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O campus Centro da Universidade
Anhembi Morumbi, em São Paulo, vem sendo implantado
por etapas em uma antiga fábrica da Alpargatas
na região onde se encontram o Brás e a
Mooca, bairros tradicionais da zona leste da cidade.
Quando totalmente ocupado, o complexo educacional poderá
receber até 20 mil alunos. O centro destinado
ao curso de gastronomia, cuja primeira turma
começou este ano, ocupa uma das laterais da antiga
edificação, um aglomerado de galpões
unidos por duas torres.
Segundo o arquiteto Vicente Giffoni, a área
escolhida parecia estar à espera desse tipo de
atividade. Disposto no sentido perpendicular ao
eixo de uma rua interna que, a partir do pavimento térreo
da edificação principal, conduz à
sua entrada, o centro gastronômico teve seu layout
planejado para acomodar os equipamentos necessários
a uma cozinha industrial, em áreas de
preparo, lavagem, cocção
e câmaras frias, entre outras.
Preservando as proporções do espaço
existente, deu-lhe, porém, nova leitura: Giffoni
concebeu um ambiente de caráter monástico,
tratando-o como uma espécie de templo dedicado
à gastronomia.
A intenção do arquiteto transparece em
diversos setores, mas especialmente na cozinha de demonstração
(capaz de receber até 80 alunos) e na área
de estar/bar, ambientes que estimulam a gastronomia.
No percurso do corredor central, “quase uma viela,
que ao final esconde um bom restaurante”, comenta Giffoni,
até o interior do centro de gastronomia, experimenta-se
a sensação de estar, ao mesmo tempo,
dentro e fora da construção. Essa
sensação é reforçada pela
luz natural que entra através do telhado
de vidro.
A variação de materiais de acabamento,
a iluminação e o assentamento de
peças cerâmicas em ângulos pouco
comuns são recursos empregados para caracterizar
visualmente cada dependência.
Assim, por exemplo, o forro de madeira do laboratório
de carnes e preparos foi revestido com tinta branca,
o que destaca o aspecto asséptico daquela área.
Na cozinha de demonstração, porém,
manteve-se o forro com a aparência natural; ali,
o aspecto formal ajusta-se melhor à atividade
didática.
O projeto preocupou-se com preservar a proporção
e alguns elementos de linguagem que caracterizavam
a antiga construção. É o
caso dos lanternins, que, mantidos, ajustaram-se à
nova leitura. Costurando essa diversidade estão
as paredes de tijolo maciço, surgidas com a remoção
do antigo reboco.
Além do curso de gastronomia, o centro é
também utilizado pelos cursos de nutrição,
turismo e hotelaria. Quando totalmente concluído,
terá sete cozinhas; também está
prevista uma área para panificação.
Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 238 Dezembro 1999
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