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O governo português decidiu criar
um projeto básico de estandes para as diversas feiras
brasileiras de que pretende participar este ano - e
convidou o arquiteto Fernando Brandão para fazê-lo.
A idéia era marcar a presença de Portugal nos principais
eventos comerciais brasileiros ligados à comemoração
dos 500 anos do Descobrimento
O arquiteto propôs um modelo de cobertura
que possibilita diversas composições espaciais. Essas
coberturas têm uma escala apropriada ao interior dos
estandes e criam identidade, como velas que aludem à
navegação, elemento intrínseco à alma lusitana.
Cada módulo da estrutura é formado
por um pórtico metálico, em cuja viga se apóiam duas
abas. Semelhantes a duas asas, as abas - que podem ser
movimentadas de forma a permitir diversos arranjos -
são preenchidas por lonas vinílicas tensionadas,
onde estão impressas imagens de Portugal. Os dois primeiros
eventos em que foram montados os estandes portugueses
aconteceram quase simultaneamente: a 16ª Bienal do Livro
e a Expo Boa Mesa 2000, ambos realizados em São Paulo,
em abril/maio passado.
Está prevista sua montagem em outros
dois eventos: a feira de informática Fenasoft e um encontro
da Associação Brasileira de Agências de Turismo. A Bienal
do Livro - montada no Expo Center Norte, uma área de
exposições na zona norte da cidade - recebeu aproximadamente
1 milhão de visitantes. A área ocupada pelos portugueses
possuía 800 m2 , divididos em duas quadras iguais. Ali,
uma seqüência de sete pórticos, com abas de diferentes
alturas, criava um desenho movimentado.
Um dos destaques era a iluminação,
principalmente por ser um espaço efêmero: o piso elevado
(utilizado para esconder a estrutura nesse tipo de montagem)
recebeu luminárias embutidas; as “velas” eram iluminadas
indiretamente, entre outras sofisticações. O governo
português, por meio da companhia Investimento, Comércio
e Turismo de Portugal (Icep), alugou a área e sublocou-a
para editoras lusitanas, viabilizando assim sua participação.
Os diversos espaços destinados às casas publicadoras
foram divididos por um mobiliário de madeira, desenhado
pelo escritório do arquiteto. Os ambientes comuns, como
o pequeno auditório e a área de estar,
receberam divisórias translúcidas. Ao centro, uma área
institucional foi ocupada por uma exposição de fotos
ligadas aos descobrimentos portugueses.
Na Expo Boa Mesa, um evento ligado
à culinária, o projeto é semelhante. O estande, montado
no Centro Têxtil, possuía 400 m2, a maior parte ocupados
por mesas para degustação de três tipos de culinária
típica portuguesa (do norte, do centro e do sul do país);
o restante foi destinado à degustação de vinhos. Mas
a cobertura seguiu outro esquema: os pórticos foram
implantados em sentido diverso, criando variações com
o mesmo elemento. Nesse caso, as imagens estampadas
são temáticas - uvas e vinícolas, por exemplo.
A contratação de um brasileiro pode
parecer estranha, principalmente partindo de um país
como Portugal, considerado um celeiro de arquitetos.
É mais que um gesto de relações públicas, porém: sob
a ótica do contratante, o Brasil faz parte do chamado
“mundo português”, um universo que envolve, além da
cultura e da língua, os negócios.
Texto resumido a partir de reportagem
de
Fernando Serapião
(Edição 244 - junho 2000)
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