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Uma
antiga agência bancária, no centro do Rio de Janeiro,
passou por transformação completa para abrigar a
loja de roupas masculinas Sandpiper.
O
principal desafio encontrado pelos arquitetos do escritório
Diplodocus foi a dificuldade de acesso apresentada pela
edificação. Nenhum dos 4 pisos encontrava-se nivelado
com a rua: dois estavam acima dela e dois abaixo.
Com
uma coluna estrutural bem no centro da fachada, o acesso
originalmente se dava por meio da escadaria que descia
para o primeiro subsolo, onde funcionava o piso mais
importante da agência. “Tivemos que optar por privilegiar
um pavimento, criando um main floor”, diz Israel Nunes,
um dos autores do projeto. “Foi então que tivemos a
idéia da rampa de acesso”, acrescenta Flávia de Faria.
Uma rampa suave, em lugar da escada, passou a
ligar o nível da rua ao primeiro pavimento acima, definido
como o principal.
Ainda
na fachada, a laje do segundo pavimento foi recuada
em 1,70 m. Intervenção simples, porém de impacto decisivo
sobre o projeto, conferiu mais profundidade à vitrine,
valorizou o acesso e otimizou a transparência da loja,
garantindo a visão de seus três pisos para quem passa
pela rua. “A rampa, como uma passarela, curva e cênica,
convida para o piso principal, onde estão expostos os
lançamentos da estação”, explica Flávia. A partir daí
a circulação flui naturalmente. Da entrada visualiza-se,
no final da loja, banhada de luz natural por ampla clarabóia,
a escada que conduz aos demais pavimentos.
Sem forros ou falsos detalhes em gesso, com os sprinklers,
os dutos de ar-condicionado e a iluminação aparentes,
o espaço é cru, neutro e essencial, em sintonia com
a moda dos anos 90, segundo Nunes. “Para destacar o
produto”, usou-se granito no piso da entrada, o mármore
branco da parede lateral da vitrine (legado da agência
bancária) foi flamejado e paredes e tetos ganharam pintura
branca. A madeira também aparece intensamente: garapa
no piso, freijó nas estantes de calçados; ou de demolição,
encerada e atrelada aos perfis metálicos nos móveis
de apoio desenhados pela dupla do Diplodocus. Complementam
a ambientação uma bela porta de aço blindado, remanescente
da agência bancária, e móveis e objetos garimpados nos
brechós do centro do Rio.
(Edição 242 - abril 2000)
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