fernando Richard
Estrutura Fernando Fontenelle
Elétrica Elizabeth Miguez e Marcus Geisel
Hidráulica Sérgio Pires
Ar condicionado Regina Carvalho
Construção Uni
Áudio Marcelo Castilho
Vídeo Future House
Fotos Pedro Meyer

 
Estantes de madeira de tom escuro e piso de peroba assentada na forma de espinha de peixe; ao fundo, painel do artista plástico Athos Bulcão
 

Fornecedores
Jatil, Wanderley Ribeiro, Silva Coelho Marcenaria (marcenaria); Alfatec (cozinha); Trust (luminárias e lâmpadas); Vidraçaria Delmota (vidros); Jatil (pisos); Haitec (equipamentos e instalação de arcondicionado); Granishow (mármores e granitos); Depósito Elro (tintas)

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