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Com linhas puras, traços
econômicos e desenho restrito ao essencial,
o escritório Piratininga Arquitetos Associados
transformou um galpão da zona sul de São
Paulo na Galeria de Arte Brito Cimino.
Deixando de lado qualquer extravagância formal,
a arquitetura é suporte que privilegia os objetos
de arte expostos, num espaço em que a clareza
não impede que se incite a curiosidade.
Conservando parte da estrutura existente, o projeto
criou novos espaços e deu à fachada
da edificação características condizentes
com a nova ocupação. Despojada de supérfluos
e adereços, a galeria destaca-se pela elegância.
Uma imensa porta, recortada na superfície
branca da face voltada para a rua, é um convite
ao ingresso. À frente, um pequeno canteiro rasgado
no piso externo interrompe a claridade da fachada.
Como a refletir os traços simples de seu exterior,
os ambientes internos são também despojados
e claros. A geometria do local recorre à
fórmula do espaço retangular, onde as
paredes são também o suporte para as obras.
A preocupação em criar um percurso, no
entanto, não permite que, da entrada, tudo seja
desnudado e propõe um incitamento da curiosidade:
a parede ao fundo do salão, por exemplo, ao mesmo
tempo em que veda o espaço, revela um pequeno
segmento da escada que conduz ao mezanino.
À frente do salão principal, na entrada,
um espaço envidraçado - “um cubo de
luz”, na definição de José
Armênio de Brito Cruz, sócio do Piratininga
- deixa vazar para o interior a luz natural. O projeto
aproveitou parte da construção anterior,
de pé-direito duplo, inserindo um mezanino
em estrutura metálica, na transversal; a quem
atinge esse pavimento revela-se uma estreita galeria,
que aproxima o visitante da obra de arte exposta.
Assim como as obras de arte muitas vezes demandam senso
acurado para a apreciação,
o espaço revela sua identidade em sutilezas.
São os detalhes que fazem com que a galeria ganhe
maior significado em termos arquitetônicos. No
teto, por exemplo, Cruz optou por aproveitar a cobertura
existente, revestindo-a internamente para melhorar o
desempenho acústico.
O forro rebaixado, de onde parte a iluminação
artificial (em trilhos) dirigida às obras, no
entanto, não a veda completamente, deixando à
mostra, nas laterais, pequenas faixas.
A solução não interfere no desenho
espacial e funciona como artifício enriquecedor
do projeto. No térreo, as paredes laterais
do salão de exposições não
tocam diretamente o chão, técnica que
contribui para a ventilação cruzada.
O projeto criou ainda, na parte do fundo da construção,
as instalações de um escritório
de design, independente da galeria. Cruz afirma
tratar-se de obra relativamente simples, mas que, como
solução arquitetônica, buscou fornecer
bom suporte para a obra de arte.
Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 261 Novembro 2001
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