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Para operar a metamorfose na
antiga cervejaria-restaurante Les Grandes Marches, junto
ao teatro Ópera (obra do final do século
19), em Paris, os empreendedores convidaram Christian
e Elizabeth de Portzamparc. Se o arquiteto desenvolveu
elegante solução para filtrar a luz natural,
foi sua esposa a responsável pelo conjunto do
projeto, como já havia feito no café na
Citté de la Musique, no parque La Villette.
Elizabeth procurou tornar o restaurante atraente
desde a entrada. O mobiliário arrojado atende
à solicitação do cliente, que desejava
um equivalente contemporâneo daquilo que o estabelecimento
foi no início do século 20: um local elegante
e refinado, mas simples e agradável, com imagem
suficientemente forte para perdurar por muitos anos.
O fato de o edifício ser tombado limitou
a ação de Christian de Portzamparc ao
café-terraço envidraçado, na fachada
do edifício, e ao trabalho com a iluminação
natural. O arquiteto projetou as vidraças que
escamoteiam a luz externa, procurando, segundo ele,
"levar ao local uma luminosidade nova, branca,
como se um filtro preparasse a transformação
e o movimento que a arquitetura de Elizabeth acrescentaria
ao local".
Após as obras, os ângulos retos quase
desapareceram e uma parede oblíqua pintada
com projeção de partículas de titânio
- segundo técnica concebida especialmente para
esse projeto - confere ao estabelecimento uma atmosfera
futurista.
Uma escada escultural, imponente mas de grande
leveza, domina o centro do edifício e anuncia
o outro pavimento, que se integra de maneira teatral
ao térreo. Em torno da escada, uma abertura arredondada
atendeu à necessidade de unir os dois andares.
No piso superior, um salão circular, claro e
luminoso, tem largas aberturas que permitem o acesso
aos demais ambientes. Ele imprime a unidade indispensável
ao espaço, antes composto por salas de formas
diversas.
Múltiplos tipos de ambientes são propostos,
de maneira que cada cliente encontre o lugar que lhe
convém. Embora diferentes, essas salas constituem
declinações de uma mesma idéia,
dando coerência ao conjunto. O observador encontra
o mesmo elemento - um triângulo alongado - nas
formas das cadeiras, nos nichos luminosos e na louça.
Essa figura geométrica ajuda a criar a identidade
da grande cervejaria-restaurante. A iluminação
difusa e indireta sublinha com discrição
a arquitetura e fornece a sensação de
conforto.
Texto resumido a partir de reportagem
de Éride Moura
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 256 Junho 2001
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