Lívia Ribas e Marcelo Maia Rosa
Estúdio de design, São Paulo
Plantas, cortes e fachadas
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Ficha técnica deste projeto
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  Materiais sem revestimento, como laje aparente, vidro e policarbonato, caracterizam os interiores
 
Utilização de material experimental garante a boa luminosidade
A experimentação é a marca do projeto desenvolvido por Lívia Ribas e Marcelo Maia Rosa para a dupla de designers Fernando e Humberto Campana. Os jovens arquitetos projetaram a readequação funcional do ateliê, localizado no bairro de Santa Cecília, em São Paulo, e criaram salas independentes de trabalho, organizaram setores de apoio e ampliaram a área de produção. De um grande galpão - denominação alusiva à forma retangular e alongada do terreno - criaram um estúdio de design.

Setorizado em dois pavimentos - um deles subsolo -, o estúdio se organiza em torno do pátio aberto mantido da edificação original. Qualificado pelo cuidado com a iluminação natural incidente nos interiores, o projeto motivou a adoção do policarbonato como material de vedação interna dos ambientes. São chapas alveolares e translúcidas, portanto, que servem de divisórias entre as salas de Fernando e Humberto.

O material não é usualmente utilizado com essa finalidade, o que levou os arquitetos a desenvolver solução personalizada para o projeto. Empregaram, então, o sistema metálico próprio da estruturação das placas de gesso no sistema drywall, alterando apenas a modulação vertical e horizontal dos perfis em função das diferenças de estabilidade observadas entre o gesso e o policarbonato.

Com o desenvolvimento do projeto, e os testes efetuados na obra, o sistema misto - que mescla um produto de linha a outro de natureza experimental - mostrou-se adequado ao estúdio. O resultado foi satisfatório em termos sensoriais, ou seja, permitiu a boa iluminação da edificação de miolo de quadra que tem apenas cinco metros de largura, assim como favoreceu a comunicação entre os ambientes em virtude do baixo desempenho acústico. Além disso, atendeu a critérios funcionais.

 
Bloco de criação e administração visto do pátio. Os brises horizontais são feitos com eucalipto autoclavado
 
Vista em direção ao pátio, no qual foi implantada lateralmente a escada metálica
 
  Vista da produção, em direção à copa e ao depósito, no subsolo
 

Os furos laterais existentes em uma das abas do perfil metálico em forma de U serviram de guia para a passagem dos conduletes de elétrica. Assim, no caso de manutenção, tem-se visível o traçado da infra-estrutura. Trata-se, por sua vez, de estética condizente com a linguagem irreverente do trabalho dos Campanas, observável ainda na simplicidade dos materiais que conformam pisos, tetos e outras superfícies aparentes. “Tivemos extrema liberdade para experimentar e simplificar o projeto”, comentam os arquitetos.

A parte posterior da edificação foi completamente reconstruída, inserindo-se laje de estrutura metálica. Elevada menos de dois metros em relação à cota térrea, ela acomoda os setores de criação e administração, assim como, no subsolo, a grande área de produção.

O térreo elevado é, nesse trecho posterior, recuado em relação à lateral esquerda, de forma a ser vedado e protegido por camadas paralelas que, de fora para dentro, alternam brises horizontais, vidro e as chapas de policarbonato. Além disso, é esse afastamento que permite a iluminação zenital da sala de produção.




Texto resumido a partir de reportagem
de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 337 Março de 2008

 
Mesmo a lateral cega da edificação recebe iluminação natural, através das divisórias de policarbonato
 
Croqui
  Lívia Campagna Ribas e Marcelo Maia Rosa formaram-se pela FAU/Mackenzie respectivamente em 2005 e 2006.
  Em sua recente trajetória profissional, trabalharam juntos em projetos para reformas residenciais e comerciais
   
  Do distanciamento entre as salas de Fernando e Humberto surgiu a área de projetos   Até as portas foram feitas com as placas translúcidas, com destaque para a visibilidade dos traçados de elétrica
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