Andrée Putman
Butique e spa, Paris
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Ficha técnica deste projeto
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  A recepção do spa tem linguagem natural, com pedra no piso e madeira no mobiliário
 
Ambientes discretos e oníricos, com o uso de elementos simbólicos
Anne Fontaine é uma estilista mundialmente conhecida pelas sofisticadas camisas brancas que concebe. No final de 2007 foi aberta sua 65ª butique, desta vez no centro parisiense do luxo, a rua Saint-Honoré. A novidade é que, junto com a loja, inaugurou-se o primeiro spa da marca, com interiores concebidos pela designer Andrée Putman.

São dois universos paralelos e complementares, a loja no térreo e o spa no pavimento inferior. Juntos, eles somam quase 700 metros quadrados de área construída, além de outros tantos metros dedicados a superfícies decorativas. Cada parede, assim, foi tratada no sentido de extrair-se o máximo de efeitos a partir de base enxuta, um procedimento comum às atuações individuais das habilidosas criadoras que são a octogenária Andrée Putman e a estilista franco-brasileira Anne Fontaine. Texturas naturais e artificiais, pedras, madeiras e tecidos, portanto, são protagonistas dos interiores, ao lado dos arranjos de luz. No térreo, esses elementos criaram ambiência sofisticada, recorrente em áreas dedicadas à alta-costura, com muito espaço vazio, poucas cores e brilho controlado, embora marcante.

A loja é setorizada em duas áreas. Uma delas é a galeria de entrada. Posicionada lateralmente no imóvel, ela abriga a variedade de produtos da marca e é pontuada por molduras abobadadas, representativas da arquitetura austera e formal do entorno. Evidencia-se ali um dos elementos simbólicos agenciados por Putman no projeto. A parede lateral interna conforma uma espécie de biblioteca vertical dos tecidos que Anne pesquisa em suas criações, como linho, algodão, organza e seda. Vê-se a dobra desses grandes panos, num desenho alusivo à modelagem empreendida pela estilista enquanto concebe suas camisas diretamente sobre manequins.

O visitante passa, então, ao grande salão emoldurado pela vitrine da fachada. Nele, o piso branco da entrada é substituído por madeira paginada em malha quadrada, e o ambiente ganha a interferência de efeitos decorativos. No centro, uma luminária escultórica, feita com papel machê, dissimula lâmpadas sob pequenas folhagens, enquanto lateralmente um trilho suspenso e com desenho sinuoso sustenta tiras em tons dourados. Na outra lateral, o contraponto é estabelecido através da parede de pedra azul, em tom escuro, com textura ranhurada. Ela utiliza material proveniente da província belga de Hainaut e abriga sutil queda d’água que se desenvolve ao longo da escada de acesso ao spa. Esse elemento natural foi eleito pela designer de interiores e pela estilista como elo simbólico entre a loja e o spa, de forma que, no subsolo, a água se transforme em estreito curso a sinalizar o acesso às salas individuais de atendimento.

Prevalece no pavimento inferior, de setorização densa e intrincada, a ambiência onírica, resultante sobretudo da interação de luz colorida, superfícies brancas e outras feitas com arranjos de pedras naturais. Tudo parece flutuar ou estender-se indefinidamente no spa. As salas de atendimento têm a forma de caixas assimétricas - feitas com madeira pintada de branco -, levemente suspensas e com arestas dissimuladas pela implantação de visores verticais. Eles criam interessante efeito ao tornar visíveis as várias cores com que se iluminam os interiores. Destaca-se a costura entre a luz cambiante e as grandes superfícies revestidas com pedras. Por vezes, como na recepção e na sauna, o mármore em tons marrons enfatiza o caráter orgânico do spa; nas áreas de tratamento, a junção da iluminação azul com as pedras em mesma tonalidade cria efeito dramático e tecnológico.


Texto resumido a partir de reportagem
de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 340 Junho de 2008



 
Em alguns ambientes, prevalece a linguagem contida, monocromática
 
A vista do salão principal, em direção ao trecho posterior da edificação, evidencia a sofisticação contida dos interiores
 
A cor azul de algumas pedras de revestimento das paredes é enfatizada pela iluminação artificial
 
A ambiência mutante, resultado da ação da luz artificial, qualifica os caminhos de acesso às salas de tratamento. Boa parte do percurso é pontuada por espelho d’água oriundo da cascata que escorre sobre a parede lateral de acesso ao spa
Andrée Putman nasceu em 1925 na França. Foi jornalista de design e atuou na área da moda nas décadas de 1960/70. Como designer de interiores, concebeu lojas para Yves Saint Laurent e Cartier, e os interiores de aeronaves da Air France. Nos anos 1990 passou a atuar também na área residencial e hoteleira, na qual se destaca o projeto do hotel Morgan, em Nova York
 
No spa, grandes superfícies revestidas com pedra
 
Ambiente de tratamento em dupla
 
  Vista externa da loja
 
Vista externa da loja, com distinção entre a galeria de entrada, de pé-direito elevado e arquitetura abobadada, e o grande salão
 
A galeria de entrada tem como elemento cenográfico a parede feita com tecidos pesquisados pela estilista
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