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Seragini Farné Guardado Design
Café/restaurante, São Paulo |
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A arquitetura do Octavio Café é uma exceção em meio às construções mais elevadas na avenida Faria Lima |
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| Forma elíptica do grão de café inspira desenho |
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| Implantado na avenida Faria Lima, em trecho que se localiza no bairro do Itaim Bibi, zona sul de São Paulo, o Octavio Café foi projetado pelo escritório Seragini Farné Guardado. Loja-conceito da empresa que almeja transformar-se em marca mundial e criar uma rede de cafés, a edificação procura reproduzir em macroescala, na fachada e no salão, a forma da semente de onde se extrai a bebida. |
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No período em que morou e trabalhou na França, Alfredo Farné freqüentava, em Paris, um café projetado pelo também designer Philippe Starck. Apesar da aparente simplicidade, conta Farné, havia no ambiente um encanto para o qual ele não encontrava explicação racional. Mezanino nas laterais mais longas, uma série de espelhos nas paredes e, ao fundo do salão, uma mesa em plano ligeiramente mais alto. A cortina junto à entrada preservava o ambiente e, simultaneamente, incitava a curiosidade dos transeuntes.
Ao mesmo tempo que relata a história, Farné esboça o desenho da planta do café francês e explica que Starck recorrera a formas análogas às de uma igreja tradicional, trabalhando a imagem do sagrado impregnada no inconsciente da maior parte das pessoas. E especula que talvez viesse daí a explicação para o fascínio. Nem de longe a configuração do paulistano Octavio Café lembra um templo religioso, mas a tentativa de cativar os sentidos a partir da ambientação está presente.
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| Lâminas de madeira fixadas na estrutura metálica definem o desenho do café, na face voltada para a avenida |
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| A criação da marca antecedeu a arquitetura. Ambas têm como ponto de partida a semente da planta da qual se extrai o café |
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Salão principal do café/restaurante. O balcão do bar é o coração do ambiente |
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O desenho da principal face externa, com lâminas de madeira entrelaçadas a perfis metálicos, assemelha-se ao de um jacá - cesto feito de taquara e cipó, para transportar carga. Essa imagem inusitada - uma referência rural na mais cosmopolita das cidades brasileiras - faz com que a construção se sobressaia, mesmo cercada por prédios de maior porte. O Octavio Café é a primeira experiência do escritório Seragini Farné Guardado com a arquitetura em área exterior.
A edificação paulistana é formada por dois blocos. No primeiro, com pé-direito duplo, localiza-se o salão com formato semelhante a um grão de café, e nele o balcão do bar, espaço considerado o coração do ambiente. No salão, a estrutura metálica mescla-se com vidro e madeira. No segundo bloco - que Farné chama de apêndice -, os materiais utilizados foram concreto e alvenaria, e é ali que se situam as áreas técnicas, cozinha e escritórios. A entrada principal é marcada por um pórtico, encimado pelo nome Octavio. À noite, a iluminação destaca o invólucro de madeira e vidro.
Internamente, a ambientação foi trabalhada com tons que remetem aos dos grãos de café em diferentes fases do seu ciclo de vida. O piso de peroba-rosa de demolição faz referência às sedes das fazendas cafeicultoras. Na lateral do primeiro bloco, uma rampa de inclinação suave envolve praticamente todo o lado do edifício e leva ao pavimento superior. À medida que a rampa é percorrida, sensores fazem acender-se frases que mostram a ascensão da cultura do café.
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| Detalhe do balcão do bar |
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Após a escada, sensores fazem acender-se frases sobre o universo do café, toque tecnológico que tem o dedo do designer Marcelo Dantas |
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De início, explica Farné, pretendia-se que essa história fosse retratada com a ajuda de painéis fotográficos. O designer Marcelo Dantas preferiu, no entanto, um suporte mais tecnológico e criou a rampa do conhecimento, com frases sobre o universo cafeeiro. De uma forma ou de outra, para compreendê-lo é obrigatório interromper a caminhada a cada momento. Uma via-sacra? Talvez esteja aí a intenção subliminar do projeto.
O envolvimento do estúdio com a proposta iniciou-se partir de um tipo de trabalho pelo qual é mais conhecido: o desenho da nova marca do café Octavio, que é produzido na fazenda Nossa Senhora Aparecida, em Pedregulho, interior de São Paulo. A cafeicultura é um dos negócios do empresário Orestes Quércia. O logotipo assemelhou a inicial do prenome do pai do ex-governador à forma da semente do café.
A nova marca é parte da estratégia da empresa, que tem a intenção de internacionalizar-se e abrir uma rede de cafés. A loja-conceito da Faria Lima é o pontapé inicial dessa trajetória. “Ao contrário do que se possa supor, o nome Octavio foi proposto pela Seragini, e não pelo ex-governador”, esclarece Farné.
Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 337 Março de 2008 |
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| À esquerda do acesso fica o lounge, também em forma elíptica |
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| Acesso ao segundo pavimento, onde estão localizados o escritório e as salas de treinamento e de reuniões |
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Alfredo Farné estudou projeto mecânico no Instituto Técnico Industrial (Itis) e design e comunicação na Universidade de Bolonha, Itália, onde nasceu. Em 1988 mudou-se para São Paulo e associou-se ao escritório Seragini Design, atualmente Seragini Farné Guardado Design. É coordenador do curso master de design industrial do Istituto Europeo di Design em São Paulo |
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A sala de reuniões fica no bloco em alvenaria, na parte dos fundos do terreno |
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A ambientação foi trabalhada com tons que remetem ao grão
da planta em diferentes fases do seu ciclo de vida |
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