|
Uma galeria de arte com velocidade
de transformação tão impressionante
quanto o sítio em que se localiza. Essa é
a Galeria Vermelho, em São Paulo, projeto
recente de Paulo Mendes da Rocha.
Localizada no complexo viário
do final da avenida Paulista, a galeria é o resultado
da reforma de três sobrados geminados.
As casas, construídas no tempo em que a região
era um pacato e uniforme setor residencial da cidade,
resistiram à desconfiguração
do sítio urbano.
Na reforma, a maior parte das aberturas
foi fechada, privilegiando-se a luz artificial.
Pintadas com base branca, as paredes de dentro e de
fora servem de suporte para constantes alterações
propostas pelos artistas plásticos a cada exposição.
O desafio da reforma foi rearranjar
o espaço para criar grandes áreas de exposição.
Para isso, as principais alvenarias portantes
do térreo foram mantidas e todo o espaço
no piso superior foi liberado. Nos fundos do lote, construiu-se
um volume com pé-direito duplo.
O primeiro pavimento configura-se
em uma recepção que dá acesso a
duas galerias para obras de pequeno porte. No
fundo, um salão de pé-direito duplo,
única construção nova, é
utilizado para expor peças maiores.
O segundo pavimento abriga o maior espaço
de exposições da galeria. A cobertura
tem tesouras aparentes de madeira - quatro antigas e
duas novas - que substituem as alvenarias retiradas.
Duas aberturas permitem visualizar as obras expostas
no salão de baixo.
Dedicada a artistas e fotógrafos
da nova geração, a Galeria Vermelho atende
às expectativas de um espaço de exposições.
E, ao contrário das transformações
da malha urbana, seu projeto não desconfigura
a memória da cidade.
Texto editado a partir de reportagem
de Fernando Serapião
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 278 Abril 2003
|