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A área é mínima
- pouco mais de 100 m2 - mas surpreendente. Nostálgico
e, ao mesmo tempo, contemporâneo, o espaço
funde arquitetura e moda. “A intenção
é provocar emoção e desejo”, afirma
Benedito Fernando Moreira, autor do projeto.
O arquiteto recorreu à releitura de objetos
característicos da decoração
residencial popular da década de 1960 - como
as cortinas de plástico em tiras colocadas
nas portas dos três provadores - para compor o
espaço da loja que projetou para a grife Graça
Ottoni, localizada em Lourdes, conhecido bairro de Belo
Horizonte.
O projeto é inspirado naqueles anos, preservando
- mesmo que essa não seja sua intenção
- a atmosfera do imóvel original, uma residência
daquele período.
Essa referência não impede, porém,
que a loja se estabeleça como um belo e provocativo
espaço da moda contemporânea.
Na face voltada para a via pública, a opção
foi por um desenho limpo, com a superfície
opaca revestida em tom claro, o logotipo da marca e
o vão frontal totalmente tomado pela fachada-vitrine.
Dessa forma, da rua pode-se observar quase a totalidade
do interior - e a forma inusitada em meio túnel
(onde foram fixadas as araras de roupas) estimula a
entrada.
A vedação interior/exterior foi feita
com fibra de vidro, o principal material utilizado
pelo arquiteto no projeto - foi também empregada
como base para quase todo o mobiliário, aparecendo
de forma destacada no móvel que é, ao
mesmo tempo, expositor e balcão de atendimento.
No design desse componente, observa-se certa influência
de trabalhos dos irmãos Campana, mais especificamente
o sistema Labirinto.
Para estabelecer contraponto a esse material, que é
ora translúcido, ora em tom claro, Moreira especificou
cores fortes no tapete (roxo) que ocupa toda
a extensão da loja e na parede lateral (abóbora).
Situados no fundo, os provadores separam-se da
área de atendimento por parede em vidro jateado.
Desenvolvida especialmente para a Graça Ottoni,
a iluminação também tem como fonte
de inspiração os anos 1960.
As linhas de spots que iluminam o meio túnel
são uma releitura de peças da época.
Uma luminária linear, que recebeu lâmpadas
fluorescentes, foi empregada como solução
de iluminação geral:
o conjunto lembra antigos néons.
Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 276 Fevereiro 2003
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