Fred Mafra
Casa noturna, Belo Horizonte
Plantas, cortes e fachadas
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Ficha técnica deste projeto
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  Bar do andar superior, defronte do espaço de descanso
 
Hibridez de ambientes resulta da fusão de luzes, imagens e sons
Desvencilhar-se do real e mergulhar num universo paralelo - às vezes futurista, outras nostálgico - configurado por imagens, luzes e sons é a viagem virtual propiciada aos freqüentadores da casa noturna Roxy, localizada em Belo Horizonte. O projeto é de Fred Mafra, que, na fachada, aplicou uma solução minimalista; nos interiores, no entanto, espaços híbridos e mutáveis despertam diferentes sensações.

Cidade brasileira que - dizem as boas (e também as más) línguas - reúne o maior número de bares, botecos e afins, a capital mineira tem na Savassi uma região de intensa atividade noturna. Ali fica a Roxy, clube-danceteria projetado pelo arquiteto - e DJ ocasional - Fred Mafra. Para ele, o objetivo de casas como a Roxy é surpreender e seduzir o público, além de oferecer comodidade, escapismo, flexibilidade e tecnologia. No trabalho, o arquiteto recebeu carta branca dos proprietários.

A edificação criada para a Roxy tem quase mil metros quadrados construídos, em dois pisos de plantas retangulares. A face principal da construção é definida por um pano de vidro laminado, recoberto por película branca. Mafra classifica a fachada como minimalista e diz que a configuração busca amenizar o caos urbano do entorno. Ela foi elaborada, explica o autor, para facilitar o acesso a portadores de necessidades especiais.

 
O pequeno jardim interno, com três palmeiras que direcionam
o percurso
 
  Na área de descanso na entrada dos banheiros, a padronagem do papel de parede lembra os anos 1970
 

Depois de percorrer a rampa de acesso, ingressa-se em um pequeno jardim envidraçado, onde palmeiras direcionam o percurso. A seguir, o túnel formado por anéis desiguais é espaço de transição, que imprime ritmo ao caminho para o centro da danceteria. Da chegada tem-se visão simultânea do lounge e do hall central. No primeiro, paredes são revestidas com resina esverdeada - elas se fundem com piso, teto e mobiliário, num desenho ondulado.

No hall central, o bar de 12 metros de comprimento, revestido com aço espelhado, é emoldurado por cúpulas gigantes que mudam de cor e envolvem os pilares. Trata-se de um espaço híbrido, onde os elementos se misturam e adquirem caráter multifuncional. “O mobiliário nasce da própria arquitetura e permite interagir com o cenário real”, comenta o autor. Já no lounge dos banheiros a escolha foi por um único padrão, inspirado em papéis de parede da década de 1970, o que revela certa nostalgia.

A pista de dança, com revestimento acústico, fica próximo do fundo da edificação e tem cem metros quadrados. Nela foram instalados painéis de plasma de 6 x 2 metros, nos quais o VJ interpreta “visualmente” o som. Defronte do palco - que possui seis metros de largura -, a cabine do DJ simboliza o coração da casa, na forma de uma pedra lapidada em acrílico com desenho semelhante ao de um púlpito.

 
A rampa que dá acesso ao clube facilita a entrada de portadores de necessidades especiais
 
  A iluminação cênica, distribuída por toda a casa através de um sistema de automatização, torna os ambientes mutáveis
 

O piso superior, considerado espaço privado, abriga o Vip Lounge. “Como seu programa arquitetônico é completo, o ambiente pode funcionar separadamente do pavimento inferior, com entrada independente”, explica Mafra. Aqui também há uma mescla de elementos, porém em cores vivas e quentes, como vermelho, laranja, roxo e lilás. Os assentos são embutidos nas paredes com curvas, que remetem à estética dos anos 1970, já adotada em parte do piso inferior. A pista de dança, para 200 pessoas, possui iluminação programada e conta com 200 pontos de luz.

A iluminação cênica distribui-se pelo clube por um sistema de automatização chamado change color. A luz, reconhece Mafra, é a base estrutural de todo o projeto, pois permite a modificação dos ambientes. “Essas experimentações transformam o local em espaços de percepções mais sutis”, ele conclui.

Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 335 Janeiro de 2008

 
No piso superior, o Vip Lounge pode funcionar de forma independente. O espaço tem cores vivas
  Fred Mafra arquiteto formado pela PUC/MG em 1998. É sócio da SG&M Arquitetura e Meio Ambiente, onde desenvolve atividades nas áreas de desenho ambiental, arquitetura industrial e corporativa
 
  Na fachada, de caráter minimalista, o pano de vidro laminado foi coberto por película perfurada
 
No lounge do piso inferior, cúpulas gigantes que mudam de cor abraçam os pilares.
 
As paredes têm tom esverdeado, obtido com a aplicação
de resina
 
Um túnel formado por anéis desiguais - chamado pelo autor de check-in - antecipa a chegada ao interior da casa noturna
 
Na lateral oposta, a seqüência de anéis do check-out traz o os freqüentadores de volta à realidade
 
  A pista de dança do andar superior pode receber 200 pessoas
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