Gesto Arquitetura
Cafeteria do Museu do Café, Santos-SP
Para degustar cafés do Brasil
 

O projeto do escritório Gesto Arquitetura para o café do futuro Museu do Café, em Santos, no litoral paulista, procura preservar o perfil histórico da edificação, um dos exemplares mais significativos da arquitetura eclética remanescente do período áureo da cafeicultura no Brasil.

O edifício não teve perda nem acréscimo de elementos que desconfigurasse sua integridade espacial. Realizada quase que exclusivamente com mobiliário de design contemporâneo, nem por isso a intervenção mostra-se menos adequada à linguagem original.

Situada na lateral direita do hall de entrada principal, a Cafeteria do Museu é composta por dois ambientes - área de serviço/atendimento e salão - separados por parede de alvenaria, na configuração espacial restaurada.

O setor de serviço/atendimento fica no vértice formado pelo encontro entre a lateral e a parte frontal do edifício. Balcões de desenhos curvos revestidos com madeiras de tons variados delimitam os espaços reservados aos operadores da área de público.

Ao fundo, painéis também de madeira criam uma segunda parede, distanciada das originais, que não poderiam ser alteradas por causa do tombamento da construção.

O segundo ambiente (salão) situa-se dentro do perímetro do espaço mais nobre do edifício. Painéis de vidro transparentes separam sutilmente a área do café daquelas destinadas ao futuro museu, sem interferir na compreensão espacial.

Essa opção mostra-se sensata, uma vez que, embora o museu ainda não esteja operando, reconhece o café como coadjuvante.

Nas mesas, cadeiras e revisteiro ali distribuídos também prevalece o design de linhas curvas e harmoniosas.Uma curiosidade do mobiliário desenvolvido pela Gesto é que algumas das peças foram desenhadas para também acomodar instalações hidráulicas e elétricas.

Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 256 Junho 2001

 
Bolsa de Café de Santos: um traço da era da cafeicultura
 
Os balcões de madeira em tons diferentes ajudam a criar clima acolhedor, em harmonia com o perfil histórico da edificação
 
Na área de atendimento, à direita, movel-expositor desenhado para receber as sacas dos diferentes tipos de café
 
Térreo/café
1. Loja/atendimento 2. Venda de grãos e correlatos 3. Torra
4. Expositor de sacarias 5. Café 6. Doces/salgados 7. Sorvetes
8. Caixa 9. Área de mesas 10. Revisteiro e cotação da bolsa
de café 11. Cozinha/apoio 12. Escritório 13. Serviços
14. Área externa 15. Museu
Edifício restaurado da Bolsa de Café de Santos
   
À espera do museu

Inaugurado em 1922, como parte das comemorações do centenário da Independência,
o edifício da Bolsa de Café de Santos chegou aos anos 1990 em precário estado de conservação.

Legítimo representante da arquitetura eclética, sua construção foi executada sob a coordenação de Roberto Simonsen - a pesquisa realizada por ocasião do restauro não conseguiu identificar o autor do projeto original. A restauração foi motivada pelo descolamento de partes da fachada, além de o forro do terceiro pavimento ter cedido vários centímetros.

Contratado pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, o arquiteto Samuel Kruchin desenvolveu o projeto de restauração. Vitrais e painéis do artista plástico Benedito Calixto foram recuperados, elementos da ornamentação externa reconstituídos e pisos recompostos de acordo com o desenho original.

As torres, cujas cúpulas são revestidas de cobre e constituem elementos marcantes
na volumetria da edificação, também foram recuperadas, com a troca de todo o madeiramento estrutural. O relógio, depois de muito tempo parado, voltou a funcionar.

O espaço, porém, ainda é mal-aproveitado. A intenção era instalar no local o Museu do Café. Há quase três anos o restauro foi concluído, e o trabalho de Kruchin promoveu a integração entre os pavimentos e espaços para adequá-los à finalidade prevista.

O museu, entretanto, ainda tem funcionamento incipiente e precário. O acesso dos visitantes se restringe ao térreo, piso onde estão, além do café, o antigo pregão e um grande painel pintado por Calixto.

Ficha Técnica
Cafeteria do Museu
Local
Santos-SP
Projeto
1999
Conclusão da obra 2000
Área construída
120 m2
Interiores
Gesto Arquitetura (Newton Massafumi Yamato e Tânia Regina Parma)
Instalações
Celtim
Luminotécnica
Spina
Programação visual
Gino Caldatto
Barbosa
Construção
Gepas
Fotos
Ernesto Papa

 

Fornecedores
Sam Artefatos (marcenaria); Planarc (execução de indicadores visuais); Stone Center (mármores); Metalúrgica Leogap (torrador de café); Ingecold (estufa e geladeiras industriais); Blend Express Machines (máquina de café expresso); Torogel (expositor de sorvetes); Coffee Service, Saeco, Cafecrem, Italian Coffee (máquinas de café); Phormão Movelaria (mobiliário); Climafrio (refrigeração)

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